23/10/2018
COMO NASCEU FRANÇA – 1ª. DINASTIA
Exatamente, a França é merecedora de um espaço, muito especial, nesta página social mercê do acolhimento do maior fluxo emigratório português, jamais sonhado. Não haverá agregado familiar pátrio que não tenha parentes ou afins espalhados por aquelas terras.
Pelos laços que unem os dois povos, quer no campo político/económico, quer nas relações afetivas ou como pilar da construção europeia e baluarte do engenho dos Estados modernos, ditos democráticos, cujo exemplo, depressa se propagou pelo mundo civilizado, é relevante dar a conhecer as origens do país da liberdade, da fraternidade e da igualdade.
A França nasceu duma das tribos bárbaras(1) que, no Sec. V da era cristã, aproveitando a decadência e a fragilidade do império romano do ocidente, se impôs perante as suas congéneres e mesmo contra o regime imperial romano.
A tribo franca, da qual não abunda muita informação, daria os seus primeiros passos no Sec. II, da era cristã, a tentar infiltrar-se no espaço do império romano. Os francos cresceram demograficamente e acabaram por ocupar uma pequena região denominada - SALLAND, ao longo do rio ISSEL, no atual território Belga. Era um povo que vivia da agricultura e do mar como pescadores ou no eixo da pirataria no Mar do Norte e em terra. Sobre estas ações, não foi por acaso, que o império romano dominante, temendo as incursões dos francos “SÁLLIOS”, celebrou, com estes, acordos de não agressão às embarcações e expedições de mercadorias; em troca, Roma havia de aferir o reconhecimento da comunidade e a sua integração no Império. Deu os seus frutos, até porque, figuras de destaque SÁLLIAS, ocuparam postos de topo no comando do exército imperial romano, como: “Merobaudo” que se tornou general do imperador “Valentiniano”.
Como podemos imaginar a comunidade franca no Sec. V, seria uma das tribos mais fortes e mais bem organizadas da época que lhe valeu a supremacia sobre as outras(2). Foi este povo que dominou GÁLIA e muito mais, inclusive, a unificação de duas grandes potências da Europa moderna, Alemanha e França, durante quase cem anos, se mantiveram unidas. Uma das causas da desunião aconteceu, devido à diferença do idioma: Os francos do ocidente latinizaram-se, ocupando a Gália romanizada, aprenderam a falar o latim que já lhes era familiar pelo subjugo do império romano, enquanto que os francos da região norte conservaram a língua baixo/Germana. Se a união das duas potências se mantivesse, possivelmente hoje, teríamos uma Europa muito diferente.
A fundação do reino dos francos iniciou-se em 481, da era Cristã, com Clóvis.
É escassa a bibliografia sobre os antecedentes de Clóvis, sabe-se, porém, que seria neto de MEROVEU, figura lendária que deu o nome à dinastia monárquica Merovíngia, a primeira de França. S. Gregório de Tours, historiador e bispo de Tours, nasceu em 538 na Gália, tendo vivido 56 anos, faz referência a Clóvis como sendo o primeiro rei que começou a conquistar Gália. Clóvis, para além de estratega no campo militar, era um homem inteligente e hábil na administração pública. Aproveitando a decadência do império romano, compreendeu, de muito cedo, que seria impossível progredir na tomada de controlo sobre as regiões territoriais de GALIA, sem a aceitação das populações nativas. Desta forma, envidou esforços para ter um bom relacionamento político e religioso com uma das poucas instituições remanescentes do império romano: – A Igreja Católica. Converteu-se ao cristianismo em 496, assim como os seus súbditos e celebrou uma aliança de interajuda com Ela, que foi decisiva para afirmar a sua autoridade perante os outros guerreiros francos, “na medida em que fortaleceu a autoridade do rei e contribuiu para a fusão entre conquistadores e conquistados”.
Não vou descrever o comportamento dos 37 soberanos da monarquia merovíngia, até porque não há muito a dizer. Porém, todos os monarcas honraram o compromisso assumido com a Igreja por Clóvis. Lançaram mão do cristianismo como sendo a força unificante, capaz de cimentar as suas conquistas. Do sucesso valeu a imposição oficial da religião cristã nos domínios merovíngios e o início do desenvolvimento do processo da formação do feudalismo, “intensificando-se a ruralização e o poder dos grandes proprietários de terras…distribuídas entre o clero e a nobreza, como recompensa por serviços prestados” ao reino. A primeira dinastia finalizou com franca supremacia numa vasta área que cobria a França, uma parte da Alemanha, Suíça e Países Baixos, como consta no espaço geográfico atual. A classe reinante merovíngia acreditava, compulsivamente, numa ampla variedade de deuses e deusas, heróis e outras criaturas mitológicas, entre outros pormenores das vidas e aventuras, usava o cabelo longo porque se afirmava ser descendente de Sansão. Os soberanos gozavam de ambivalência: - a política e a religiosa. A cultura merovíngia testemunhou uma extensa proliferação de santos e santas que, jamais em tempo algum, aconteceu na Igreja Católica, isto, em 270 anos (de 481 a 751) de monarquia merovíngia, prova evidente das boas relações politico/militares com o Papado.
Na época não existia senso republicano. Desde as suas origens, os francos dividiam as suas propriedades pelos filhos herdeiros sobreviventes, os reis consideravam o território conquistado, como sendo uma grande propriedade privada. Depois da morte de Clóvis que governou durante 29 anos (482 a 511), o reino foi dividido pelos seus quatro filhos, daqui resultou o enfraquecimento político e o desmoronamento progressivo dos reis merovíngios, em virtude das lutas internas.
O rei, Dagoberto que governou de 623 a 639, foi o último monarca merovíngio a exercer algum poder real, os antecessores tiveram a autoridade real enfraquecida, tendo assumido um papel secundário na vida pública. O poder passou a ser desempenhado pelo mordomo do palácio, na prática, esta figura pública desempenhava as funções que, hoje, se poderia atribuir a um Primeiro Ministro. A posição de mordomo do palácio tornou-se hereditária, até que um tal, Carlos Martelo que não usou outro título senão o de mordomo, defrontou e deteve severamente os Muçulmanos(3) que haviam penetrado até Tours , as hostilidades deram-se entre o espaço que vai desta cidade à cidade de Poiters em 732, Carlos ganhou a batalha, a admiração e a simpatia do povo e da realeza da Corte e ficou conhecido como o salvador da cristandade, a contrastar com a ideologia doutrinária do Islão, fundada por Maomé e oficializada em 622, a impor-se pela força das armas e a crescer com intensidade, em franca concorrência com aquela.
Na sequência dos anteriores mordomos, Carlos Martelo dividiu o seu poder entre os seus dois filhos, Carlomano e Pepino, mas o primeiro renunciou, tendo entrado para um convento, o seu irmão Pepino ficou sendo o único governante. Foi este Pepino que extinguiu a Dinastia Merovíngia, quando perguntou “ao Papa quem era o verdadeiro rei dos Francos, o homem que detinha o poder ou o que usava a coroa”; o Papa que precisava de apoio militar, para suster a progressão das tribos bárbaras, decidiu a favor do mordomo do palácio. E assim foi Pepino nomeado rei numa reunião de nobres francos em SOISSON, tendo sido “ungido e coroado”, iniciando, aqui, a segunda dinastia franca, a CAROLINGIA por respeito a Carlos Magno filho e sucessor do Rei Pepino e neto de Carlos Martelo. Na história, foi a primeira investidura, feita a um soberano, por um Pontífice. Isto passou-se no ano 751.
O AUTOR: Joaquim Alves ( Jurista Extrajudicial )
Fontes consultadas: História Universal de H.G. Wells; Bibliografia diversa; Textos publicados nas redes sociais não contestados.
(1) – A palavra “bárbaro” deriva do grego clássico que significa: não grego. Os romanos e os gregos usavam-na para se referirem às tribos invasoras.
(2) – Diversas tribos proliferam por todo o domínio Europeu, aproveitando a queda do Império Romano do Ocidente , as principais tribos, são: Alanos, Anglos, Alamanos, Cartagineses, Celtas, Frísios, Visigodos, Hunus, Lombardos, Lusitanos, Saxões, Suevos, Vândalos, Vikings.
(3) - Muçulmano ou Islâmico é o mesmo significado. O Islão é a religião fundada por Maomet, nasceu em Meca pelo ano de 570 d.C,, tendo falecido em 632. O começo da era muçulmana verificou-se em 622, ano que lembra a sua fuga para Medina, por razões adversas à sua doutrina.. Regressa a Meca, mais tarde, tomando-a pela força. Islão e Cristianismo são duas religiões antagónicas, as duas creem no mesmo Deus criador do céu e da terra. A divergência está nos profetas: - O Islão diz que o último profeta foi Maomé. A religião católica defende que o último profeta foi Jesus Cristo, mas existem outras divergências de índole dogmático.