Cláudia Cerqueira - Solicitadora

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Cláudia Cerqueira - Solicitadora Solicitadora, Conciliadora no Sistema Público de Apoio à Conciliação no Sobre-Endividamento (DGPJ)

Há momentos em que a resposta mais fácil a um cliente seria concordar, mas não seria a resposta mais séria.Nem sempre es...
19/10/2026

Há momentos em que a resposta mais fácil a um cliente seria concordar, mas não seria a resposta mais séria.

Nem sempre estas são conversas fáceis.
Quem procura um profissional vem, muitas vezes, cansado de uma situação, convicto da sua posição e à procura de uma solução e compreendo isso.

Mas há uma diferença entre validar aquilo que alguém sente e dizer-lhe que, juridicamente, tudo aquilo que pretende é possível ou aconselhável.

Para mim, o papel de um profissional não é confirmar aquilo que o cliente já decidiu.
É explicar-lhe aquilo que precisa de saber para poder decidir.
Mesmo quando essa resposta desilude ou mesmo quando obriga a repensar o caminho e mesmo quando aquilo que tenho para dizer não é aquilo que a pessoa esperava ouvir.

Prefiro um cliente que saia do meu escritório com uma resposta difícil, mas consciente da realidade, do que com uma resposta confortável que não o protege.
Às vezes, defender os interesses de um cliente começa precisamente por lhe dizer “não”.

Como cliente, o que preferes que um profissional te responda? A resposta mais fácil ou a mais séria?

Às vezes fazemos planos, tentamos antecipar tudo, confirmar horários, garantir que nada falha…E depois a vida trata de n...
16/10/2026

Às vezes fazemos planos, tentamos antecipar tudo, confirmar horários, garantir que nada falha…

E depois a vida trata de nos mostrar que nem tudo precisa de ser controlado.

Estes dias, o meu filho pediu-me para fazer uma surpresa a uma pessoa muito especial para ele.

Como não sabia se essa pessoa estaria disponível, fiz aquilo que qualquer adulto faria: tentei organizar.

Enviei uma mensagem a perguntar se seria possível.

Mas o dia aconteceu.

A azáfama instalou-se, a mensagem não foi vista e eu fiquei sem resposta. Só que o meu filho não sabia nada disso.

Foi até ao local onde essa pessoa trabalha e, sem qualquer plano perfeitamente confirmado, acabou mesmo por fazer a surpresa que tinha imaginado. E resultou.

No fim, fiquei a pensar que talvez ele me tenha lembrado uma coisa que os adultos tendem a esquecer: nem tudo precisa de estar perfeitamente alinhado para acontecer.

Podemos planear. Podemos tentar controlar. Podemos antecipar dificuldades.

Mas há encontros, momentos e coincidências que parecem simplesmente encontrar o caminho certo.

Naquele dia, o meu filho queria apenas fazer uma surpresa.

E acabou por me deixar uma pequena lição:
há coisas que, quando têm mesmo de acontecer, encontram forma de acontecer.

Talvez seja por isso que, de vez em quando, também precisamos de confiar um bocadinho mais na vida.

Às vezes, formamos uma ideia sobre uma situação com base no que ouvimos.Uma frase aqui.Um comentário ali.Uma versão cont...
15/10/2026

Às vezes, formamos uma ideia sobre uma situação com base no que ouvimos.

Uma frase aqui.
Um comentário ali.
Uma versão contada por alguém acolá.

E, sem percebermos, começamos a preencher os espaços em branco com conclusões nossas.

No trabalho, aprendi a desconfiar um bocadinho dessas certezas rápidas.

Porque, muitas vezes, basta perguntar diretamente, ouvir com atenção e confirmar os factos para perceber que a realidade é outra.

Outras vezes, é preciso mais tempo. Mais factos. Mais análise. Mais estudo.
Até conseguir perceber o que realmente aconteceu.

Talvez por isso valorize tanto esta regra simples:
antes de julgar uma atitude ou tirar uma conclusão, vale a pena perceber o que realmente aconteceu e se aconteceu, de facto, da forma como nos foi contado.

Nem tudo o que parece, é.
E nem tudo o que se diz aconteceu exatamente assim.

14/10/2026

Há uma parte da profissão que não cabe nos documentos.

A parte em que ouvimos mais do que estava previsto, ponderamos mais do que parecia necessário e percebemos que nem sempre a melhor resposta é a mais rápida ou a mais óbvia.

Com o tempo, tenho aprendido que exercer com rigor não exige frieza.

Exige presença, consciência e humanidade.

Porque há processos.
Mas há sempre pessoas primeiro.

Ao fim de vários anos de profissão, há uma coisa de que tenho cada vez mais certeza: as pessoas não deixam as emoções à ...
12/10/2026

Ao fim de vários anos de profissão, há uma coisa de que tenho cada vez mais certeza: as pessoas não deixam as emoções à porta quando entram num escritório jurídico.

Já recebi pais que só queriam saber o que fazer depois de perderem um filho e percebi que, naquele momento, aquilo de que mais precisavam era simplesmente de ser ouvidos.

Já me chegaram clientes para fazer uma procuração porque sabem que, dentro de algum tempo, poderão deixar de conseguir decidir por si próprios.

Já me chegaram casais aparentemente tranquilos e bem resolvidos que se sentaram à minha frente para tratar de um divórcio.

Já me chegaram filhos a perguntar se aquilo que os pais fizeram era legal quando, no fundo, aquilo que mais os magoava era não terem tido conhecimento.

Já me chegaram empresários profundamente frustrados com a cobrança de uma dívida e percebi que, muitas vezes, aquilo que mais os incomodava não era sequer o dinheiro: era a falta de honestidade, a quebra da palavra dada ou o silêncio de quem deixou de responder.

Já me chegaram pessoas muito seguras daquilo que queriam fazer e que se desfizeram em lágrimas à primeira pergunta que lhes fiz.

Já me chegaram pessoas que andavam há muito tempo à procura de uma solução para o problema que apresentavam e que só começaram a encontrá-la quando percebemos que o verdadeiro problema era outro.

Um solicitador não é um psicólogo e há fronteiras profissionais que devem ser respeitadas. Mas exercer uma profissão jurídica também exige saber ouvir.

Muitas vezes, só conseguimos perceber qual é a melhor solução jurídica depois de percebermos aquilo que realmente preocupa a pessoa que está à nossa frente.

A responsabilidade profissional também se mede pela capacidade de parar, rever e perguntar com honestidade: podia ter fe...
07/10/2026

A responsabilidade profissional também se mede pela capacidade de parar, rever e perguntar com honestidade: podia ter feito melhor?

Nem sempre a resposta será sim.
Mas quando for, é aí que começa a melhoria.

Quando estagiei num cartório, houve uma coisa que me chamou particularmente a atenção: a variedade.Num único dia, podíam...
05/10/2026

Quando estagiei num cartório, houve uma coisa que me chamou particularmente a atenção: a variedade.

Num único dia, podíamos tratar de vários assuntos completamente diferentes.
E, anos depois, continuo a encontrar isso na minha profissão.

Num dia “normal” posso fazer um registo automóvel, um reconhecimento de assinatura ou uma procuração.

A seguir, tratar de um registo predial, preparar uma declaração para efeitos de Direito de Preferência ou analisar documentação para um ato.

E, entretanto, chegar um processo mais complexo, que me obriga a parar, estudar legislação, analisar documentos, cruzar informação e pensar na melhor solução para aquele cliente.

Há assuntos que se resolvem em poucos minutos.
Outros acompanham-nos durante semanas ou meses.

Há dias muito administrativos. Outros profundamente jurídicos. E quase todos misturam um pouco dos dois.

Talvez tenha sido precisamente isso que me conquistou quando comecei: não há grande espaço para a monotonia.

Depois de vários anos de profissão, continuo a gostar dessa sensação de não saber exatamente o que cada dia vai trazer.
Por detrás de cada documento, registo ou processo, há sempre uma situação diferente para resolver.

Foi apenas uma chamada breve, no meio de uma consulta jurídica, mas lembrou-me de algo importante: nem tudo o que é urge...
02/10/2026

Foi apenas uma chamada breve, no meio de uma consulta jurídica, mas lembrou-me de algo importante: nem tudo o que é urgente é o que mais importa.

O trabalho importa e a responsabilidade também.
Mas a vida não pode ficar sempre para depois.

O importante cabe num gesto simples e num gelado à porta.

A confiança de um cliente nunca é apenas uma frase bonita.É uma responsabilidade.Quando alguém nos procura, muitas vezes...
30/09/2026

A confiança de um cliente nunca é apenas uma frase bonita.É uma responsabilidade.Quando alguém nos procura, muitas vezes traz dúvidas, receios e caminhos que parecem difíceis de escolher. O nosso papel não é prometer resultados, porque nenhum profissional sério o pode fazer.O nosso papel é analisar, estudar, ponderar riscos, explicar alternativas e orientar com transparência.E, para que esse trabalho seja verdadeiramente útil, é essencial que exista confiança: não uma confiança cega, mas uma confiança construída com clareza, prudência e compromisso.Ser solicitadora n´ ajudar alguém a escolher um caminho com mais segurança.

É uma responsabilidade.

Quando alguém nos procura, muitas vezes traz dúvidas, receios e caminhos que parecem difíceis de escolher. O nosso papel não é prometer resultados, porque nenhum profissional sério o pode fazer.

O nosso papel é analisar, estudar, ponderar riscos, explicar alternativas e orientar com transparência.

E, para que esse trabalho seja verdadeiramente útil, é essencial que exista confiança: não uma confiança cega, mas uma confiança construída com clareza, prudência e compromisso.

Ser solicitadora é ajudar alguém a escolher um caminho com mais segurança.

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