27/02/2026
Ser mãe...ser mulher...
Ninguém fala do peso invisível de ser a mãe que tem de saber tudo.
Fala-se de listas de material, de consultas marcadas, de aniversários lembrados, de lanches equilibrados. Mas ninguém fala da carga mental que nunca descansa. Da agenda que vive dentro da nossa cabeça. Do medo constante de nos esquecermos de alguma coisa importante.
Ser mãe é estar sempre dois passos à frente.
É saber quando acabam as fraldas, quando é a próxima vacina, quando há teste de Matemática, quando já não servem as sapatilhas.
É antecipar birras, prever febres, preparar conversas difíceis.
E ninguém vê.
Ninguém vê que, enquanto ouvimos uma história sobre dinossauros, estamos a pensar se marcámos a consulta do dentista.
Que, enquanto dobramos roupa, estamos a calcular mentalmente o orçamento do mês.
Que, enquanto dizemos “vai correr bem”, estamos por dentro a perguntar-nos se estamos a fazer o suficiente.
Há um cansaço que não vem do corpo.
Vem da responsabilidade constante.
Porque e se falhamos?
E se não estivermos a educar bem?
E se estamos a ser demasiado exigentes?
Ou permissivas demais?
E se um dia eles precisarem de algo que não lhes soubemos ensinar?
Vivemos com medo de errar num papel que não tem manual.
Comparamos-nos em silêncio.
Culpamo-nos em segredo.
Sorrimos em público.
Há noites em que o silêncio da casa não traz descanso, traz dúvidas.
Revemos o dia inteiro como se fosse um filme.
A resposta mais brusca.
O “agora não” dito sem paciência.
O abraço que podia ter sido mais demorado.
E prometemos fazer melhor amanhã.
Ser mãe é carregar o mundo invisível dos filhos dentro da cabeça e do coração.
É ser porto seguro quando estamos em tempestade.
É parecer forte quando estamos exaustas.
É continuar, mesmo quando ninguém repara que estamos a dar tudo.
E no meio disto tudo, há amor.
Um amor que organiza, que planeia, que protege.
Um amor que falha e aprende.
Um amor que duvida, mas nunca desiste.
Talvez ninguém fale disto porque parece “normal”.
Mas não é leve.
Não é simples.
Não é automático.
Ser mãe é viver com o coração fora do peito…
e ainda assim conseguir mantê-lo inteiro.
E quem é mãe sabe. 🩷