Ana Neves Torres - Advogada

Ana Neves Torres - Advogada Advogada desde 2017, decidi criar um projeto próprio em 2019 abrindo um escritório em Paços de Ferreira.

Defendendo uma advocacia preventiva, procuro solucionar todas as questões com que os clientes se deparam com dedicação, rigor e transparência.

02/09/2026

**Living Apart Together: é igual à união de facto?**

O conceito de Living Apart Together (LAT) é cada vez mais comum.

Duas pessoas mantêm uma relação afetiva estável, mas cada uma continua a viver na sua própria casa.

É uma forma de relacionamento que encontramos, sobretudo, em pessoas mais velhas, que já passaram por um casamento ou por outra relação duradoura e que valorizam a autonomia, o espaço individual e uma forma diferente de viver a relação.

Mas surge uma questão jurídica importante:

Será que uma relação de Living Apart Together corresponde a uma união de facto?

A resposta é não.

A união de facto pressupõe que duas pessoas vivam em condições análogas às dos cônjuges, o que implica a existência de habitação em comum.

Isto não significa, naturalmente, que os membros de uma união de facto tenham de estar juntos na mesma casa 365 dias por ano.

Podem existir períodos de ausência, designadamente por razões profissionais, ou outras circunstâncias devidamente justificadas, sem que isso determine, por si só, a inexistência de uma união de facto.

O que não pode acontecer é a ausência de habitação em comum ser a própria forma de organização da relação.

As relações estão a mudar.

E o Direito é chamado a responder a estas novas formas de viver, amar e organizar a vida em comum.

Face à crescente tendência do Living Apart Together será reconhecida pelo Direito?

Filhos não são pombos-correios nas mãos dos pais.É muito comum, nos casos de pais separados ou divorciados, que os filho...
29/08/2026

Filhos não são pombos-correios nas mãos dos pais.

É muito comum, nos casos de pais separados ou divorciados, que os filhos acabem por ser utilizados como intermediários na comunicação entre os adultos.

“Diz ao teu pai…”
“Pergunta à tua mãe…”
“Diz-lhe que…”
“Lembra o teu pai de…”

Não. Não é esse o papel dos filhos.

São os adultos que têm de comunicar entre si. São os adultos que têm de assumir as suas responsabilidades e encontrar formas de dialogar sobre aquilo que diz respeito aos filhos.

Uma criança não deve carregar mensagens, conflitos, ressentimentos ou responsabilidades que pertencem aos pais.

Porque, quando colocamos um filho no meio da comunicação entre os adultos, estamos a colocá-lo no meio do conflito.

E isso tem um impacto emocional que não pode ser ignorado.

Os pais têm de assumir o seu papel de pais.

E isso significa proteger os filhos também daquilo que é responsabilidade dos adultos.

As crianças têm direito a ser crianças.

Não têm de escolher lados.
Não têm de transportar recados.
Não têm de gerir a comunicação dos pais.
Não têm de resolver os problemas dos adultos.

Filhos não são pombos-correios.
São filhos.

27/08/2026

Fico sempre muito alarmada quando ouço a palavra “negociação” no âmbito de um processo de divórcio, de regulação das responsabilidades parentais e de partilha.

É uma palavra que surge muitas vezes à mesa. Mas aquilo que mais me inquieta é o significado que, por vezes, lhe é atribuído e as consequências que determinadas “propostas” podem assumir.

Não raras vezes, chegam-me propostas que, na verdade, são profundamente violadoras dos direitos e interesses das crianças.

“Tu ficas com os filhos e eu fico com o dinheiro.”

Como se os filhos pudessem ser uma moeda de troca numa negociação patrimonial.

Como se o exercício das responsabilidades parentais pudesse ser compensado por uma maior ou menor vantagem económica na partilha.

E há algo que me choca ainda mais:

“Se não aceitares esta proposta, retiro-te os teus filhos.”

É pressão. É ameaça. E, sobretudo, é colocar as crianças no centro de um conflito que não lhes pertence.

Num processo de divórcio, negociar deve significar procurar soluções equilibradas, responsáveis e que respeitem os direitos de todos os envolvidos — apenas nas questões patrimoniais.

As responsabilidades parentais não se negoceiam, discutem-se. Uma discussão positiva sobre os diferentes pontos de vista sobre o interesse da criança.

Porque os filhos não são património.

Não são uma contrapartida.

É por isso que, quando ouvimos a palavra “negociação” num processo de família, devemos olhar para ela com cautela, atenção e, sobretudo, com espírito crítico.

Porque existem limites que não podem ser ultrapassados.

25/08/2026

Um casal vive em união de facto. Um deles tem filhos de um anterior casamento. Quando ele morre, o outro membro da união de facto pode viver na casa? Ou podem os filhos obrigar a sair?

21/08/2026

O planeamento sucessório serve para garantir que, no momento da nossa morte, a nossa vontade seja efetivamente respeitada e concretizada.

Trata-se de pensar antecipadamente aquilo que faz sentido para nós, para a nossa família e para o nosso património, e estruturar a sucessão de acordo com essa vontade, dentro dos limites legais.

Por isso, cada vez mais, devemos olhar para o planeamento sucessório de forma consciente: procurar informação, conhecer as possibilidades que a lei nos oferece e tomar decisões enquanto estamos em condições de as tomar.

20/08/2026

Quais são os maiores desafios dos pais nos dias de hoje?

14/08/2026

Em caso de ruptura da união de facto também é necessário realizar a regulação do exercício das responsabilidades parentais!!

Qualquer acordo verbal não tem efeitos jurídicos, não protegendo os filhos.

Os avós são tão doces quanto a quantidade de açúcar que dão aos netos.Os avós são as personagens mais incríveis nas  bri...
26/07/2026

Os avós são tão doces quanto a quantidade de açúcar que dão aos netos.
Os avós são as personagens mais incríveis nas brincadeiras infinitas que adiam sempre as horas das refeições.
Os avós são colo nas birras e são advogados dos netos. E não são uns advogados quaisquer. São os melhores advogados do mercado. Os netos têm sempre razão e ganham todas as causas.

O convívio entre avós e netos está consagrado na nossa lei, reforçando a importância para a criança das relações com a família “alargada”, nomeadamente, para o desenvolvimento da sua personalidade.
Assim, os pais não podem privar os filhos do convívio com os avós sem justificação.
Na falta de acordo entre pais e avós quanto aos convívios, poderá ser fixado um regime de convívios entre avós e netos pelo Tribunal, sendo o critério decisivo para a sua determinação o MELHOR INTERESSE DA CRIANÇA - a proteção da relação afetiva positiva entre netos e avós.

Todos temos memórias com os nossos avós que recordamos com amor. Que as nossas crianças criem essas memórias sem interferência do “complicado mundo dos adultos”.
🤍

Chegam os meses de verão e chega também a “não iluminada” ideia de muitos pais e mães de que devem pagar apenas metade d...
25/07/2026

Chegam os meses de verão e chega também a “não iluminada” ideia de muitos pais e mães de que devem pagar apenas metade do valor acordado ou determinado pelo tribunal a título de alimentos aos filhos, porque passam metade do mês com eles.

Parece-me importante refletir do porquê desta “não iluminada” ideia.
Será que é uma questão de falta dinheiro?
Será que é uma forma de castigar o outro pai ou mãe?
Será que é por considerar que o dinheiro não é para o filho mas para o outro pai ou mãe?

Por muito que reflita sobre o assunto não vejo qualquer fundamento válido.

Como se 150€ ou 200€/mês, que são os valores mais comuns de alimentos a filhos em Portugal, seja um valor que vai enriquecer o outro pai ou mãe.
Os filhos não devem servir para educar os pais e mães, mas, se pais e mães que não residem habitualmente com os filhos, residissem com eles alguns meses percebiam que é impossível, à luz da educação e necessidades dos filhos aos dias de hoje, sustentar um filho com 150€ de cada um dos pais, num total de 300€/mês.

Cabe-nos também a nós profissionais ajudarmos os pais e mães a refletir no seu verdadeiro papel na educação e a sua responsabilidade para com os filhos.

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