Taquara em Foco

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Taquara em Foco "Taquara em Foco": Um blog de opinião sobre política local, cultura e direito.

Site de opinião que nasce de uma ampliação do temática do site "JuridiQuê?" que tinha uma abordagem mais simples das questões jurídicas cotidianas. Nosso principal objetivo continua sendo tentar esclarecer questões jurídicas, incluído questões políticas, sempre que houver necessidade dentro do debate nacional e, especialmente, regional (Vale do Paranhana e RS). As ideias aqui lançadas não têm o objetivo de ser a "última palavra", mas uma delas. O foco é auxiliar a comunidade a entender as decisões judiciais e fatos jurídicos / políticos e suas consequências, tendo um olhar voltado ao Estado Democrático e de Direito.

​Cada integrante se responsabiliza pelos conteúdos de seus textos.

09/10/2026

O plano de tesouraça do Flávio bolsonaro na verdade corta na carne do povo trabalhador. Ele é contra o fim da escassez por um e quer a exaustão do povo.
Gente, não é uma escolha difícil.

07/10/2026

95% das estatais à venda e PEC 32 na manga. Não é coincidência — é o mesmo projeto. Primeiro vendem o patrimônio do povo: Petrobras, Correios, Banco do Brasil, energia. Depois desmontam o serviço público: fim da estabilidade pra novos concursados, demissão por "baixo desempenho", terceirização de tudo. Pra quê? Pra sobrar servidor precarizado e empresa privada cobrando caro pelo que era direito. Quem ganha?

06/10/2026

Nem tudo é terra arrasada. Enquanto a avalanche da extrema direita tomava conta da manchete, um punhado de candidatos da esquerda jovem e comunista elegeu Jones Manoel, Erika Hilton, Ana Elisa, Sâmia, Rick Azevedo, Renato Freitas — gente que construiu base nas redes antes da campanha e provou que o caminho existe. Não é milagre, não é carisma de palanque: é método. E esse método a gente pode aprender, copiar e fazer funcionar aqui também.
Nossa tarefa nas próximas semanas é buscar cada voto para mudar esse cenário — porque eleger Lula não é só vencer um turno, é garantir um ambiente um pouco menos hostil para esses novos nomes e para quem ainda quer se colocar disponível daqui pra frente.

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O quadro não é animador para quem acredita em Lula. Em Taquara, Flávio Bolsonaro (PL) levou 65,57% dos votos válidos, 20...
05/10/2026

O quadro não é animador para quem acredita em Lula. Em Taquara, Flávio Bolsonaro (PL) levou 65,57% dos votos válidos, 20.632 votos, contra 27,37% de Lula (PT), 8.613. E não é só aqui: no Vale do Paranhana inteiro, Flávio Bolsonaro somou 64,87% dos votos válidos contra 27,43% de Lula. Em Parobé, Igrejinha, Três Coroas, Rolante e Riozinho, o padrão se repete com folga, e em Riozinho o salto é o mais dramático: de um empate técnico em 2022 para 59,73% contra 30,39% em 2026.

A direita tradicional encolheu de 7,11% para 3,98% em Taquara, dividida entre Cury e Caiado. A direita não perdeu: ela radicalizou. O que foi derrotado foi tudo o que não é bolsonarismo, esquerda, centro e direita moderada, tragados pelo mesmo voto. Nomear isso com precisão importa, porque nomear mal é a primeira forma de não aprender.

Os avisos estavam na mesa e não chegaram.
Escrevi aqui, na análise do posicionamento dos vereadores, sobre o risco de o bolsonarismo se normalizar no Vale do Paranhana.

A pergunta que a esquerda precisa se fazer com honestidade brutal não é "por que as pessoas votaram errado", mas "por que as informações que pesam contra Flávio não sensibilizaram o povo". O problema não foi só a desinformação vinda de fora: foi a dificuldade de traduzir evidência em linguagem que atravessasse as bolhas. Análise que circula só entre quem já concorda não é análise. É conversa entre convertidos.

Mas há um dado que guarda a única esperança concreta que o segundo turno oferece. Em Taquara, 8.848 eleitores, 21,29% do eleitorado, f**aram em casa: mais do que todos os votos de Lula no município. No Vale do Paranhana, são 25.302 abstencionistas, quase um em cada seis eleitores, o equivalente a 80% dos votos de Lula na região.

A abstenção não explodiu, ficou estável, mas o estoque é enorme: são 25 mil pessoas que não viram em nenhum candidato uma razão para sair de casa. Elas não são cativas de ninguém. O segundo turno é um jogo diferente: não se trata de mobilizar a base, mas de convencer quem ainda não decidiu sair de casa. Quem não foi conquistado ainda pode ser convencido.

Por Diogo Corrêa

Leia o texto completo no Substack:
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01/10/2026

A eleição que define o futuro do Brasil está chegando — e a Câmara de Taquara preferiu o silêncio.

Perguntamos formalmente aos 15 vereadores em exercício: vocês consideram importante que lideranças públicas se manifestem sobre a eleição presidencial? Qual é o posicionamento de vocês sobre o que está acontecendo — e sobre o que pode acontecer?

O prazo venceu. Uma respondeu.

Os outros 14? Silêncio.

E não é um silêncio qualquer. É um silêncio calculado — porque falar de deputado rende voto no bairro, mas falar de presidente rende responsabilidade sobre o tema mais documentado desta eleição. Nas últimas eleições, Bolsonaro levou dois terços dos votos válidos de Taquara contra Lula. O cálculo pode ter sido feito. Só que criticar Flávio não exigia defender Lula — bastava dizer que um candidato com o histórico registrado pelo Estadão, pelo Le Monde e pelo próprio candidato não merece o voto. Nenhum dos quatorze disse.

Enquanto isso, o país inteiro falava: senadores americanos alertaram o próprio governo Trump contra a interferência na eleição brasileira. O relatório da ABIN classificou o risco como "crítico". Chico Buarque, Raí, Piketty e um Nobel americano assinaram manifesto no Le Monde. A Academia Brasileira de Ciências e a SBPC se manifestaram. O Instituto Vladimir Herzog levou o alerta à ONU.

Silêncio também é posição. E no domingo, o eleitor de Taquara sabe ler. 🗳️

📖 O texto completo — com a resposta da vereadora na íntegra, o monitoramento de todos os 15 vereadores e a análise — está no nosso Substack. Link na bio.

A Casa Vidal completa hoje um ano de revitalização, com programação gratuita ao longo do dia: contações de histórias, so...
30/09/2026

A Casa Vidal completa hoje um ano de revitalização, com programação gratuita ao longo do dia: contações de histórias, solenidade no fim da tarde e show do taquarense Denner Machado. O prédio mais antigo de Taquara, erguido em 1882, voltou a ser o que sempre deveria ter sido. E dentro dele, um dos equipamentos que mais cresceu: a Biblioteca Pública Municipal Professor Rodolfo Dietschi.

Até meados de 2025, a biblioteca funcionava numa casa próxima ao prédio da prefeitura, fora do fluxo da cidade. Tinha acervo, equipe e atendimento, mas era subutilizada: cerca de 170 atendimentos por mês entre janeiro e julho de 2025. Quem não sabia que ela existia, simplesmente não a encontrava.

A mudança veio em 30 de setembro de 2025, quando a Casa Vidal foi inaugurada e a biblioteca passou a funcionar junto com o Museu Histórico Municipal Adelmo Trott, o Arquivo Público, espaços de exposição, a Biblioteca Infantil Alice Maciel e uma cafeteria. Não é exagero dizer que ela não trocou de endereço: trocou de posição na cidade. Deixou de ser um destino que exigia intenção para virar uma parada que acontece no caminho. Quem vai ao museu cruza com os livros. Quem leva o filho à contação de histórias descobre o acervo adulto. Quem toma um café acaba folheando uma estante.

Os números confirmam a transformação. Outubro de 2025 registrou 1.141 atendimentos e 165 novos sócios, mais da metade de todos os cadastrados naquele ano em um único mês. E o movimento não despencou quando a novidade passou: entre janeiro e julho de 2026, foram 3.000 atendimentos no acumulado, cerca de 429 por mês, 2,5 vezes os ~170 do mesmo período de 2025. Empréstimos: 1.654 contra 877, crescimento de 88%. Novos sócios: 363 em sete meses, mais do que o ano inteiro de 2025 (305). Sala de estudos: 63 usos, ritmo que já supera o ano de 2024 inteiro (78). Isso é a diferença entre um evento e uma transformação.

Atrás de cada atendimento há gente qualif**ada, conduzida pela bibliotecária Marianna de Almeida Cunha, que responde tecnicamente pelo acervo, pela catalogação e pelos serviços de mediação de leitura. Biblioteca não se mantém com boa vontade, se mantém com técnica. Nem tudo está resolvido: cerca de 60% da circulação se concentra em literatura, enquanto as áreas técnicas e científ**as circulam muito pouco, sem diagnóstico nos relatórios dos últimos anos. Um equipamento que dobrou de movimento precisa de manutenção, acervo renovado e equipe dimensionada. O patrimônio restaurado é metade do trabalho; a outra metade é mantê-lo vivo. Hoje, com a Casa Vidal de portas abertas, Taquara tem a oportunidade perfeita para conferir de perto o que os dados já dizem: a biblioteca saiu da sombra. Cabe a nós, e ao poder público, garantir que ela não volte para ela.

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Uma reportagem publicada pelo PlatôBR reúne mensagens, áudios, documentos e fotografias atribuídos ao ex-sócio de Flávio...
29/09/2026

Uma reportagem publicada pelo PlatôBR reúne mensagens, áudios, documentos e fotografias atribuídos ao ex-sócio de Flávio Bolsonaro, Alexandre Santini, e apresenta novos detalhes sobre negócios, relações pessoais e contatos políticos do senador.

Entre os episódios relatados estão a compra de um Rolex avaliado em mais de R$ 300 mil, despesas pessoais supostamente pagas por pessoas próximas, movimentações envolvendo negócios e um episódio em que Flávio teria atuado junto ao ministro Kassio Nunes Marques em favor de interesses de um cliente.

A matéria também aborda a disputa financeira entre Flávio e Santini e documentos relacionados às antigas investigações sobre as chamadas “rachadinhas”. Como parte relevante das informações tem origem em um ex-sócio em conflito com Flávio, as alegações devem ser consideradas dentro desse contexto e confrontadas com documentos e outras evidências.

https://platobr.com.br/segredos-de-flavio-mulheres-negocios-um-rolex-de-r-300-mil-e-lobby-com-kassio

O vídeo não é prestação de contas. É campanha. E campanha com a máquina pública.O artigo 73 da Lei 9.504/97 veda ao agen...
24/09/2026

O vídeo não é prestação de contas. É campanha. E campanha com a máquina pública.

O artigo 73 da Lei 9.504/97 veda ao agente público usar bens e serviços públicos em benefício de candidato (inciso I), fazer uso promocional de obra pública em favor de candidatura (inciso IV) e, nos três meses que antecedem o pleito, realizar publicidade institucional (inciso VI).

O vídeo da prefeita, com servidores em exercício e obra recém-iniciada promovendo a Fran Bayer, encaixa-se em cada uma dessas hipóteses. O TSE, aliás, decidiu em agosto deste ano que a divulgação de obra pública em mídias sociais em benefício de candidatos configura uso da máquina pública. Muito provável que o formato do vídeo se encaixe nisso.

Já não basta o fundo eleitoral?

O Republicanos — partido da Fran Bayer — recebeu R$ 348,6 milhões do Fundo Eleitoral para as eleições de 2026. Dinheiro público, do bolso do contribuinte, para financiar campanha. Quase R$ 350 milhões.

E, mesmo com esse caminhão de recursos, a prefeita ainda precisa usar a máquina pública — servidores, obra, vídeo — para promover a candidata? É dinheiro público por partida dupla: o fundo já banca a campanha, e o Estado ainda é usado para turbiná-la.

Não é falta de recurso. Os elementos indicam que a máquina pública foi usada em benefício eleitoral.

A obra começou. Isso é bom. Mas a comunidade merece a verdade sobre os dez meses em que a prefeitura segurou o projeto — e merece uma campanha que se financie com o próprio fundo, sem transformar a máquina pública em palanque.

Os pingos nos ís

A explicação para o atraso foi: “Por que a obra não tinha sido realizada ainda? Porque o governo federal não havia liberado o recurso.”

É uma meia-verdade. E a metade que falta é a que interessa.

É verdade que o recurso federal foi liberado recentemente e que a obra só começou depois disso.

Mas atenção: A emenda é de 2025 — contrato de repasse 980984/2025/MCIDADES. O pedido foi feito à deputada em maio de 2025. E o projeto de recapeamento só foi assinado em março de 2026. Dez meses depois. DEZ MESES.

Dez meses para elaborar um projeto para recapear uma rua!

A licitação, aberta em 22 de maio de 2026, saiu a menos de dois meses do defeso eleitoral — regra que todo gestor público conhece de cor. Se o projeto tivesse andado em 2025, o recurso poderia ter sido liberado a tempo e a obra executada antes das restrições.

O governo federal não segurou o recurso, muito menos o projeto. A prefeitura não foi competente o suficiente para elaborar um projeto em 10 meses.

O Comunicado 21/2026 do Transferegov, do próprio governo federal, é claro: o início de obra não é proibido no período eleitoral quando os recursos já foram transferidos antes do defeso. O que trava é o repasse quando a prefeitura faz seu trabalho em tempo hábil, não a obra. O calendário eleitoral não é um muro — é uma regra que exige planejamento.

Por Diogo Corrêa

O motoboy de Taquara liga o aplicativo antes das sete da manhã. O motorista que a gente chama pra corrida roda o dia int...
23/09/2026

O motoboy de Taquara liga o aplicativo antes das sete da manhã. O motorista que a gente chama pra corrida roda o dia inteiro, almoça no carro e sabe que o mês depende de quantas corridas o algoritmo mandar.

Trabalho por aplicativo virou fonte de renda de muita gente na cidade pequena — e virou também o retrato de um problema que ninguém sabe direito como resolver: o patrão que manda nessa gente não tem nome nem endereço. É um algoritmo.

Os dois programas de governo que lideram as pesquisas, cada um do seu jeito, tropeçam no mesmo ponto: o trabalho por aplicativo.

O governo Lula fez mais do que prometer. Sancionou, na semana passada, a lei que garante o Move Brasil — crédito de até R$ 30 bilhões para taxistas, motoristas e entregadores comprarem carro, moto ou bicicleta elétrica, com juros menores para mulheres e prazo de até 72 meses. Dinheiro real, que ajuda quem precisa trocar de veículo para continuar trabalhando.

Mas crédito não é piso. A regulamentação do trabalho por app — o projeto que definiria regras, remuneração mínima e proteção para quem vive disso — está travada na Câmara desde abril. O relatório que está na mesa derrubou o piso de R$ 10 por corrida que o próprio governo defendia. E os trabalhadores, os primeiros interessados, cobram exatamente isso: a remuneração. Muitos nem f**aram sabendo das medidas que o governo anuncia. Crédito para comprar o carro é importante; o que muda o mês de quem vive do app é o quanto cada corrida paga.

E o outro lado? O programa de Flávio Bolsonaro não tem uma linha sobre trabalho por aplicativo. Silêncio total. O que ele oferece, na prática, é a tal “jornada flexível” — o trabalhador decide quantas horas quer trabalhar, recebendo por hora. Só que isso é exatamente o modelo do app: quem liga o aplicativo já “escolhe” quando trabalhar. A diferença é que, no app, essa liberdade vem sem piso, sem garantia, sem quem cubra o risco do dia sem corrida. Propor a “jornada flexível” como solução para o trabalho por app é formalizar o problema, não resolvê-lo.

Vamos ser justos com os dois lados. O governo Lula tentou regular — e o texto travou no Congresso. O Flávio nem tentou: silêncio no programa e cortejo eleitoral à categoria. Um tropeçou no caminho; o outro nem saiu do lugar.

O crédito é real e bem-vindo, mas crédito não substitui remuneração mínima. Regulamentação é o que muda a vida de quem vive do app — e ela não saiu. O trabalhador de aplicativo continua refém de uma decisão que ele não vê nem pode questionar: a decisão do algoritmo.

Regular o aplicativo é necessário. Mas, sozinho, não basta. Porque o problema de fundo não é só o app — é o trabalho precário virando regra.

Pensa comigo. O trabalho por aplicativo cresceu porque a cidade pequena não ofereceu alternativa. Comércio que paga pouco, indústria que não chega, qualif**ação que não existe — o app vira a opção que sobra. Ele é o teto, não o piso. E é isso que a política pública precisa enfrentar.

Enfrentar a precarização não é só regular o que existe. É investir em áreas de maior complexidade e renda: educação técnica, formação profissional, setores produtivos locais que paguem melhor e exijam mais qualif**ação. É fazer com que o trabalho decente — com vínculo, com piso, com futuro — seja a regra, e não a exceção.

E aqui não tem escolha entre um e outro. Quem está no app hoje não pode ser abandonado: precisa de piso, proteção, previdência, crédito. Mas o app não pode ser o destino de uma geração inteira. O Estado precisa fazer as duas coisas ao mesmo tempo: proteger quem está lá dentro e construir a porta de saída de verdade — que não é o contrato mais barato, é o trabalho de maior qualidade.

O voto de outubro decide isso. Decide se o trabalho por aplicativo ganha piso e proteção — ou se continua nas mãos do algoritmo. E decide se a cidade pequena ganha a chance de trabalho de verdade, com complexidade e renda — ou se o app continua sendo o teto.

Talvez o motoboy que liga o app antes das sete não vai poder ler este texto. Mas o voto dele — e o teu — decide o futuro dele.

Quem vai estar lá defendendo o teu futuro?

Por Diogo Corrêa

O caso da vereadora Fabi Reinaldo no Complexo Municipal de Saúde tem dois registros, e eles não contam a mesma história....
23/09/2026

O caso da vereadora Fabi Reinaldo no Complexo Municipal de Saúde tem dois registros, e eles não contam a mesma história. O boletim de ocorrência encaminhado pela prefeitura à Câmara descreve a vereadora como quem entrou "de forma abrupta" e teria invadido um consultório onde uma médica atendia. Mas o mesmo boletim registra que as ofensas dirigidas à médica, aos gritos, no corredor, não foram proferidas pela vereadora: foram proferidas por um paciente que aguardava atendimento. O ofício da prefeitura, ao relatar o episódio, diz apenas que "teriam ocorrido manifestações ofensivas", sem dizer quem. A impressão que f**a é a de que a responsável foi a vereadora. Não foi.

Há um limite legítimo para a fiscalização, e é justo reconhecer. Porta aberta não é convite: um consultório com atendimento em curso é área de restrição, e interromper uma consulta, se houve, é um excesso objetivo, não coberto por imunidade parlamentar. Reconhecer isso fortalece a defesa da vereadora, porque a torna crível. Mas um excesso pontual não autoriza a prefeitura a transformar o mandato inteiro em alvo de criminalização. E é exatamente isso que o ofício tenta fazer.

O documento se contradiz. Reconhece as prerrogativas do mandato na primeira página, nega prejulgamento na última, e no meio afirma que o ato "configura abuso de autoridade" e "configura ato de improbidade administrativa". Configura, no presente, afirmando como fato o que ainda será investigado. E cita o artigo errado: o art. 9º da Lei de Improbidade trata de enriquecimento ilícito, nada a ver com o episódio. O correto seria o art. 11. Num documento oficial assinado pela prefeita, isso não é detalhe.

O contexto pesa. Fabi é uma das opositoras mais atuantes, e ela e a prefeita são do mesmo partido. A vereadora já foi impedida de participar de uma reunião com moradores do bairro onde mora. São mais de 22 pedidos de informação sem resposta, mais de 10 na saúde, o primeiro de 2025 nunca cumprido. A prefeitura pede fiscalização "previamente articulada", mas não responde 22 protocolos parados na gaveta. Burocracia não engessa fiscalização. Falta de resposta é que engessa. Se a máquina é tão rápida para punir quem a fiscaliza, por que é tão lenta para informar quem a sustenta? Vamos acompanhar o que a mesa diretora fará com o ofício.

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