Haeser Advogados s/s

Haeser Advogados s/s [email protected] Elaboração, acompanhamento de recursos e defesas perante os Tribunais

12/08/2026

Nova crônica: COM MEDO DE JULGAR
Quando se inicia a carreira na magistratura é preciso adquirir a segurança de julgar conflitos. O Juiz não pode agradar a todos. Aliás, a um dos lados sempre vai desagradar.
Muitos tem maior dificuldade e outros mais facilidade em visualizar o que se costuma dizer “o ponto nodal da lide”. Se um juiz não entender corretamente os fatos não pode julgar bem.
Já no início de minha carreira, ainda como Juiz Adjunto em Santa Maria, precisei conviver com uma plêiade de advogados de alto nível. A Banca Jobim, com Hélvio, Walter e o futuro Ministro Nelson Jobim, a banca de Adelmo Simas Genro, pai do Governador Tarso Genro e outras igualmente afamadas e de elevado quilate.
Já no primeiro ano me vieram às mãos dois casos de extrema dificuldade técnica: uma ação reivindicatória de imóvel em comodato e uma ação de usucapião de loja em condomínio de edifício.
Julguei as duas procedentes causando furor. Não havia precedentes sobre o assunto. As críticas e recursos foram pesados. Até consultas extraoficiais ao Tribunal indicavam os absurdos de minhas decisões. O futuro Ministro Jobim procurou-me pessoalmente e me disse que havia sido consultado sobre recurso e confessou-me que não esperava de mim uma sentença dessa envergadura.
Todo mundo sabia que a ação para rescindir contrato de comodato era a ação de Reintegração de Posse. Não poderia ser ajuizada uma ação reivindicatória. No entanto, no meu raciocínio, o direito de propriedade é superior ao direito de posse. Se posso pedir a posse, posso exigi-la com base no título de domínio. E, no caso concreto, o autor havia adquirido recentemente o imóvel e faticamente nunca tivera a posse. E não havia previsão na lei de uma ação própria para a extinção do comodato. A decisão foi confirmada, inclusive pelo relator que comentara, segundo o advogado recorrente, que o juiz estava louco.
A ação de usucapião parecia impossível porque exigia posse exclusiva e específ**a. Como poderia a loja estar “voando”. Teria que estar assentada dentro de uma área comum, de propriedade de todos. E o terreno? Só teria uma parte ideal... Tudo incompatível com os requisitos da ação de usucapião.
No entanto, relator o futuro Ministro do STF, Des. Pedro Soares Muñoz, minha sentença foi confirmada integralmente. Em ambos recebi referências elogiosas e ordem de anotação de voto de louvor em minha ficha funcional.
Igual sorte não teve a juíza Gabriela Hardt. Atuando em processo de extrema dificuldade da Lava Jato, enfrentando poderosos da república, foi punida com afastamento por dois anos, com vencimentos proporcionais, por ter homologado acordo que garantia vultosos recursos ao Brasil na criação de uma fundação com as multas aplicadas.
Na punição pelo Conselho Nacional de Justiça é reconhecido que não teve qualquer vantagem e não fez nada errado, porém é punida pela decisão!
Já dois Desembargadores Federais do TRF4, Loraci Flores de Lima e Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, foram punidos com disponibilidade por 60 dias, com perda dos salários, por terem julgado recurso da mesma matéria supostamente “desobedecendo ordens do STF”.
Com a devida vênia, o mundo jurídico não concorda com grande parte das decisões da Suprema Corte e qualquer estudante de direito sabe que decisão judicial deve ser atacada através do recurso adequado. Ataca-se a decisão, não a pessoa do Juiz.
Quando os juízes passarem a ter medo de julgar com receio de desagradar alguns que se consideram verdadeiros deuses do Olimpo, o Brasil e sua frágil democracia estarão perdidos.

Feliz dia dos pais a todos os amigos do facebook.Crônica da semana: A BENÇÃO PAPAI!Pensam que é fácil? A tarefa de criar...
05/08/2026

Feliz dia dos pais a todos os amigos do facebook.

Crônica da semana: A BENÇÃO PAPAI!

Pensam que é fácil? A tarefa de criar um filho é longa e cansativa. Principalmente na adolescência. Eles demoram a se tornar adultos.
Esse período pode ser terrível. Momento de conflito com os pais. Ainda não sabem, mas querem voar com as próprias asas. Os pais precisam protegê-los, sem sufocá-los, permitindo que aprendam com os próprios erros.
Sempre achei muito bonito, especialmente em nosso interior, ver os filhos pedir a benção aos pais. Sentar na roda para ouvir, sem se meter na conversa de adultos. Aprende-se mais ouvindo do que falando.
Os filhos meninos são mais propensos a fazer “artes”.
Já contei em outra crônica que o nosso cortou com a tesoura o cabo da televisão, enfiou um grampinho na tomada e comandou o elevador segurando a trela do cachorro que estava do lado de fora. Quase perdeu a mão.
A minha infância foi de liberdade com responsabilidade. Andávamos pelos matos, pelos rios, pelos morros. Algumas vezes corremos riscos bem sérios, como atravessar o canal do Rio Pardo com o pequeno na garupa do mais velho, onde tive que empurrar os dois para a margem. Ou atravessar o Poço Sapatiano nadando com uma mão e segurando na outra as roupas e o chapéu. As últimas cinco braçadas fui obrigado a usar as duas mãos...
La em casa o “respeito” f**ava pendurado atrás da janela e era usado por nosso pai quando saía a cavalo pelo interior fazendo as intimações judiciais. Algum deslize grave e ele era usado. Funcionou em mim quando certa vez acertei sem querer a cabeça de um menino do vizinho com uma pedra...
Assim como corrigia, nosso pai mostrava o caminho e apoiava para seguirmos em frente.
“Quem não estudar vai virar cubeiro!” (Pessoas que recolhiam nas casas os cubos onde se defecava e levavam para lavar no rio quando não havia sistema de esgoto).
Convivi bastante com meu pai e era seu parceiro nas pescarias, inclusive depois de casado. Era muito calmo e passava grande parte de seu tempo resolvendo problemas dos outros. Era incrível o que vinha de pessoas buscar o seu conselho. Assisti muitas vezes velhos chorando a queixar-se de terem sido escorraçados por filhos e noras. Ele sempre tinha uma palavra de co***lo ou de orientação jurídica.
No próximo domingo comemoraremos o dia dos pais.
Aqueles que tiverem a ventura de ainda terem seus pais, aproveitem para abraçá-los. Não desperdicem essa oportunidade preciosa. Nem precisam agradecer tudo que fizeram por você. Eles sabem. Dividem conosco as alegrias e tristezas.
Digam apenas A BENÇÃO PAPAI.

Nova crônica: PEGA A AR**HA!A geração mais jovem possivelmente não conheça e talvez nunca tenha visto. Já referi aqui em...
29/07/2026

Nova crônica: PEGA A AR**HA!

A geração mais jovem possivelmente não conheça e talvez nunca tenha visto. Já referi aqui em outra crônica nossa labuta no período que antecedia o Dia de Finados.
A atividade começava, junto com nossa mãe, com a coleta de ramos de uma árvore especial, nas matas à margem do Rio Pardo. Levadas para casa, era secadas à sombra e, depois, tingidas com anilina verde.
Na mesma ocasião cortavam-se cipós, que formariam o arco da coroa, onde eram pacientemente amarradas as folhas secas e já tingidas.
As flores eram feitas de papel crepom ou papel branco, que era cortado e frangido com taco de madeira, com ponta arredondada, depois abertas e coladas. Algumas folhas de papel já eram pintadas segundo a cor preferida do freguês, frequentemente roxas.
Pedaços desfiados de corda de sisal eram presos em um arame e encostados em cola e em um pó amarelo, indicando o estigma. Passado o arame pelo centro da flor, simulava uma flor natural.
Depois de pronta, a flor era mergulhada em parafina, que fervia em outro tanto de água. Em seguida era mergulhada em água fria para endurecer.
Prontas as flores, era presas com o arame nas coroas de cipós, já preparadas com as folhas secas tingidas.
Nossa casa f**ava semanas enfeitada de coroas esperando os clientes, assim como a área da frente, onde escolhiam o modelo preferido.
Tais lembranças me vieram à mente por uma situação inusitada trazida nos noticiosos esta semana, ocorrida em São Paulo.
Na minha meninice, na véspera do dia de finados, havia uma romaria de charretes para nossa casa, as chamadas ar**has, tipo específico de charrete de duas rodas, puxada por cavalo, com estrutura mais aberta do que a charrete tradicional.

Nas laterais e na parte traseira eram presas as coroas vendidas, indicando o sucesso de nosso trabalho. Lírios brancos desfilavam pelas ruas quase mais bonitos que os naturais.
Naquela época era bastante comum os colonos virem para a cidade trazer produtos ou comprar mantimentos com essas charretes, leves e ágeis, pois poucas localidades possuíam linhas de ônibus. Até para voltar da casa de minha namorada, atual esposa há 56 anos, de Linha Quilombo, às vezes eu aproveitava a carona da charrete do sogro, poupando de caminhar 20 km.
Um cavalo puxando uma ar**ha dessas, pouco acostumado com o tráfego de veículos, poderia ser perigoso para o condutor e para os outros.
Certa ocasião, em Candelaria, eu atravessava a rua para o escritório de contabilidade onde trabalhava, quando surgiu um cavalo em disparada, arrastando a charrete sem condutor. Praticamente na minha frente a charrete colidiu com um veículo estacionado, capotando, o que fez o cavalo deter-se em seguida.
Já tenho boa experiência com ar**has, portanto, essa charrete leve, de duas rodas, de minha infância e de muitos dos leitores.
Já sofri furto na Capital e já derrubei o então meu cliente, o Prefeito de Três Passos, na esquina do quiosque, quando de surpresa e de brincadeira, chegando por trás, enfiou-me a mão no bolso.
O que eu nunca tinha visto, no entanto, é assalto com ar**ha, como o ocorrido em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, quando dois assaltantes, de charrete, assaltaram uma mulher que caminhava pela calçada, fugindo em seguida, em disparada, com seu veloz veículo de tração animal.
Pensei que já tinha visto de tudo, mas assalto com ar**ha, confesso, é novidade para mim. Difícil esconder, em uma cidade da Grande São Paulo, ar**ha e cavalo, de eventual perseguição policial...

Imagem de leilão: https://www.danielchaiebleiloeiro.com.br/

21/07/2026

Crônica semanal: CHUVA DE GOLS... E DE LÁGRIMAS

O futebol é um esporte de oportunidades e a Seleção Brasileira aprendeu isso da maneira mais dolorosa possível nesta Copa. Diante de uma aplicada e valente seleção da Noruega, o Brasil teve a chance de ditar o ritmo do jogo quando um pênalti foi assinalado a seu favor no primeiro tempo. No entanto, a cobrança de Bruno Guimarães parou nas mãos do goleiro Nyland, que se transformou em uma verdadeira muralha.
O sonho brasileiro do hexa desmoronou na segunda etapa. Bastaram dois momentos de desatenção para que Haaland mandasse o Brasil para casa... mera figura de linguagem porque no avião da seleção só voltou um jogador.
A derrota por 2 a 1 sacramentou a pior campanha brasileira em Mundiais desde 1990 e estendeu o incômodo jejum de títulos para 28 anos, expondo as fragilidades de uma geração que pecou pela falta de competitividade.
Assistindo da poltrona a semifinal, puderam ver um dos mais emocionantes jogos de futebol de todas as copas. Duas excelentes seleções mostraram a beleza do futebol bem jogado. No primeiro tempo a Inglaterra derrubou o topete do galo francês com quatro belos gols. Todo brasileiro lembrou da tragédia do 7 a 1 contra a Alemanha. Mas a França retornou com garra e dedicação, também conseguindo quatro gols na segunda etapa, porém não conseguindo superar a poderosa Inglaterra. O final de 6 a 4 plasmou um dos mais belos jogos de todas as copas. Até quem não gosta de futebol, por achar chato, ficou entusiasmado com a chuva de gols.
Já o jogo final foi uma chatice de todo jogo zero a zero. Em campo víamos uma Espanha, dedicada e organizada, tentando furar o bloqueio Argentino. Anulado um gol, por suposta falta muito duvidosa, só na prorrogação conseguiu a Espanha marcar o gol que lhe deu a merecida vitória, pois só um time quis jogar.
Nos derradeiros minutos, um time que não havia dado nenhum chute ao gol durante a partida, tentou igualar o placar. O desgaste físico das prorrogações anteriores, que enfrentou para chegar à final, cobraram seu preço. Messi e seus companheiros se arrastavam em campo, enquanto a Espanha mantinha sua invencibilidade de 37 jogos. Ganhou o time mais organizado e com maior número de bons jogadores jovens, permitindo vários substituições durante a partida.
Perder é do jogo. Ser vencido em um jogo de futebol não é uma tragédia... menos para o treinador e os jogadores argentinos que choravam desconsoladamente. Enquanto as lágrimas corriam pelas faces de Messi em sua despedida do futebol, alguns companheiros demonstravam seu inconformismo com a derrota através de condenáveis atos de violência.
Enfim, encerrou-se a copa de 2026 com uma bela chuva de gols... e de lágrimas.

17/07/2026

O CHORO É LIVRE

Sempre acompanhei o futebol desde minha infância. Assisti ótimos times, como o Internacional de Enio Andrade, campeão brasileiro invicto, e o Grêmio de Joaozinho e Alcindo.
Assisti os primeiros jogos da Copa do Mundo deste ano e comentei nas redes sociais, com meus amigos, que os melhores times que havia visto eram França, Argentina e Inglaterra. Dependendo da evolução, considerei, Alemanha, Holanda, Espanha e Brasil, porém sem muito entusiasmo.
A espinha dorsal da seleção estava assentada no velho Casemiro, jogador lento para o futebol atual. O restante do meio de campo parecia desentrosado. Os atacantes deveriam ser os marcadores e, quando atacavam, não se falavam entre si. No jogo decisivo entram dois jogadores que praticamente ainda não haviam atuado.
Não converter o pênalti foi mortal para um time acuado, que não obteve mais do que trinta por cento de posse de bola. Inacreditável que nossa seleção tenha sido colocada na roda pela Noruega do gigante Haaland. A lentidão e a aparente falta de empenho deixou os brasileiros incomodados, especialmente quando veem os argentinos brigando até a morte por cada bola, mesmo perdendo por dois gols.
Aliás, há algumas coisas que me incomodam no futebol brasileiro. O vedetismo, o estrelismo, a preocupação mais com o visual do que com o futebol.
Quando um jogador faz uma brilhante jogada e dá o passe decisivo para o companheiro marcar o gol, a atitude deste é dar-lhe as costas e correr para o outro lado do campo para ser ovacionado individualmente pela torcida.
Às vezes ainda faz movimentos quase pornográficos na dancinha com a bandeirinha de escanteio. Isso quando não tira a camiseta do time que lhe paga, e com os emblemas da empresa que o patrocina, e joga no chão, correndo para a torcida para mostrar suas tatuagens.
E leva um primeiro cartão amarelo que pode redundar em sua expulsão, no caso de um lance ríspido, ou impedi-lo de jogar no próximo jogo.
A beleza do futebol está na improvisação e na surpresa de lances brilhantes dos atletas. Não pode ser só preparo físico e jogadas mecânicas previsíveis. O Brasil sempre se notabilizou pelo futebol arte que parece desaparecido.
A controvérsia sobre a interpretação dos lances é da essência do futebol. Chora quem perde. Ri quem vence, mesmo que por um lance de sorte. A discussão é interminável.
Já dizia o velho técnico: a bola pune. Quem não faz, leva.
É mais frustrante quando se está em grande vantagem, como a Suíça, e ocorre uma reviravolta, com a anulação do terceiro gol por falta anterior, e na expulsão por uma simulação ridícula de jogador já amarelado. O terceiro gol da Argentina, então, foi fruto de uma desatenção completa do time perdedor.
O campeonato segue, o choro é livre, mas na verdade os melhores vão para a final.
Que vença aquele que jogar o melhor futebol.

PS. Esta crônica foi publicada nos jornais no dia 13.07.26. Depois tivemos os jogos que colocaram Argentina e Espanha na final, com a vitória épica da Argentina sobre a Inglaterra, em virada sensacional no final do jogo, e a derrota da França para a Espanha.

13/07/2026
OS FIORDES DA NORUEGAUm dos mais belos e inesquecíveis passeios que fiz, após minha aposentadoria, foi para a Escandináv...
13/07/2026

OS FIORDES DA NORUEGA

Um dos mais belos e inesquecíveis passeios que fiz, após minha aposentadoria, foi para a Escandinávia, visitando a Noruega. É um país nórdico localizado na Península Escandinava, na Europa Setentrional. É mundialmente famosa por suas paisagens naturais impressionantes, estabilidade econômica e altíssima qualidade de vida de seus 5.5 milhões de habitantes.
Tivemos muita sorte que, por uma feliz coincidência, quando chegamos à cidade de Bergen, estavam chegando os veleiros que participavam de uma das tradicionais regatas da Escandinávia.
Lá os dias de escuridão total no inverno, conhecido como Noite Polar, pode variar de zero a cerca de dois meses, dependendo da cidade escolhida. Mais ao norte o sol não nasce por meses, enquanto no sul o dia apenas f**a muito curto. Ver a aurora boreal é uma benção.
Assim como há as longas noites, também há dias sem fim. O Sol da Meia-Noite na Noruega é um fenômeno fascinante no qual o sol permanece visível 24 horas por dia. Ocorre durante o verão devido à inclinação da terra. Quanto mais ao norte você viaja, maior é o período com luz contínua.
Um dos heróis cultuados na Noruega é Alfred Nobel, químico e engenheiro inventor da dinamite, que nasceu em Estocolmo, Suécia, na época da união entre Suécia e Noruega.
Graças à sua invenção a Noruega pôde construir longos túneis de vários quilômetros para permitir circular por terra no terreno acidentado. Decepcionado por ver sua invenção usada para guerras, deixou testamento destinando 94% de sua fortuna para instituir uma premiação que reconhecesse anualmente pessoas e organizações, cujas pesquisas ou descobertas trouxessem os maiores benefícios à humanidade, em cinco áreas: Física, Química, Medicina, Literatura e Paz.
Circular pelos famosos fiordes noruegueses é uma experiência única. O degelo de antigas geleiras permitiu que o mar penetrasse entre as montanhas. Imagine você embarcar em um navio de cruzeiro e navegar entre altas montanhas a 200 km da costa. Os fiordes chegam a ter 1.300m de profundidade e poucas dezenas de metros de largura. De repente surgem outro navio cruzeiro entre as montanhas à sua direita. É uma experiência surreal.
Em Balestrand sentei-me na famosa "cadeira da guerra" no Kviknes Hotel, onde o Imperador alemão Guilherme II (o "Kaiser") estava sentado em 25 de julho de 1914 quando recebeu a notícia do início da Primeira Guerra Mundial.
Os descendentes dos vikings são altos e belos, com suas cabeleiras loiras. Em um restaurante junto a um dos fiordes vi como atendentes quatro das mais belas mulheres que encontrei nessas viagens. Numa mesa separada quatro homens distintos, elegantemente vestidos, destacando-se da multidão. Imaginei que fossem dirigentes de grandes empresas numa reunião de negócios, mas eram simplesmente os motoristas de nossos ônibus.
A descoberta de petróleo e gás e a boa aplicação em um fundo soberano, que administra o maior fundo de investimentos do mundo, garante o futuro das próximas gerações.
Os vikings preservam seus barcos característicos, de borda alta, e mostraram a famosa remada nos jogos da Copa do mundo, onde despacharam o Brasil com uma cabeçada e um petardo de seu craque, o gigante Erling Haaland.
Vendo o belo futebol da França, a disposição dos jogadores de Cabo Verde e do Egito, e a admirável virada da Argentina, que não se entrega nunca, parece evidente que temos muita coisa para mudar neste desnorteado País que há mais de vinte anos não acha o caminho do gol.

09/07/2026

EU NÃO DISSE? (publicado em 1º.07.26)

Na última crônica comentei que países emergentes estavam surpreendendo na Copa do Mundo e que não existe mais João-bobo. Todo mundo sabe jogar futebol e mesmo alguns países pouco conhecidos tem seus melhores jogadores atuando na Europa.
O Japão já vinha numa trajetória crescente e enfrentou de igual para igual a poderosa Holanda e também o Brasil. Nossa seleção levou um sufoco de Marrocos, seleção que na última copa disputou a semifinal, e levou um susto do Japão, mas conseguiu vencer
Equipes menores, como Cabo Verde, Costa do Marfim, África do Sul e Gana também têm feito partidas corajosas contra potências mundiais. Seleções sem tradição tem proporcionado belos jogos, bem disputados.
A inesperada derrota da Alemanha para nosso vizinho Paraguai tirou um dos fortes concorrentes ao título mundial.
A história clássica de que o futebol foi inventado na Inglaterra e se espalhou pelo resto do mundo é contestada por muitos historiadores.
Há uma teoria fascinante que sugere que os indígenas guaranis já jogavam um esporte similar ao futebol quando os jesuítas se instalaram no século XVII. Este esporte, conhecido como "manga ñembosarai", era praticado com os pés. A prática foi documentada por jesuítas e outros testemunhos, como o sacerdote espanhol Bartomeu Meliá, que descreveu o jogo como uma recreação dominical na praça do povoado jesuíta. A teoria de que os guaranis inventaram o futebol é defendida por um documentário paraguaio e é respaldada por registros históricos que mencionam a existência de regras e apostas durante as partidas.
Se é verdade não sei, mas que os paraguaios mandaram a Alemanha para casa não há dúvida.
Outra candidata ao título, que voltou mais cedo, foi a Holanda. A outrora “laranja mecânica” apodreceu perante Marrocos. Eles já tinham dado um sufoco em nossa seleção e deram um verdadeiro baile nos Países Baixos, com 720 passes certos a 290, com 92% de acerto, e 70% de posse de bola.
O Brasil, vai enfrentar a Noruega com seu gigante Haaland. Nossa defesa pode se preparar para os cruzamentos na área. Não dá para bobear. É jogar fechadinho e sair rápido para o ataque. Que nossos craques estejam inspirados pois é difícil jogar contra uma retranca.
Argentina, Espanha e França ainda estão no páreo. México está jogando um futebol bonito, mas Inglaterra e Portugal podem surpreender.
Não há como falar de outro assunto porque aqui, em pleno jogo do Brasil, Dona Michelle resolveu “chutar o balde” pra valer. Se fosse no tênis, esporte que pratico atualmente, seriam dezenas de bolas para tentar recolher, mas se for de água, não há mais o que fazer.
E as eleições estão aí.

08/07/2026

Crônica: NÃO EXISTE MAIS JOÃO-BOBO (publicado em 23.06.26)

Nas brincadeiras infantis, o João-Bobo era o menino que f**ava no centro da roda enquanto os companheiros trocavam passes entre si. Enquanto não conseguisse tocar na bola, deveria continuar tentando até conseguir interceptá-la. No caso de êxito, seu lugar era tomado pelo último que errou o passe.
No futebol profissional também se adota a roda de bobinho como forma de aquecimento e recreação.
A origem da expressão é atribuída a uma ave - Nystalus chacuru - que quando percebe a aproximação de um predador adota uma estratégia de defesa instintiva: permanece completamente imóvel, como uma estátua. Se mesmo assim for capturada, ela se finge de morta. Por parecer "boba" ou "fácil de pegar" ao f**ar paralisada, os observadores passaram a chamá-la de "João-Bobo".
Na cultura portuguesa o João-Bobo dos contos de fadas é utilizado como personagem folclórico ingênuo, pessoa fácil de manipular.
A história do João-Bobo também faz parte do folclore brasileiro e foi consagrada na literatura infantil por autores como Ana Maria Machado.
Na história o menino João sempre foi considerado "bobão" e alvo de chacotas na aldeia onde vivia. Sempre que a mãe o mandava fazer alguma tarefa, ele acabava fazendo grandes confusões. Em uma de suas andanças atrapalhadas ele conseguiu fazer rir a triste filha de um fazendeiro. Como o pai havia prometido a mão da moça para quem a fizesse sorrir, João se casa com ela.
Na supercopa do mundo deste ano, em três países e com 48 seleções, os doze grupos foram organizados de forma a não se cruzarem na primeira fase os países tradicionais. Os melhores foram cabeças de chave, logo seguidos por times emergentes, médios e fracos.
Com a Itália fora, por não ter se classif**ado pela terceira vez, vencida pela Bósnia, na repescagem, Brasil, Argentina, Alemanha, Espanha, França, Portugal, Inglaterra, Holanda e os anfitriões, Estados Unidos da América, México e Canadá, mais a Bélgica, lideram os grupos.
No entanto os times considerados fracos estão surpreendendo. O Japão já vinha numa trajetória crescente e enfrentou de igual para igual a poderosa Holanda. O Brasil levou um sufoco de Marrocos, seleção que na última copa disputou a semifinal. Depois venceu o fraco Haiti.
Noruega e Estados Unidos estão chamando a atenção como as grandes surpresas e "zebras" do torneio. Equipes menores, como Cabo Verde, Costa do Marfim e Gana também têm feito partidas corajosas contra potências mundiais. Seleções sem tradição tem proporcionado belos jogos, bem disputados. Vê-se claramente que passou o tempo do Brasil passar na fase classif**atória goleando todos os adversários. Hoje não há na América Latina, na África ou no Caribe, times de João-Bobo. Todo mundo sabe jogar futebol, com jogadores atuando em times europeus.
Na segunda fase da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira cruzará com uma equipe do Grupo F, composto por Japão, Holanda e Suécia, com a Tunísia já desclassif**ada.
Os possíveis adversários dependem da colocação do Brasil no Grupo C. Se terminar em 1º lugar, enfrentará o 2º colocado do Grupo F (atualmente o Japão). Se terminar em 2º lugar, enfrentará o 1º colocado, atualmente a Holanda. Se f**ar em terceiro, deverá rezar para f**ar entre os oito melhores terceiros, ou seja, é preciso muito esforço para f**ar fora. Somados aos 24 classif**ados, dali em diante é mata-mata.
Algumas grandes seleções estão confirmando. Argentina é Messsi, o maior goleador em Copas, mesmo errando pênalti. França tem Mbappe, a Holanda tem Depay, a Noruega tem Haaland, Portugal tem Cristiano Ronald. O Brasil, por enquanto, só confirmou Vini Júnior.
Vozinha, o goleiro de Cabo Verde, com seus 40 anos e grandes defesas, viralizou nas redes sociais, saltando de 50 mil para 15 milhões de fãs, graças à CazéTV, essa sim a grande destaque da Copa do Mundo, com sua elogiada transmissão gratuita de todos os jogos da copa, quebrando a hegemonia de emissora tradicional. Esses não tem nada de bobo.

02/07/2026

Crônica: COM A SELEÇÃO NA CARTEIRA (publicado em 16.06.26)

Até pode não parecer, mas sou bem antigo. A primeira Copa do Mundo que me lembro foi a de 1958 na Suécia. Eu tinha dez anos e acompanhamos os jogos pela Rádio Guaíba, no rádio do vizinho, pela voz marcante de Mendes Ribeiro. Ele transmitia uma emoção em cada lance que parecia sempre na iminência de um gol.
A final contra a Suécia terminou em 5 a 2. Um menino de 17 anos, que depois seria reconhecido como rei do futebol, Pelé, marcou dois gols, tendo Vavá feito ouros dois, com cruzamentos de Garrincha, o craque das pernas tortas. Zagallo completou o escore.
O interessante que os donos da casa fizeram o primeiro gol. Didi, o craque da “folha seca”, pegou a bola de dentro do gol brasileiro, colocou-a debaixo do braço e caminhou calmamente para o centro do campo. Acalmando os companheiros disse: “vamos encher esses gringos de gols”.
Eu sabia de cor a escalação da seleção e tinha uma carteira com a foto de todos os jogadores. Havia até um Moacir que ficou na reserva. A foto do capitão Bellini levantando a taça ficou eternizada na história.
A copa de 1962 no Chile pareceu uma tragédia anunciada. A lesão de Pelé na segunda rodada, no tempo em que não cabia substituições. Substituído por Amarildo nos jogos seguintes, a conquista teve como grande estrela novamente Garrinha. A vitória de 3 a 1 sobre a Tchecoslováquia garantiu o bicampeonato.
Na copa do mundo de 1966, o Brasil tinha tantos craques que não se sabia a quem convocar. O treinador Vicente Feola acabou convocando 47 jogadores, lista que foi deputada na véspera da Copa.
O desfile de estrelas não formou um time competitivo que acabou caindo na primeira fase com derrotas para Hungria e Portugal por três a um.
Não foi tão ruim, pois eu e um colega tínhamos organizado um “buquiméqui” e o segundo gol de Eusébio, para Portugal, quase ao final do jogo, garantiu-nos uma boa renda, pois só uma pessoa havia marcado derrota do Brasil, mas por 2 a 1!
A Copa de 1970 foi a consagração do futebol vistoso do Brasil, encantando o mundo. Depois tivemos a “laranja mecânica” da Holanda, do craque Johan Cruyff, em 1974, mas a supremacia na final do “kaiser” Franz Beckenbauer.
A Copa de 1978 foi vencida pela Argentina em campos embarrados e úmidos, em pleno inverno da América do Sul. A polêmica dos 6 x 0 sobre o Peru, que classificou a Argentina, fez com que o invicto Brasil f**asse fora da final, sendo seu “campeão moral”. O Peru jogou aberto, no clássico esquema 4 x 3 x 3, e perdeu para a determinação e empenho dos argentinos que sabiam qual o saldo de gols que precisavam fazer...
A Copa de 1982 premiou a Itália, que se classificou sem ganhar nenhum jogo, com destaque para Paolo Rossi, e a de 1986 novamente a Argentina, com destaque para Diego Maradona.
Em 1990 a Alemanha derrotou a Argentina na final, redimindo-se da derrota em 1986.
Não festejei a vitória nos pênaltis do tetra do Brasil em 1994, com Romário e Bebeto, pois condoí-me do erro na cobrança de Roberto Baggio, um dos melhores craques do torneio, chamado a jogar a final embora lesionado.
A Copa de 1998 premiou a Franca e seu craque Zinédini Zidane e a de 2002 deu o penta ao Brasil. Desde então persegue o hexa, tentando esquecer o vexame do 7 x 1 para a Alemanha em 2014.
Os primeiros trinta minutos na estreia contra Marrocos no último sábado deram-me um calafrio na espinha. Vamos confiar que apareça um Didi no meio deles pois o Neymar anda capenga...

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