30/06/2026
⚖️ Neste mês, completo 8 anos de travessia entre dois mundos jurídicos 🇧🇷🇵🇹
8 anos exercendo a minha profissão em Portugal.
Ao olhar para trás, não vejo apenas um período de tempo, mas uma verdadeira jornada de transformação.
Como advogada brasileira, cruzar o Atlântico para exercer o Direito em Portugal foi muito mais do que uma mudança geográfica, foi um desafio de desconstrução e reconstrução.
Cheguei aqui com uma bagagem jurídica sólida, mas logo percebi que a prática exigia algo novo… exigia a coragem de ser “aluna” novamente.
Não foi um caminho linear. Houve dias em que o peso das diferenças entre o ordenamento jurídico brasileiro e o português parecia intransponível. Tive de aprender, quase do zero, uma nova forma de interpretar a lei, novos procedimentos e uma cultura jurídica que, embora partilhe a mesma raiz, exige rigor e uma sensibilidade prática completamente distinta.
Confesso que, em momentos de maior cansaço ou dúvida, a ideia de desistir atravessou o meu pensamento. O processo de “cair e levantar” faz parte da construção de qualquer profissional, mas, para quem atravessa fronteiras, esse processo é intensificado pela necessidade de provar o seu valor e encontrar o seu lugar em um sistema que nos é estranho.
Hoje, ao celebrar estes oito anos, sinto que cresci de uma forma que jamais teria imaginado. A advogada que sou hoje é fruto dessa resiliência. Ainda que, com a humildade de quem sabe que o Direito é uma ciência viva e infinita, eu me sinta por vezes uma “recém-nascida” perante a vastidão do saber jurídico português, orgulho-me do caminho percorrido.
Agradeço à Ordem dos Advogados de Portugal por ser o porto seguro que acolhe aqueles que, como eu, escolheram este país para exercer o nobre compromisso de defender os direitos e liberdades dos cidadãos.
Sigo em frente, com a certeza de que a advocacia é um aprendizado diário e que cada desafio vencido nos torna profissionais e seres humanos mais capazes.