09/11/2021
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O Dia Mundial da Adoção, celebrado nesta terça-feira, 9 de novembro, chama a atenção para a realidade de milhares de crianças e adolescentes à espera de uma família no Brasil. O cenário se agravou desde o ano passado, com a pandemia da Covid-19.
“No Brasil, a ferramenta do Imperial College aponta que 168,5 mil crianças e adolescentes perderam pai ou mãe na pandemia até o último dia 12 de outubro. O número sobe para 194,2 mil se forem considerados os avós que tinham a guarda da criança”, aponta Silvana do Monte Moreira, presidente da Comissão de Adoção do IBDFAM.
Outro dado citado pela especialista, da ARPEN-Brasil, aponta que 12,2 mil crianças de até seis anos de idade ficaram órfãs desde março de 2020 até 24 de setembro deste ano.
“É preciso que se faça a seguinte pergunta: onde estão essas crianças? Em 25 de outubro, existiam 29.407 crianças e adolescentes acolhidos, ou seja, sem grande variação para o período anterior à pandemia”, ressalta Silvana do Monte Moreira.
Os profissionais do Direito devem estar atentos aos prazos, segundo a advogada. “Prazos que continuam lamentavelmente sem serem cumpridos. Em razão dessa extrema morosidade do Judiciário, as crianças são colocadas sem a sentença de destituição do poder familiar dos genitores, o que causa problemas que chegam a gerar comoção nacional como os casos Duda e Vivi”, exemplifica.
“Nada disso aconteceria se tivéssemos varas com competência exclusiva em infância e juventude devidamente equipadas com equipes interdisciplinares próprias, por concurso público, sendo uma para cada 200 mil habitantes na forma do Provimento 36, alterado pela Resolução 116 do CNJ.”
O descaso se mantém diante da vulnerabilidade dessas crianças e adolescentes. “Para que dar prioridade a esses sujeitos coisificados que não votam, não são economicamente ativos e são invisíveis?”, provoca a diretora nacional do IBDFAM.