16/10/2026
Passamos décadas ensinando crianças a não falar com estranhos na rua. Só que hoje o estranho não precisa mais estar do lado de fora de casa. Ele pode entrar pelo chat de um jogo, por uma mensagem privada, por um perfil que parece inofensivo ou simplesmente pelo conteúdo que o algoritmo decidiu entregar.
E eu acho perigoso quando os adultos ainda usam “ele está em casa” como sinônimo de “ele está seguro”. Uma criança pode estar a poucos metros dos pais e, ao mesmo tempo, conversando com alguém que ninguém conhece, compartilhando localização, autorizando compras, entregando dados ou recebendo conteúdos que não tem maturidade para avaliar.
O ECA Digital parte justamente dessa realidade: a infância já ocupa redes sociais, jogos, aplicativos e plataformas de vídeo, então a proteção e a supervisão também precisa existir nesses ambientes.
E aqui entram aquelas frases que parecem tranquilizadoras: “ah, mas meu filho só vê YouTube”, “ele usa o meu Facebook”, “ele só joga Roblox, todos os amiguinhos jogam”. Só que você acompanha o que aparece nos Shorts? Vê os Reels que o algoritmo entrega? Sabe que cenas sexualizadas ou sugestivas podem surgir no meio de conteúdos aparentemente inocentes? Sabe com quem ele conversa dentro do jogo e que tipo de ambiente ele acessa (logo esse jogo que teve um usuário preso por simular bailes, venda de dr**as, armas e situações de conotação sexual?). Conhecer o nome da plataforma não é conhecer tudo o que acontece dentro dela.
Estar perto fisicamente já não é suficiente. Hoje, proteger também passa por entender com quem a criança fala, o que ela vê, quais dados compartilha, quais permissões estão ativas e até onde um desconhecido consegue chegar.
Você realmente sabe o que acontece enquanto seu filho está online? e como protegê-lo?