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Haeser Advogados s/s [email protected] Elaboração, acompanhamento de recursos e defesas perante os Tribunais

17/09/2026

Crônica: TOSQUIA DE PORCO

Quando iniciei a carreira na magistratura, na primeira comarca que passei ouvi muitas histórias interessantes. Uma que era contada nos corredores do fórum é sobre um velho criminalista que havia adquirido grande fama por suas atuações no Tribunal do Júri. Capitão Caraguatá era o nome como era carinhosamente chamado pelos colegas.
Contam que na sessão do júri ele levava um grande charuto que acendia tão logo o Promotor de Justiça começasse a falar, fazendo a acusação. Ele f**ava tranquilo calmamente tirando baforadas de seu charuto.
Aos poucos os jurados foram notando que ele não derrubava a cinza que ia se formando na ponta do charuto. Logo a atenção estava toda voltada para a iminente queda da cinza que, no entanto, não ocorria. O promotor já desesperado com a falta de atenção dos jurados acabou encerrando sua fala sem que a cinza caísse. Pronto. O matreiro defensor podia apagar seu charuto e fazer a defesa do réu perante atentos jurados, curiosos sobre a possível revelação sobre a não queda da cinza. Consta que suportada por um fio de arame previamente enfiado no charuto.
Depois ouvi essa mesma história como tendo ocorrido com o conhecido criminalista Osvaldo de Lia Pires.
Deste, me lembro bem, era outra expressão.
Durante o Júri, quando o promotor começava a fazer muitos apartes, gritando alto para tentar obscurecer a defesa, respondia que era como TOSQUIA DE PORCO, MUITO GRITO E POUCA LÁ.
Acabei lembrando disso quando assisti nesta terça-feira o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Deveria o plenário do STF decidir se abria investigação dos fatos criminosos atribuídos ao Min. Alexandre de Moraes.
Foi visível que uma ala do STF veio preparada para impedir o julgamento, fazendo longos arrazoados sem sentido e levantando questões de ordem para tumultuar os trabalhos.
As palavras rudes contra os colegas Ministros e desrespeito ao Presidente da Corte foi de ruborizar até coroinha, este tentando manter o nível dos trabalhos para levar a um desfecho. Foi muita gritaria e pouco conteúdo.
A estratégia de tentar vincular acusação a possível interesse partidário do Min. Relator André Mendonça acabou tendo êxito. A sessão foi encerrada com pedido de desculpas aos brasileiros pela Min. Carmen Lúcia, profundamente entristecida pelo episódio que tende a repetir-se. Em vez de discutir o possível malfeito, discutiu-se apenas questões formais de somenos importância e em baixo nível para tais pessoas cultas.
Algumas coisas precisam ser registradas como absolutamente inusitadas.
O Min. Gilmar Mendes, decano do STF, em altos brados, criticando o colega Min. André Mendonça por ter levantado os fatos desabonatórios ao Min. Alexandre de Moraes, dizendo que “até a Máfia tem ética” protegendo os seus colegas.
Não passou despercebido, também, que o Min. Flávio Dino “pediu vista” após ter votado e o placar estar quatro a quatro, rejeitando a unif**ação com a acusação ao Min. André Mendonça.
Por fim, totalmente inusitado, o que só os nossos eminentes constitucionalistas poderão explicar, como o réu é consultado e vota contra a abertura de investigação sobre possíveis crimes dele próprio.
Vou voltar para a Faculdade e para a Escola Superior da Magistratura, onde fui professor durante tantos anos, para tentar aprender alguma coisa sobre esse “novo direito”.

14/09/2026

Crônica: PARIS ESTÁ EM CHAMAS?

Esta foi a pergunta desesperada de Adolf Hi**er ao telefone ao general Dietrich von Choltitz, em 25 de agosto de 1944. Exigia saber se a sua ordem de reduzir a capital francesa a cinzas havia sido cumprida.
Na época a maré da Segunda Guerra Mundial havia virado contra o Terceiro Reich. O avanço das tropas aliadas ameaçava a ocupação da França pelos nazistas. Diante da derrota iminente, a reação de Hi**er foi decretar a aniquilação completa de uma das cidades mais belas e culturalmente ricas do mundo.
Para Hi**er, a perda de Paris representava um golpe psicológico e político devastador. Ele enxergava o patrimônio histórico e artístico da cidade não com admiração, mas como símbolos do orgulho nacional francês que precisavam ser esmagados. A sua diretriz militar para o comando em Paris era explícita e cruel:
"Paris não deve cair nas mãos do inimigo, ou, se cair, ele não encontrará nada além de um campo de ruínas."
A estratégia nazista consistia em transformar a capital em uma fortaleza intransponível ou em um cemitério monumental. Para isso, engenheiros militares espalharam explosivos por pontos nevrálgicos da cidade: pontes sobre o Rio Sena, redes de comunicação, estações ferroviárias e monumentos icônicos — como a Catedral de Notre-Dame, a Torre Eiffel, o Museu do Louvre e o Arco do Triunfo.
Se o plano fosse executado, o incêndio resultante consumiria séculos de história e resultaria na morte de milhares de civis. A ordem era não recuar nunca e, se necessário, tudo deveria ser destruído, retardando o avanço aliado.
Choltitz, nomeado Governador Militar de Paris em 7 de agosto de 1944, ao assumir o controle da cidade percebeu que destruir Paris não alteraria o resultado final da guerra. Seria apenas um ato de puro vandalismo e barbárie que mancharia o seu nome e o de seu exército para sempre.
A desobediência de Choltitz salvou a cidade, entendendo que Hi**er havia enlouquecido completamente. Ele não acreditou, assim como outros generais alemães, quando Hi**er afirmou que estava construindo uma bomba que iria acabar com a guerra, com vitória a seu favor.
Os generais não acreditaram, mas os adversários sim. Trataram de acelerar a invasão e de sabotar a produção de urânio enriquecido pelos nazistas. Não fosse isso grande parte do mundo talvez hoje estivesse falando alemão.
Estados Unidos e Rússia disputaram os cientistas alemães e logo veio a bomba e as explorações espaciais. Eu estive em Hiroshima e vi o resultado da bomba atômica. Um horror.
Por que lembrei disso?
Parece que temos no Brasil um ditador que está acima da lei. Não há limites para seu poder. Quando descobertos seus malfeitos, busca investigar e incriminar, tentando comprometer o investigador para enfraquecer a acusação. A guerra no STF parece briga de bugios (se é que me entendem). Ao contrário do que muitos pensam, a questão não é política, mas de honorabilidade. Espero que o bem vença o mal. Nota-se que até algumas redes de televisão, quando atingido o sagrado princípio do sigilo da fonte, alertaram-se para o perigo que ronda o País.
Talvez o título correto da crônica seria: BRASILIA ESTÁ EM CHAMAS?

08/09/2026

Crônica: EU QUERO SER PRESIDENTE

A principal rede de televisão do País realizou na semana passada entrevistas com candidatos à Presidência da República. Não há como ignorá-las, principalmente aquelas realizadas com os dois candidatos que despontam nas pesquisas e que, possivelmente, estarão no segundo turno.
Na eleição presidencial anterior a empresa foi muito criticada por ter o entrevistador iniciado a entrevista “absolvendo” o entrevistado das acusações que pesavam contra ele, com a anulação das condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por questões formais.
As técnicas de entrevistas na televisão envolvem uma série de regras e procedimentos que garantem a qualidade e a credibilidade das transmissões.
Para isso o entrevistador deve se preparar adequadamente para a entrevista, considerando o contexto e a audiência.
A interação entre o entrevistador e o entrevistado deve ser fluída e natural, utilizando-se de perguntas abertas para estimular a conversa, anteriormente preparadas pela produção do programa.
A estratégia deve considerar a dinâmica do ambiente televisivo e garantir que as entrevistas na televisão sejam não apenas informativas, mas também envolvam a audiência.
O principal é propiciar que a audiência possa conhecer o pensamento e os planos do candidato no caso de vencer a eleição.
Sempre que assisto uma dessas entrevistas lembro de um Mendes Ribeiro, de um Lazier Martins, de um Rogério Mendelski, dentre outros, que procuram extrair do entrevistado as informações importantes para sua audiência.
O entrevistador não pode pretender ser a estrela, aparecendo mais que o entrevistado, muito menos tentar induzir a resposta com formulação de perguntas quilométricas e cheia de outras informações.
O mais criticável ainda, no meu modo de ver, é tentar contraditar o pensamento e a resposta do entrevistado, tentando impor seu próprio entendimento sobre o tema proposto.
A entrevista acaba virando um debate entre o candidato a e o repórter que busca alçar-se ao nível de uma pessoa preparada por anos para exercer a Presidência da República.
Nas entrevistas os jornalistas buscaram ferir pontos sensíveis dos candidatos, algumas vezes tentando constrangê-los, adotando como definitivas versões controvertidas sobre um e outro.
É importante para o público obter o esclarecimento do candidato sobre essas questões de interesse público. No entanto, mais importante seria conhecer seus planos de governo: o que pretendem fazer com as dificuldades econômicas que o País enfrenta, a enorme dívida pública, a quebradeira geral e a fuga de empresas para o Paraguai com impostos menores e facilidade tributária.
Quem ganhou, quem perdeu? As urnas nos dirão.

02/09/2026

Crônica: O FOTÓGRAFO

Para as novas gerações é difícil acreditar, porém já houve um tempo em que não havia televisão, não havia telefone celular, nem internet. A pesquisa era feita na biblioteca e era rico quem tinha a Enciclopédia Barsa. Hoje está tudo na ponta do dedo. Basta perguntar para a inteligência artificial.
A diversão na cidade era o cinema. Em Santa Cruz o Cine Apolo e o Cine Vitória. Em Candelária o Cine Teatro Coliseu. Salvo quando aparecia algum circo na cidade, a diversão era assistir algum filme no cinema.
A primeira vez que assisti um filme foi num local aberto, ao lado da praça onde f**ava o bar do Ótia, como era conhecido. Othmar Walter Heinze sucedeu a família do Senador Nestor Jost, mantendo no local o bar, depósito de bebidas e representante da Loteria Estadual. Nessa sessão a Souza Cruz fez uma projeção educativa mostrando o cultivo, sortimento das folhas e enfardamento do fumo em folha. A classif**ação observava letras do alfabeto.
A paixão pelo cinema continuou e a gente trabalhava e juntava dinheiro para ir ao cinema. Quando não se conseguia, ou o filme era proibido para nossa idade, espiávamos por baixo da porta ou por alguma fresta de janela.
As películas às vezes rebentavam e sobravam pedaços no lixo. A gente vasculhava os lixos a procura de materiais para nossos brinquedos e encontrar pedaços de filme foi um grande achado.
Eu tinha lido em alguma lugar que a água agia como uma lente de aumento. Tive a ideia ao encontrar intacta uma lâmpada transparente. Com todo o cuidado abri a parte superior e fui quebrando, conseguindo retirar o miolo da lâmpada. Após enchê-la com água, tive em mãos uma lente de aumento.
O passo seguinte foi pegar uma caixa de sapatos, recortar uma janela, posicionar a lâmpada com água, colocar dentro uma vela e projetar na parede os pedaços de filme colorido que encontrei no lixo. Foi um sucesso no meio da criançada. Foi aí que descobri que, na projeção, a imagem f**a virada, de cabeça para baixo.
Quando economizei mais uns trocados, comprei pelo reembolso postal uma máquina fotográf**a marca Flika. Revelar os filmes no Foto Estúdio Odécio ou na Foto Roos era muito caro para um entregador de leite. Vi numa revista em quadrinhos e comprei um Curso de Fotografia, também pelo reembolso postal.
Com a lâmpada vermelha para o câmara escura, papel fotográfico, ingredientes de revelação e fixador, passei a revelar meus próprios filmes e copiar as fotografias no quarto. Precisava apenas comprar os filmes, com doze fotos. Passei a fotografar meus familiares, amigos e alguns locais históricos. Meu grande feito foi passar a colorir as fotografias com raspas de lápis de cor e algodão. Algumas fotografias se descoloriram com o tempo, mas não em minha memória.
Não é como hoje, com celular ou máquina digital. Só se observava o resultado das fotos depois de revelar.
Não acontece como no casamento de meu irmão que não tem nenhuma foto da cerimônia. Só no meio da festa, ao tentar rebobinar o filme, o aeronauta, colega dele, atuando como fotógrafo, não conseguiu. Procurou-me e fui com ele até o Estúdio Odécio, onde meu amigo Silvério Hasstenteufel constatou que o filme não tinha rodado. Proibi-o de falar e meu irmão só descobriu que tinha apenas fotos da festa quando mandou revelar o filme, em lua de mel no Rio de Janeiro.
O mesmo aconteceu comigo e com um fotógrafo profissional, mas por sorte usara duas máquinas fotográf**as e, assim, tenho fotos do casamento em preto e branco.

18/08/2026

Nova Crônica: QUE BAGUNÇA É ESSA?

A filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão, às vésperas do registro de sua candidatura à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), foi considerada uma fraude pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rapidamente restabeleceu sua vinculação ao PL para garantir a elegibilidade. O episódio expôs vulnerabilidades no sistema de filiação partidária e gerou forte repercussão política.
Para disputar eleições, o candidato deve estar filiado a um partido político pelo menos seis meses antes do pleito.
A filiação é realizada perante o partido político e registrada no sistema da Justiça Eleitoral por representantes credenciados dos partidos.
É possível mudar de legenda, mas a duplicidade implica em cancelamento automático da mais antiga. O prazo para trocas partidárias encerra seis meses antes da eleição para quem deseja ser candidato. O correto é a pessoa pedir ao partido sua desfiliação e comunicar ao Juiz Eleitoral para, depois, assinar ficha em outro partido.
Situação inusitada ocorreu em 12 de agosto de 2026, dois dias antes da data final para registro de candidaturas, quando Flávio Bolsonaro apareceu como desfiliado do PL e vinculado ao partido Missão, fundado por integrantes do MBL.
O cadastro incluía endereço fictício como “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano”, evidência de fraude.
A filiação ao Missão impedia o registro da candidatura presidencial pelo PL, já oficializada em convenção no final de julho.
O ministro Kassio Nunes Marques, descartando ataque hacker, determinou o cancelamento da filiação ao Missão e restabeleceu o vínculo com o PL, preservando a data original de filiação (novembro de 2021). Há indicações de que a alteração foi feita por alguém com credenciais do Missão, inclusive com comunicações ao e-mail do senador e tentativa de cobrança por PIX.
Após correção, o PL conseguiu registrar a candidatura de Flávio Bolsonaro no mesmo dia, incluindo Alfredo Gaspar como vice.
O inusitado é que no mesmo período, houve uma tentativa de alterar a filiação de Lula, presidente e candidato pelo PT. Diferente de Flávio, a mudança não chegou a ser efetivada, mas levou o TSE a suspender temporariamente o sistema de filiação para investigação.
O episódio indica que há certa fragilidade no sistema, pois deveria exigir a anuência expressa do eleitor filiado ou, principalmente, falta de seriedade de alguns entes políticos, porquanto esse fato tem ocorrido em outras cidades, inclusive há indicações de que ocorreu até em Santa Cruz do Sul, visando inviabilizar candidaturas ou apenas tumultuar o processo eleitoral.
É hora de entrar a professora e gritar para os pirralhos esculhambadores:
QUE BAGUNÇA É ESSA?

12/08/2026

Nova crônica: COM MEDO DE JULGAR
Quando se inicia a carreira na magistratura é preciso adquirir a segurança de julgar conflitos. O Juiz não pode agradar a todos. Aliás, a um dos lados sempre vai desagradar.
Muitos tem maior dificuldade e outros mais facilidade em visualizar o que se costuma dizer “o ponto nodal da lide”. Se um juiz não entender corretamente os fatos não pode julgar bem.
Já no início de minha carreira, ainda como Juiz Adjunto em Santa Maria, precisei conviver com uma plêiade de advogados de alto nível. A Banca Jobim, com Hélvio, Walter e o futuro Ministro Nelson Jobim, a banca de Adelmo Simas Genro, pai do Governador Tarso Genro e outras igualmente afamadas e de elevado quilate.
Já no primeiro ano me vieram às mãos dois casos de extrema dificuldade técnica: uma ação reivindicatória de imóvel em comodato e uma ação de usucapião de loja em condomínio de edifício.
Julguei as duas procedentes causando furor. Não havia precedentes sobre o assunto. As críticas e recursos foram pesados. Até consultas extraoficiais ao Tribunal indicavam os absurdos de minhas decisões. O futuro Ministro Jobim procurou-me pessoalmente e me disse que havia sido consultado sobre recurso e confessou-me que não esperava de mim uma sentença dessa envergadura.
Todo mundo sabia que a ação para rescindir contrato de comodato era a ação de Reintegração de Posse. Não poderia ser ajuizada uma ação reivindicatória. No entanto, no meu raciocínio, o direito de propriedade é superior ao direito de posse. Se posso pedir a posse, posso exigi-la com base no título de domínio. E, no caso concreto, o autor havia adquirido recentemente o imóvel e faticamente nunca tivera a posse. E não havia previsão na lei de uma ação própria para a extinção do comodato. A decisão foi confirmada, inclusive pelo relator que comentara, segundo o advogado recorrente, que o juiz estava louco.
A ação de usucapião parecia impossível porque exigia posse exclusiva e específ**a. Como poderia a loja estar “voando”. Teria que estar assentada dentro de uma área comum, de propriedade de todos. E o terreno? Só teria uma parte ideal... Tudo incompatível com os requisitos da ação de usucapião.
No entanto, relator o futuro Ministro do STF, Des. Pedro Soares Muñoz, minha sentença foi confirmada integralmente. Em ambos recebi referências elogiosas e ordem de anotação de voto de louvor em minha ficha funcional.
Igual sorte não teve a juíza Gabriela Hardt. Atuando em processo de extrema dificuldade da Lava Jato, enfrentando poderosos da república, foi punida com afastamento por dois anos, com vencimentos proporcionais, por ter homologado acordo que garantia vultosos recursos ao Brasil na criação de uma fundação com as multas aplicadas.
Na punição pelo Conselho Nacional de Justiça é reconhecido que não teve qualquer vantagem e não fez nada errado, porém é punida pela decisão!
Já dois Desembargadores Federais do TRF4, Loraci Flores de Lima e Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, foram punidos com disponibilidade por 60 dias, com perda dos salários, por terem julgado recurso da mesma matéria supostamente “desobedecendo ordens do STF”.
Com a devida vênia, o mundo jurídico não concorda com grande parte das decisões da Suprema Corte e qualquer estudante de direito sabe que decisão judicial deve ser atacada através do recurso adequado. Ataca-se a decisão, não a pessoa do Juiz.
Quando os juízes passarem a ter medo de julgar com receio de desagradar alguns que se consideram verdadeiros deuses do Olimpo, o Brasil e sua frágil democracia estarão perdidos.

Feliz dia dos pais a todos os amigos do facebook.Crônica da semana: A BENÇÃO PAPAI!Pensam que é fácil? A tarefa de criar...
05/08/2026

Feliz dia dos pais a todos os amigos do facebook.

Crônica da semana: A BENÇÃO PAPAI!

Pensam que é fácil? A tarefa de criar um filho é longa e cansativa. Principalmente na adolescência. Eles demoram a se tornar adultos.
Esse período pode ser terrível. Momento de conflito com os pais. Ainda não sabem, mas querem voar com as próprias asas. Os pais precisam protegê-los, sem sufocá-los, permitindo que aprendam com os próprios erros.
Sempre achei muito bonito, especialmente em nosso interior, ver os filhos pedir a benção aos pais. Sentar na roda para ouvir, sem se meter na conversa de adultos. Aprende-se mais ouvindo do que falando.
Os filhos meninos são mais propensos a fazer “artes”.
Já contei em outra crônica que o nosso cortou com a tesoura o cabo da televisão, enfiou um grampinho na tomada e comandou o elevador segurando a trela do cachorro que estava do lado de fora. Quase perdeu a mão.
A minha infância foi de liberdade com responsabilidade. Andávamos pelos matos, pelos rios, pelos morros. Algumas vezes corremos riscos bem sérios, como atravessar o canal do Rio Pardo com o pequeno na garupa do mais velho, onde tive que empurrar os dois para a margem. Ou atravessar o Poço Sapatiano nadando com uma mão e segurando na outra as roupas e o chapéu. As últimas cinco braçadas fui obrigado a usar as duas mãos...
La em casa o “respeito” f**ava pendurado atrás da janela e era usado por nosso pai quando saía a cavalo pelo interior fazendo as intimações judiciais. Algum deslize grave e ele era usado. Funcionou em mim quando certa vez acertei sem querer a cabeça de um menino do vizinho com uma pedra...
Assim como corrigia, nosso pai mostrava o caminho e apoiava para seguirmos em frente.
“Quem não estudar vai virar cubeiro!” (Pessoas que recolhiam nas casas os cubos onde se defecava e levavam para lavar no rio quando não havia sistema de esgoto).
Convivi bastante com meu pai e era seu parceiro nas pescarias, inclusive depois de casado. Era muito calmo e passava grande parte de seu tempo resolvendo problemas dos outros. Era incrível o que vinha de pessoas buscar o seu conselho. Assisti muitas vezes velhos chorando a queixar-se de terem sido escorraçados por filhos e noras. Ele sempre tinha uma palavra de co***lo ou de orientação jurídica.
No próximo domingo comemoraremos o dia dos pais.
Aqueles que tiverem a ventura de ainda terem seus pais, aproveitem para abraçá-los. Não desperdicem essa oportunidade preciosa. Nem precisam agradecer tudo que fizeram por você. Eles sabem. Dividem conosco as alegrias e tristezas.
Digam apenas A BENÇÃO PAPAI.

Nova crônica: PEGA A AR**HA!A geração mais jovem possivelmente não conheça e talvez nunca tenha visto. Já referi aqui em...
29/07/2026

Nova crônica: PEGA A AR**HA!

A geração mais jovem possivelmente não conheça e talvez nunca tenha visto. Já referi aqui em outra crônica nossa labuta no período que antecedia o Dia de Finados.
A atividade começava, junto com nossa mãe, com a coleta de ramos de uma árvore especial, nas matas à margem do Rio Pardo. Levadas para casa, era secadas à sombra e, depois, tingidas com anilina verde.
Na mesma ocasião cortavam-se cipós, que formariam o arco da coroa, onde eram pacientemente amarradas as folhas secas e já tingidas.
As flores eram feitas de papel crepom ou papel branco, que era cortado e frangido com taco de madeira, com ponta arredondada, depois abertas e coladas. Algumas folhas de papel já eram pintadas segundo a cor preferida do freguês, frequentemente roxas.
Pedaços desfiados de corda de sisal eram presos em um arame e encostados em cola e em um pó amarelo, indicando o estigma. Passado o arame pelo centro da flor, simulava uma flor natural.
Depois de pronta, a flor era mergulhada em parafina, que fervia em outro tanto de água. Em seguida era mergulhada em água fria para endurecer.
Prontas as flores, era presas com o arame nas coroas de cipós, já preparadas com as folhas secas tingidas.
Nossa casa f**ava semanas enfeitada de coroas esperando os clientes, assim como a área da frente, onde escolhiam o modelo preferido.
Tais lembranças me vieram à mente por uma situação inusitada trazida nos noticiosos esta semana, ocorrida em São Paulo.
Na minha meninice, na véspera do dia de finados, havia uma romaria de charretes para nossa casa, as chamadas ar**has, tipo específico de charrete de duas rodas, puxada por cavalo, com estrutura mais aberta do que a charrete tradicional.

Nas laterais e na parte traseira eram presas as coroas vendidas, indicando o sucesso de nosso trabalho. Lírios brancos desfilavam pelas ruas quase mais bonitos que os naturais.
Naquela época era bastante comum os colonos virem para a cidade trazer produtos ou comprar mantimentos com essas charretes, leves e ágeis, pois poucas localidades possuíam linhas de ônibus. Até para voltar da casa de minha namorada, atual esposa há 56 anos, de Linha Quilombo, às vezes eu aproveitava a carona da charrete do sogro, poupando de caminhar 20 km.
Um cavalo puxando uma ar**ha dessas, pouco acostumado com o tráfego de veículos, poderia ser perigoso para o condutor e para os outros.
Certa ocasião, em Candelaria, eu atravessava a rua para o escritório de contabilidade onde trabalhava, quando surgiu um cavalo em disparada, arrastando a charrete sem condutor. Praticamente na minha frente a charrete colidiu com um veículo estacionado, capotando, o que fez o cavalo deter-se em seguida.
Já tenho boa experiência com ar**has, portanto, essa charrete leve, de duas rodas, de minha infância e de muitos dos leitores.
Já sofri furto na Capital e já derrubei o então meu cliente, o Prefeito de Três Passos, na esquina do quiosque, quando de surpresa e de brincadeira, chegando por trás, enfiou-me a mão no bolso.
O que eu nunca tinha visto, no entanto, é assalto com ar**ha, como o ocorrido em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, quando dois assaltantes, de charrete, assaltaram uma mulher que caminhava pela calçada, fugindo em seguida, em disparada, com seu veloz veículo de tração animal.
Pensei que já tinha visto de tudo, mas assalto com ar**ha, confesso, é novidade para mim. Difícil esconder, em uma cidade da Grande São Paulo, ar**ha e cavalo, de eventual perseguição policial...

Imagem de leilão: https://www.danielchaiebleiloeiro.com.br/

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