26/05/2026
Quando se sai do Brasil, há coisas que vão na mala.
E há coisas que vão sem caber.
Goiana de nascença. Mais de 10 anos em Capão da Canoa, no Rio Grande do Sul, antes de vir. Dez meses na Madeira em Maio de 2026. O meu sotaque mudou por vezes. Uma quando saí de Goiás. Outra quando peguei o gauchismo do sul. E se calhar vai mudar agora, lentamente, com o português daqui.
Mas há coisas em mim que nunca mudaram. O arroz tem de ficar soltinho, com alho cortado fininho. O chimarrão da tarde, mesmo aqui na Madeira, mesmo quando faz calor. Os três banhos do dia, não negocio.
Estas coisas não são saudosismo. São identidade.
E quando ajudo uma brasileira a procurar casa na Madeira, eu sei que estou a procurar dois espaços ao mesmo tempo:
→ Um para a vida nova, a europeia, a profissional, a casada com homem de outra língua.
→ Um para o Brasil, o sotaque que ainda sai quando estás cansada, o feijão na panela, a saudade que toma forma de cheiro.
A maioria das casas em catálogo só serve para o primeiro espaço. O meu trabalho é encontrar as que servem para os dois.
📍 Funchal · Calheta · Madeira
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