09/09/2025
"Oi, sumida! Cadê você?"
"O que aconteceu, você não parece bem?"
Essa tem sido as perguntas que mais tenho escutado nos últimos tempos.
Não por preocupação, talvez, por curiosidade.
A verdade é que precisei desacelerar.
Estou vivendo, novamente, um processo de burnout e isso me fez colocar em perspectiva aquilo que realmente importa e venho negligenciando: minha filha, minha família, minha saúde e meu ofício.
Sei que minha ausência não é lida como falta.
Afinal, mulheres negras que lideram, que cobram responsabilidade, que não se calam, que subvertem e enfrentam, quase nunca são vistas com afeto.
Somos lidas e estereotipadas como duras, arrogantes, prepotentes, opressoras, violent4s. (será que mulheres brancas são lidas, assim, também, na mesma posição?)
Mas, essa também é a face de quem precisar lutar para existir e sobreviver num sistema que foi moldado para nos m4tar: física, política e psicologicamente.
E pasmem, ele (o sistema), continua ganhando!
Quantas de nós, não estão exaustas e dizendo "chega"?
(estamos em Setembro, o "Amarelo", e muitas já "desistiram")
Mulheres como eu, carregam tanto e foram projetadas e condicionadas a estar, sempre, entregando, pois, se não for assim, elas não são necessárias ou úteis, são descartáveis, que, simplesmente, se desumanizam, não aceitam a vulnerabilidade e que precisam e podem parar!
O que precisei entender é que, quando precisamos nos recolher, não se trata de desistência.
Trata-se de cuidado.
Trata-se de não permitir que a maior ausência seja a de nós mesmas em nossas próprias vidas.
Hoje, estou me permitindo o cuidado, a cura, o auto perdão e a retomada no meu tempo.
Meu sumiço e meu silêncio é tecnologia ancestral de sobrevivência!
Minha maior militância, agora, é estar e ficar viva!
E eu fiz um acordo com ele...o tempo!
Porque presença não é só estar: É estar inteira.
E é preciso lembrar: não precisamos dar conta de tudo. Precisamos dar conta de nós.
Agora, é hora de voltar, mas de volta pra mim🌻💛