09/10/2026
OAM destaca a importância do diálogo entre o sector bancário e as organizações da sociedade civil
Diálogo para uma aplicação equilibrada da legislação
A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) considera relevante e oportuna a discussão sobre o quadro jurídico-bancário entre o sector financeiro e as Organizações da Sociedade Civil, sobretudo no contexto da implementação da legislação de prevenção e combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo.
Para a OAM, este diálogo constitui uma oportunidade para aprofundar a compreensão dos mecanismos de controlo e das exigências aplicáveis às organizações. Permite também avaliar em que medida estas entidades mantêm a documentação e os procedimentos devidamente regularizados, em particular no âmbito dos projectos que implementam.
A posição foi apresentada por Arlindo Guilamba, Vice-Presidente do Conselho Nacional da OAM, à margem do workshop entre o sector bancário e as organizações da sociedade civil sobre a implementação da legislação de Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo. O encontro foi organizado pelo Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC).
Segundo o Vice-Presidente do Conselho Nacional, as Organizações da Sociedade Civil devem estar preparadas para cumprir as exigências legais e regulamentares aplicáveis. Entre as prioridades, destacou:
• assegurar transparência na gestão dos recursos financeiros;
• garantir a rastreabilidade das operações;
• manter uma adequada prestação de contas.
Em paralelo, defendeu que as medidas de prevenção e combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo devem ser aplicadas de forma proporcional e compatível com a natureza e as especificidades das actividades desenvolvidas por estas organizações.
Desafios enfrentados pelas organizações da sociedade civil
Silvestre Baessa, representante do CESC, reconheceu o esforço assinalável de Moçambique no reforço do quadro legal e institucional de prevenção e combate ao Branqueamento de Capitais e ao Financiamento do Terrorismo, em conformidade com os padrões internacionais do GAFI. Sublinhou ainda que a sociedade civil apoia esta agenda e reconhece a sua importância para a integridade do sistema financeiro nacional.
Apesar desses avanços, referiu que a aplicação das medidas de conformidade tem criado desafios operacionais significativos. No dia-a-dia, muitas organizações sem fins lucrativos enfrentam:
• bloqueios ou atrasos prolongados nos processos de transferência de fundos de doadores;
• exigências documentais repetitivas e, por vezes, desproporcionais;
• dificuldades no acesso e na manutenção de contas bancárias essenciais à sua continuidade e à execução de projectos sociais nas comunidades.
“O objectivo deste encontro não é necessariamente o confronto, até porque não há espaço para isso, mas sim a parceria e o alinhamento técnico. Queremos transitar de uma abordagem defensiva para uma abordagem baseada no risco, que seja proporcional, focalizada e eficaz, e temos hoje a oportunidade de o fazer, não só hoje, mas durante todo este processo”, afirmou Silvestre Baessa.
Governo defende parceria e inclusão financeira
Na abertura do workshop, Albertina Fruquia, Secretária Permanente do Ministério da Economia e Finanças, sublinhou que a relação entre o Governo e a sociedade civil deve assentar na parceria, no diálogo e na responsabilidade partilhada.
De acordo com a Secretária Permanente, cabe ao Governo formular políticas públicas, estabelecer regras, assegurar a sua implementação e criar condições para o desenvolvimento económico e social. Este trabalho deve consolidar os avanços alcançados e definir directrizes que ampliem o acesso e a utilização de produtos e serviços financeiros inclusivos, acessíveis, sustentáveis e seguros.
Albertina Fruquia destacou igualmente o potencial da integração digital para aproximar do sistema financeiro os clientes localizados na última milha. À medida que empresas, agricultores, comerciantes e prestadores de serviços adoptam pagamentos digitais, facturação electrónica, registos fiscais, contas bancárias, carteiras móveis e plataformas de comércio electrónico, são gerados dados que permitem avaliar melhor:
• o desempenho económico;
• o histórico e os padrões de pagamento;
• o perfil de risco.
Neste processo, a sociedade civil desempenha um papel fundamental ao promover o acesso aos serviços financeiros, acompanhar os consumidores e reforçar a literacia financeira.
“Por isso, este encontro não deve ser visto apenas como um espaço de apresentação de informações. Deve ser um espaço de diálogo aberto, de escuta e de construção conjunta de soluções”, concluiu Albertina Fruquia.
Participação no encontro
Além da Ordem dos Advogados de Moçambique, o encontro reuniu membros do Governo, representantes da sociedade civil, gestores bancários, académicos, jornalistas, juristas e outras individualidades.