28/04/2015
Oskar Gröning, 93 anos, está sendo julgado pelo Tribunal de Lüneburg como cúmplice da morte de 300 mil pessoas no campo de concentração de Auschwitz. Aos 20 anos de idade, Gröning voluntariou-se para trabalhar na SS. Em Auschwitz, era responsável pela remoção da bagagem dos prisioneiros, depois que eles eram „selecionados" ou para a câmara de gás ou para trabalhos forçados. Ele também era responsável pela contabilidade do dinheiro e pertences encontrados com os prisioneiros.
Das 6.500 pessoas que trabalharam em Ausschwitz, ap***s 49 foram julgadas (considerados os julgamentos das duas Alemanhas). Nos últimos anos, o Ministério Público vem envidando esforços para julgar cooperadores remanescentes de Auschwitz, inclusive reabrindo casos antigos que não foram adiante por falta de vontade política. O Ministro da Justiça da Alemanha reconhece que houve dificuldades históricas para processar todos os envolvidos: falta de vontade política, o fato de os juízes dos Tribunais Superiores até a década de 60 serem os mesmos dos tempos do nazismo, o silêncio que imperava na sociedade alemã.
Perante o Tribunal, Gröning declarou ser „moralmente cúmplice" do assassinato de milhares de pessoas. Antes, afirmou: „Eu vejo como minha obrigação, agora na minha idade, encarar essas coisas que eu vivenciei e me opor àqueles que negam o Holocausto, que alegam que Auschwitz nunca ocorreu… Eu quero dizer para essas pessoas que eu vi as câmaras de gás, eu vi o crematório, eu vi as covas ardentes - e eu quero que vocês acreditem em mim, que essas atrocidades aconteceram. Eu estava lá“.
Um fato de grande repercussão (e criticado por muitos) ocorreu ontem, durante o julgamento: Eva Mozes Kor, 81 anos, sobrevivente de Auschwitz (e que, com sua irmã gêmea, foi vítima de experimentos de Josef Mengele) cumprimentou Oskar Gröning e publicou em seu twitter „dois velhos estendendo a mão". Ela declarou ser contra a condenação de Gröning e disse que a sociedade não ganhará nada com isso. Ela acredita ser mais importante que ele esclareça tudo o que ocorreu em Auschwitz para que as novas gerações e, especialmente, os movimentos neonazistas que persistem, entendam o que ocorreu.
Na imagem: Eva Kor e Oskar Gröning