24/09/2026
Prosa democrática ✊🏾✅
Para os povos e comunidades tradicionais do Brasil, ter acesso à terra e ao território significa preservar sua identidade tradicional, seus modos de vida ancestrais e o meio ambiente. Para a agricultura familiar, significa produzir os alimentos que chegam à mesa da maior parte da população. A garantia dos direitos aos povos do campo, das águas e florestas poderia beneficiar toda a sociedade, mas ainda esbarra na concentração fundiária do campo brasileiro.
Conforme o Censo Agropecuário de 2017¹, as pequenas propriedades rurais representam mais de 80% dos estabelecimentos rurais no Brasil, mas ocupam apenas 12,77% da extensão de terras; por outro lado, as grandes propriedades ocupam 32,84% da área total, embora sejam menos de 2% dos estabelecimentos. Boa parte desta terra ocupada é de terras devolutas (terras públicas, com registros particulares em cartório com origem em fraudes ou ilegalidades, como grilagem de terras), ou mesmo sem registro. O Estado tem o dever constitucional de identificar e arrecadar estas terras e destiná-las conforme a política nacional de reforma agrária e a política agrícola.
A Bahia é um exemplo do que acontece quando o poder público deixa de cumprir a sua obrigação. O estado ocupa o terceiro lugar em conflitos no campo na série histórica 1985-2023, do Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro² da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Além disso, no último ano, registrou 116 conflitos³, que atingiram cerca de 10 mil famílias submetidas a pistolagem, invasões e criminalização de suas lutas.
O voto estratégico pode ser o início das mudanças que queremos na luta por terra e território. Por isso, é tão importante saber se suas/seus candidatas/os estão dispostos a promover políticas efetivas de reforma agrária e fortalecimento da agricultura familiar que deem conta da luta por reparação de comunidades e movimentos sociais de luta pela terra.
📌Acesse também sites úteis como https://divulgacandcontas.tse.jus.br/ e https://www.congressonacional.leg.br/ para saber mais!
¹ IBGE, Censo Agropecuário 2017.
² CPT, Atlas dos Conflitos no Campo Brasileiro (1985-2023), 2025.
³ CPT, Conflitos no Campo Brasil 2025, 2026.