09/03/2021
Umaro Sissoco Embaló: Um ano de insultos, ilegalidades e espancamentos
Umaro Sissoco Embaló completa este sábado (27.02), um ano, desde que se autoproclamou presidente da República da Guiné-Bissau, numa cerimónia de investidura “simbólica”, que teve lugar num hotel da Capital guineense, na ausência da maioria dos deputados e na presença dos dois de vários embaixadores acreditados no país (do Senegal e da Gâmbia).
Foram doze meses de insultos espancamentos e ameaças aos cidadãos, violação da Constituição da República e intimidação aos jornalistas.
Apesar de ser declarado vencedor da segunda volta das eleições presidenciais, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), com 53, 55% dos votos, derrotando o seu adversário, Domingos Simões Pereira, Embaló assumiu o poder antes da decisão de um contencioso eleitoral, pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que, entretanto, oito meses depois, viria a legitimar a presidência do agora Chefe de Estado guineense.
Depois disso, Umaro Sissoco Embaló proferiu várias declarações contra vários setores, na vigência do governo que o próprio instituiu, depois de afastar da governação, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Por ocasião do primeiro aniversário do início do seu exercício presidencial, Umaro Sissoco Embaló voltou à carga, atacando em várias direções. Jornalistas guineenses não escaparam mais uma vez, acusando-os de servir partidos políticos e de fazer claque nas rádios a favor de certas entidades políticas. Diz ainda que os jornalistas não têm ética e nem preparação para servir o setor e ameaça fechar rádios que não tiverem licença definitiva emitida pelo governo.
Na mesma linha, “disparou” contra os analistas políticos de diferentes rádios, afirmando que esses não têm preparação e nem sabem analisar a sua própria pessoa, mas analisam a situação do país.
Para os seus apoiantes, o Presidente da República Umaro Sissoco Embaló tornou mais “agressiva” a diplomacia guineense, ao trazer ao país, em menos de um ano, dez chefes de estados estrangeiros, em diferentes momentos, e de ter impulsionado a abertura de representações diplomáticas da Guiné-Bissau em alguns países e de ter acreditado vários embaixadores estrangeiros no país.
Mas, em 12 meses na Presidência da República, Umaro Sissoco abriu e sustentou várias “frentes de combate”, numa guerra aberta com os juízes do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), com a imprensa, os deputados, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), com o “seu” primeiro-ministro, Nuno Nabiam, e mais recente, com a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau, sobre a sede da organização, que já tem uma primeira decisão do Tribunal Regional de Bissau.
Aliados a esses episódios, estão os casos de rapto e espancamentos dos cidadãos. Em outubro do ano passado, dois ativistas políticos, Carlos Sambú e Quebá Sané (R. Kelly) foram espancados, alegadamente, no Palácio da República, pelos seguranças do Presidente da República, segundo denunciaram na altura, as vítimas.
Sissoco Embaló, que não cumpriu as “toneladas” de promessas que fez na campanha eleitoral, ainda se diz dono de uma influência na sub-região e ter “boas relações internacionais”, sendo capaz de mudar a Guiné-Bissau com o apoio dos seus amigos, possuidores de fundos.
Essas promessas são antigas e até agora, nada foi visto na prática, mas Umaro Sissoco Embaló teima em acreditar que consegue enganar aos guineenses.
//CNEWS