10/10/2025
Mais do que uma Magistrada exemplar da nossa Comarca, Dra. Laura foi uma mulher admirável, sensível, firme, humana. Sua atuação era marcada por respeito, equilíbrio e uma generosidade rara.
Tive a honra de iniciar minha trajetória profissional sob sua orientação. Logo no primeiro dia, diante de uma imensa pilha azul de processos, ela me disse: “Isso aqui não é papel, são pessoas.” Na sala de audiências, entre a seriedade dos depoimentos, havia também espaço para a leveza. Eu fazia anotações, ela ria comigo.
Sempre atenta ao impacto humano das causas, especialmente quando envolviam menores, lembrava-me da importância de proteger o futuro do meu filho. Era sua forma de ensinar que o Direito não se limita às normas, mas se projeta na vida real.
Recordo ainda de sua insistência bem-humorada de que eu não seguiria a área criminal. Dizia que, inevitavelmente, eu acabaria no cível, como ela. E, de fato, pouco tempo depois, confirmei suas palavras. Ao contar-lhe, vi em seu sorriso a satisfação de quem não apenas orienta, mas também conhece a vocação de seus pupilos.
A Dra. Laura não foi apenas uma juíza. Foi mentora, referência de humanidade e ética, alguém que transformou meu estágio em uma verdadeira escola de vida. Hoje, o Direito perde uma grande Magistrada, e nós, uma presença que fez diferença. Que possamos honrar sua memória com carinho, respeito e gratidão.