16/04/2026
Este caso suscita, desde logo, a questão da distinção, fundamental, entre o ser humano e a máquina (inteligência artificial), designadamente no que respeita à ausência, nesta última, de humanismo e de capacidade de se colocar no lugar do outro.
A decisão adotada pela AIMA vem, precisamente, evidenciar a falta de humanismo nos critérios que estiveram na sua base, bem como no respetivo resultado final, como se vê. Ora, sendo o humanismo um elemento distintivo da atuação humana face à atuação mecanizada, torna-se difícil compreender que tal decisão tenha sido elaborada por um “funcionário”, na medida em que revela um juízo desprovido de sensibilidade humanista e assente exclusivamente em critérios técnicos, com consequências gravosas para os visados, no caso concreto, uma criança.
Se, na génese da decisão, não houve lugar a uma ponderação humanista, mas apenas à aplicação de critérios técnicos, ainda que eivados de erros - sendo certo que errar é humano -, a conclusão que se impõe é a de que uma decisão desta natureza, se fosse adotada por um sistema de inteligência artificial, dificilmente incorreria em falhas tão graves.
Assim, e a título de reflexão-sugestão, todas as decisões baseadas em avaliação humana devem ser cuidadosamente apreciadas à luz de um critério humanista. Na ausência desse elemento essencial, poderá questionar-se a própria necessidade de intervenção humana, admitindo-se, em tais circunstâncias, a substituição por sistemas de inteligência artificial, os quais tendem a assegurar maior consistência e a evitar erros grosseiramente lesivos dos direitos das pessoas.
E, infelizmente, enquanto advogado, assisto diariamente a posições/decisões que não têm em consideração o lado humano, e, se assim é, que sejam substituídas por IA…
Após a emissão da reportagem da SIC, a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) reconheceu que a recusa do pedido de renovação de residência a uma menina, brasileira de 9 anos, foi um erro de análise e esclareceu que a notificação de abandono voluntário, "erradamente emitida...