24/09/2026
Sempre que converso com colegas sobre atendimento ao cliente, gosto de lembrar de uma situação muito simples. Imagine alguém que trabalhou durante décadas, construiu toda a sua vida profissional acreditando que, ao chegar o momento da aposentadoria, bastaria fazer um pedido ao INSS.
Quando finalmente decide buscar orientação jurídica, essa pessoa não chega carregando apenas documentos. Ela chega carregando dúvidas, expectativas e, muitas vezes, medo de tomar uma decisão errada.
É nesse momento que compreendo que o meu trabalho vai muito além de interpretar a legislação.
Conhecer a lei é indispensável, mas isso representa apenas uma parte da atuação. O verdadeiro desafio está em traduzir um sistema complexo para que o cliente consiga compreender seus próprios direitos, enxergar os riscos envolvidos em cada escolha e participar das decisões de forma consciente.
Ao longo dos anos, percebi que a confiança não nasce quando demonstramos o quanto sabemos. Ela nasce quando conseguimos explicar questões técnicas com clareza, sem simplif**ações irresponsáveis e sem transformar o Direito em algo inacessível.
É por isso que nunca encarei uma consulta como uma exposição de conhecimento. Prefiro enxergá-la como uma oportunidade de oferecer segurança.
Quando um cliente sai do escritório entendendo por que determinada estratégia foi escolhida, mesmo que ela não seja a resposta que ele esperava ouvir, existe um ganho muito maior do que a simples prestação de um serviço jurídico. Existe confiança.
E acredito que essa continua sendo um dos patrimônios mais importantes que um advogado pode construir ao longo da carreira.