23/08/2026
Há frases que parecem pequenas…
mas carregam uma vida inteira de medo.
“Foi a última vez.”
“Ele prometeu que não ia bater de novo.”
“Ele é bom… só f**a violento quando bebe.”
Estas frases não são desculpas.
São pedidos de socorro.
São tentativas de sobreviver.
São a forma que muitas vítimas encontram para justif**ar o injustificável, para suportar o insuportável, para continuar a respirar dentro de uma casa que deixou de ser casa.
A violência doméstica não começa com um murro.
Começa com o silêncio.
Com o medo de falar.
Com a esperança de que “vai melhorar”.
Com a culpa que não pertence à vítima, mas que lhe é colocada nos ombros até ela acreditar que merece aquilo que sofre.
Como advogado, vejo o que estas frases escondem: a vergonha, o isolamento, a dependência, a ameaça velada, a promessa que nunca se cumpre.
E vejo também o que pode acontecer quando alguém decide pedir ajuda — a diferença entre continuar a sofrer e começar a recuperar a própria vida.
A violência doméstica é crime.
E ninguém tem de enfrentar isto sozinho.