10/06/2021
“É impressionante observar como, por trás dos arredores de dor e das aflições extremas se agolpa às vezes uma sensação de que “é o que corresponde”, e até mesmo um alívio perturbador que nos faz sentir mais inocentes e mais pertencentes aos nossos entes queridos… É assim que se manifestam as lealdades curiosas no mínimo.
Quando a perda ou o infortúnio ou a contrariedade nos visitam, devemos trabalhar para transformá-los em nutrientes para a nossa vida, mas, acima de tudo, devemos nos questionar se alguma parte mais ou menos inconsciente no nosso interior os deseja, examinar se não estávamos almejando de certo sentido, se não houver em nosso interior alguma subpersonalidade tirânica ou arrogante que visa reestabelecer delicados equilíbrios e afetos familiares e que, para esse fim, nos obriga a sentar no banco dos réus e nos impor mágoas.
Resumindo: que nossas lealdades se expressem no mais e não no menos, na alegria e não nas lágrimas, na expansão e não na contração. Que consigamos militar no impulso de vida e não no de não vida, que Eros triunfe sobre Tânatos apesar dos pesares.”
……………. Joan Garriga
Do livro: “A chave da vida boa”
Quem ouve o eu superior, aprende a viver e quem ouve o ego, apenas sobrevive.