09/08/2026
Meu pai faleceu em 2021, na pandemia.
Não pude me despedir. Ninguém podia, naquele tempo. Ele entrou no hospital e a última conversa que a gente teve não foi uma conversa de despedida — foi uma conversa qualquer, dessas que a gente tem achando que vai ter outras.
Ele era meu pai, meu amigo, meu herói. Tivemos nossas diferenças, como todo pai e filho têm. Nada disso importa agora. O que ficou foi o tamanho da falta.
Escrevo isso no Dia dos Pais porque é o dia em que a ausência pesa mais — e porque sei que não sou o único.
Para quem também perdeu: o dia de hoje é difícil, e tudo bem que seja. A saudade é do tamanho do que a gente teve.
E para quem ainda tem: liga. Vai almoçar. Escuta aquela história que você já ouviu vinte vezes. Diz o que você acha que ele já sabe — porque um dia você vai querer ter dito.
Ter pai vivo é uma dádiva que só se enxerga inteira depois.
Feliz Dia dos Pais.