28/07/2026
O vídeo em que José Leonardo, de apenas 1 ano, é incentivado a responder uma frase com conotação sexual gerou milhares de comentários. Mais do que discutir um caso específico, esse episódio revela uma realidade que atravessa gerações.
Os meninos costumam ser apresentados à masculinidade muito antes de compreenderem o que ela signif**a.
Desde pequenos, ouvem que serão "pegadores", que "vão dar trabalho para as meninas", que "já gostam de mulher". Recebem elogios quando demonstram comportamentos associados à virilidade e, muitas vezes, aprendem que demonstrar afeto, sensibilidade ou vulnerabilidade é incompatível com "ser homem".
Essas mensagens parecem inofensivas porque foram naturalizadas. Mas elas comunicam à criança que existe uma forma correta de ser menino, antes mesmo que ela tenha a oportunidade de descobrir quem é.
A infância não deve ser um período de preparação para desempenhar papéis de gênero impostos pela sociedade. Deve ser um tempo de brincar, aprender, experimentar, criar vínculos, desenvolver a empatia e construir sua identidade com liberdade.
Quando antecipamos expectativas sobre a masculinidade de um menino, também antecipamos cobranças, estereótipos e responsabilidades que não pertencem à infância.
O Estatuto da Criança e do Adolescente reconhece a criança como sujeito de direitos e assegura seu desenvolvimento em condições de liberdade, dignidade e respeito. Isso também signif**a respeitar o tempo de cada fase da vida, sem projetar sobre ela comportamentos e expectativas do mundo adulto.
Talvez seja hora de mudarmos a pergunta.
Em vez de ensinar um menino a provar sua masculinidade desde o berço, deveríamos nos preocupar em garantir que ele possa viver plenamente a infância.