21/08/2026
Há muitos anos, numa atuação, escorreguei.
Por instantes, quase perdi a chinela.
A música continuou, a dança continuou, o grupo continuou.
Eu achei que toda a gente tinha percebido, mas ninguém percebeu. Só o meu par, o Mário.
No momento certo, quando íamos virar, colocou subtilmente a mão nas minhas costas e ajudou-me a recuperar o equilíbrio.
Não interrompeu a dança, não chamou a atenção, não me expôs. Apenas esteve atento.
E, no fim, aquilo que para mim tinha parecido tão evidente, afinal tinha passado despercebido a todos.
Esta história não é sobre folclore.
É sobre confiança, atenção, parceria. Sobre a importância de caminharmos com pessoas que percebem quando estamos quase a cair, mesmo antes de dizermos alguma coisa.
Talvez seja isso que o folclore também me ensinou: Que ninguém dança sozinho.
E que, muitas vezes, quem nos segura não precisa de fazer barulho.