Joana Rodrigues - Trabalho em Foco

Joana Rodrigues - Trabalho em Foco Advogada, professora e mãe. Te ensino a usar as lentes de gênero na advocacia trabalhista.

Na última sexta-feira, dia 08.05.26, passei a integrar o Instituto Bahiano de Direito do Trabalho.A cerimônia de ingress...
14/05/2026

Na última sexta-feira, dia 08.05.26, passei a integrar o Instituto Bahiano de Direito do Trabalho.

A cerimônia de ingresso dos novos membros foi precedida de uma emocionante homenagem ao professor Rodrigues Pinto, jurista maior, intelectual e uma das vozes mais marcantes da construção do Direito do Trabalho brasileiro.

Estar presente nesse momento, ingressando justamente após uma celebração de sua trajetória e legado, tornou a ocasião ainda mais simbólica e especial para mim. grata padrinho. e toda a Diretoria do , recebo essa acolhida com alegria, gratidão e senso de responsabilidade.

Responsabilidade com a tradição de um Direito do Trabalho comprometido com a dignidade humana, mas também com a necessidade permanente de revisitar criticamente suas categorias, seus métodos e suas respostas diante das desigualdades que atravessam o mundo do trabalho.

Talvez, na época de maior intensidade da produção doutrinária do Prof. Rodrigues Pinto, ainda não se falasse em D. Antidiscriminatório do Trabalho, não nos termos em que hoje debatemos. Ainda assim, a própria categoria “reclamante” já revelava sujeitos atravessados por vulnerabilidades e assimetrias de poder. O tempo, contudo, nos impôs ampliar essas lentes: compreender que esse sujeito trabalhador, historicamente tratado de forma universal e abstrata, sempre teve gênero, raça, classe, corpo e território.

É sobre isso que tenho dedicado minha atuação acadêmica e profissional, à reflexão sobre gênero, discriminação e acesso à justiça, especialmente na forma como determinadas violências se manifestam e, muitas vezes, permanecem invisibilizadas nas relações laborais.

E me orgulha especialmente ingressar no Instituto falando sobre persp. intersec. de gênero e sobre a importância das provas indiciárias nos casos de assédio sexual no trabalho. Propondo a reflexão de que talvez o grande desafio do nosso tempo seja justamente impedir que a aparente neutralidade do Direito continue reproduzindo desigualdades históricas.

Que eu possa honrar esse espaço com presença, compromisso intelectual e fidelidade ao sentido constitucional do Direito do Trabalho. 🌹

11/05/2026

Vi um vídeo hoje que me atravessou profundamente.

Uma agente de trânsito é chamada para atender uma ocorrência e ao chegar lá, percebe que se tratava de um “socorro” em situação de violência contra uma mulher. No local, encontra também um bebê, desesperado no colo de familiares, em meio ao caos provocado pela tentativa de feminicídio sofrida pela mãe.

Então ela faz algo que parece simples, mas que carrega uma dimensão imensa de humanidade: pega o bebê no colo e o amamenta para acalmá-lo.

A cena diz muito sobre o mundo em que vivemos.

Enquanto uma mulher era vítima da violência brutal produzida por uma sociedade profundamente misógina, outra mulher usava o próprio corpo para proteger, acolher e sustentar uma criança atravessada por aquela violência.

E talvez exista algo muito simbólico nisso: em uma sociedade que odeia mães — que pune a maternidade, sobrecarrega mulheres, invisibiliza o cuidado e transforma afeto em obrigação silenciosa — são justamente os atos de cuidado que continuam sustentando a vida.

A maternagem aparece ali não apenas como vínculo biológico, mas como prática de proteção, de presença e de humanidade.

Porque maternar também é isso: acolher uma criança que não é sua. Interromper o desamparo. Oferecer cuidado no meio do horror.

Dia das Mães passa. Mas o trabalho invisível do cuidado permanece todos os dias sustentando famílias, relações e a própria sociedade, quase sempre sem reconhecimento, sem divisão justa e sem amparo suficiente.

Talvez por isso cenas assim nos comovam tanto: porque elas nos lembram que, apesar de toda violência, ainda existem mulheres transformando cuidado em resistência.

Eu gostaria que, no Dia das Mães, fosse possível falar apenas de afeto, de presença, de cuidado e de amor.Mas é impossív...
10/05/2026

Eu gostaria que, no Dia das Mães, fosse possível falar apenas de afeto, de presença, de cuidado e de amor.

Mas é impossível ignorar que, no Brasil, milhões de mulheres sustentam sozinhas seus lares e chefiam suas famílias. Segundo dados do IBGE, mais de 10 milhões de domicílios brasileiros são chefiados por mães solo.

E, para essas mulheres, trabalho não é apenas realização profissional: é sobrevivência, dignidade e autonomia.

E os números revelam o tamanho dessa violência: mais de 380 mil mulheres foram demitidas após o retorno da licença-maternidade nos últimos cinco anos, segundo dados do eSocial e do Ministério do Trabalho.

Enquanto homens seguem sendo promovidos mesmo sendo pais, mulheres são desacreditadas, preteridas e punidas profissionalmente por serem mães.

Por trás de cada mãe trabalhadora
existe uma mulher tentando sobreviver a um sistema que romantiza a maternidade, mas penaliza mães reais.

Celebram a maternidade em discurso.
Mas mantêm estruturas que penalizam trabalhadoras por exercerem exatamente esse papel.

Neste Dia das Mães, que a homenagem não venha apenas em flores ou discursos vazios. Que venha em respeito, em direitos, em oportunidades e no reconhecimento de que nenhuma mulher deveria precisar escolher entre existir profissionalmente e maternar.

Feliz dia das mães com direitos, igualdade e dignidade no trabalho.

A faculdade de Direito, há quase 20 anos, me ensinou CLT, jurisprudência e processo do trabalho.Mas não me ensinou e ain...
07/05/2026

A faculdade de Direito, há quase 20 anos, me ensinou CLT, jurisprudência e processo do trabalho.

Mas não me ensinou e ainda hoje, em grande medida, não ensina como gênero, raça e outros marcadores de identidade operam nas relações de trabalho. E como esse silêncio produz injustiça nos tribunais.

Aprendi interseccionalidade fora da grade curricular. Aprendi sobre discriminação indireta estudando teoria antidiscriminatória e feminista por conta própria. E aprendi a usar os Protocolos do CNJ e do TST na prática a partir das demandas concretas da advocacia cotidiana, pesquisando, ensinando e testando caminhos que a formação jurídica não me apresentou.

Isso não é uma crítica pessoal à minha formação. Hoje, inclusive, ensino na mesma universidade em que me graduei. E refaço minhas aulas justamente para transmitir um Direito que, para mim, se tornou inegociável: um Direito atravessado por perspectiva de gênero e por lentes interseccionais.

A crítica é estrutural.
A um modelo de ensino jurídico que ainda sustenta a ideia de um “trabalhador universal” como referência e, junto com ele, outras ficções: a naturalização do poder diretivo como eixo quase exclusivo de legitimação das relações de trabalho, e a recusa em reconhecer como as dinâmicas neoliberais tensionam, moldam e, muitas vezes, esvaziam a própria função protetiva do Direito do Trabalho.

Enquanto isso, seguem invisibilizadas as experiências concretas de quem mais precisa de proteção.

Por isso, se você está na graduação em Direito, f**a aqui um convite e também um compromisso:
1) Não aceite uma formação que ignore a realidade que você vive.
2) Busque um olhar crítico. Questione as neutralidades. Estude para além da grade.

O letramento antidiscriminatório não pode ser um “extra” na sua formação. Ele precisa começar desde agora!

06/05/2026

Se o assédio não tem testemunha, será possível então provar que ele existiu? 🧐

É exatamente isso que o sistema quer que você acredite!!

E é exatamente por isso que tantas mulheres desistem antes mesmo de tentar.

Mas o apego à testemunha como único meio de prova é algo ultrapassado. Apesar de importante, a prova testemunhal direta não é a única, e muitas vezes nem é a melhor.

Prints, áudios, e-mails, mensagens fora do contexto profissional, registros médicos, acompanhamento psicológico, colegas que notaram mudanças no seu comportamento; tudo isso tem valor jurídico.

O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero reconhece que a vítima de assédio vive uma **hipossuficiência probatória:** (uma hiper vulnerabilidade processual) provar é estruturalmente mais difícil para ela, pela peculiaridade insidiosa da conduta.

Por isso essas provas, analisadas em conjunto e com perspectiva interseccional de gênero, conferem peso e legitimidade ao seu depoimento.

Você não precisa, necessariamente, de testemunhas para ser acreditada. ‼️Você precisa de estratégia!!

Se você está passando por isso, me conta nos comentários ou nos (.adv) chama por Dm. Você não precisa enfrentar sozinha!!

📲E se você achou que o conteúdo por ajudar outras mulheres, salve e compartilhe!!

🔗 Acesse o link na bio.

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Ela me disse, logo no início, que não tinha certeza se valia a pena. Que talvez fosse sensibilidade demais. Que outras c...
05/05/2026

Ela me disse, logo no início, que não tinha certeza se valia a pena. Que talvez fosse sensibilidade demais.
Que outras colegas passavam pela mesma coisa e não reclamavam.

Ouço isso com frequência e sempre me afeta da mesma forma.

A violência que se normaliza é a mais difícil de combater juridicamente. Não porque a lei não a protege. Ela protege. Mas porque a própria mulher, depois de tanto tempo sendo desacreditada, começa a duvidar da validade da sua própria experiência.

Parte do meu trabalho é exatamente isso: validar desconfortos, ajudar a nomear o que aconteceu, mostrar que tem fundamento jurídico e que há caminhos possíveis.

Não é preciso ter certeza absoluta antes de buscar orientação. A consulta existe justamente para isso; para que você entenda o que viveu e quais são suas alternativas jurídicas.

Se algo no seu ambiente de trabalho não parece certo, confie na sua percepção. Consulte uma advogada que atue com perspectiva interseccional de gênero e que possa te mostrar as melhores estratégias para te proteger e para garantir os seus direitos.

📍Escrevo isso a partir de um contato que recebemos hoje no escritório: uma mulher buscando entender se o que vive no trabalho é, de fato, assédio e quais provas poderia reunir. .adv e eu sabemos o quanto a dúvida dela é mais comum do que deveria e é exatamente aqui, que a consultoria faz diferença.

01/05/2026

1º de Maio nunca é só uma data no calendário por aqui.

Para quem vive o Direito do Trabalho todos os dias e, no meu caso, olhando especialmente para as desigualdades que atravessam a vida das mulheres, é impossível não falar sobre o que ainda precisa ser transformado.

Diferença salarial.
Dispensas discriminatórias.
Assédio moral e sexual em crescimento.

Essas são algumas das expressões mais visíveis de um problema estrutural.

Mas tem uma outra, menos nomeada e igualmente potente: a dificuldade de as mulheres chegarem e permanecerem nos espaços de poder.

Nos últimos dias, por exemplo, voltou ao debate público a importância da indicação de uma mulher negra para o STF. E não por acaso.

Quando olhamos para as estruturas de poder, o padrão se repete: as mulheres são maioria na base, mas vão desaparecendo à medida que a hierarquia sobe.

O Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero tem um nome para isso: segregação vertical.

Não se trata de escolhas individuais isoladas.
Se trata de um sistema que exige mais, cobra mais e impõe custos diferentes — especialmente para as mulheres.

E é sobre isso que eu falo no episódio de hoje.

A partir de um dado aparentemente solto “sobre quem chega ao topo”, a gente consegue enxergar muito sobre o mercado de trabalho onde estamos inseridas.

Assista!!
🎙️ Protocolo Sem Protocolo é uma série sobre o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero: com olhar interseccional, linguagem acessível e as perguntas que a gente não pode parar de fazer.

Neste 1º de Maio, ainda é preciso dizer o óbvio que ainda se tenta esconder: não existe igualdade no trabalho enquanto o mundo corporativo e o mercado de trabalho em geral, seguir ignorando os atravessamentos que marcam as trajetórias das mulheres e naturalizando a ausência delas nos espaços de poder.

28 de abril: Dia em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho. Abril Verde.A data não fala apenas de acidentes visíve...
28/04/2026

28 de abril: Dia em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho. Abril Verde.

A data não fala apenas de acidentes visíveis. Também precisa nos fazer olhar para os adoecimentos silenciosos, aqueles que não deixam marcas imediatas, mas comprometem profundamente a saúde de quem trabalha.

O burnout é um deles. E é importante dizer com clareza: não se trata de um simples “cansaço”. É um processo de adoecimento relacionado à exposição prolongada a riscos psicossociais no trabalho como ASSÉDIO, sobrecarga, metas abusivas e ambientes organizacionais adoecedores.

O burnout é caracterizado como doença ocupacional e deve ser equiparado a acidente de trabalho para fins de repercussões jurídicas como estabilidade, FGTS, benefícios previdenciários e indenização.

Os dados mais recentes apontam o crescimento expressivo dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil. E isso não é por acaso. Os fatores psicossociais estão no centro desse cenário e seguem, muitas vezes, invisibilizados.

Mulheres adoecem mais! Não por fragilidade, mas porque acumulam jornadas desiguais, sustentam o trabalho de cuidado e enfrentam, com mais frequência, violências e pressões estruturais.

Portanto, falar de saúde e segurança no trabalho, hoje, também é falar de saúde mental. Sobretudo de saúde mental das mulheres!!Cuidar não é só tratar quem adoeceu; é interromper a lógica que adoece!!

Se o trabalho está te adoecendo, isso não pode ser naturalizado.
📲 Compartilhe esse post com quem precisa ler isso.

24/04/2026

Ontem foi o Dia do Livro e eu lembrei desse vídeo que estava guardado desde o início do ano. 📚

Resolvi postar porque algumas leituras simplesmente não têm prazo de validade.

Esses foram alguns dos livros que marcaram meu 2025 e que seguem sendo fundamentais pra minha atuação na advocacia com perspectiva de gênero e também na pesquisa, nas aulas e nas palestras.

Tem desde discussões sobre trabalho reprodutivo e pobreza de tempo, até críticas à colonialidade nas normas de proteção à maternidade, passando por reflexões essenciais sobre interseccionalidade e justiça para mulheres negras.

E, claro, o protocolo também entra na lista. Porque mais do que leitura, ele é instrumento de atuação e precisa estar presente no nosso dia a dia, especialmente pra evitar práticas como a revitimização e o uso de estereótipos no sistema de justiça.

Se você quer começar (ou aprofundar) esse olhar no Direito em 2026, essa lista é um ótimo ponto de partida:

📍SALADINI, Ana Paula Sefrin. O Trabalho Invisível de Cuidado: Pobreza de Tempo e Equidade de Gênero.

📍”A colonialidade de gênero, ao invisibilizar saberes e experiências, opera na definição de quem são as mulheres merecedoras da proteção trabalhista” (TEIXEIRA, 2013, p. X).

📍VAZ, Lívia Sant’Anna; RAMOS, Chiara. A Justiça é uma Mulher Negra. Belo Horizonte: Casa do Direito, 2021.

📍CORREIA, Elise; MATOS, Larissa; SUTTI, Erazê (Org.). Direito do Trabalho Antidiscriminatório. [Cidade da Editora]: Mizuno, 2025.

📍BRASIL. TST; CSJT. Protocolo para atuação e julgamento com perspectiva antidiscriminatória, interseccional e inclusiva. Brasília: TST/CSJT, 2024.

Agora me conta: qual livro te atravessou recentemente? ❤️‍🔥📚





Nós, ele, a vida e o Rock.❤️‍🔥Nem tudo é sobre a música.  Mas, no fundo, é sempre sobre o tempo.Aos poucos, nossos mundo...
16/04/2026

Nós, ele, a vida e o Rock.❤️‍🔥

Nem tudo é sobre a música.
Mas, no fundo, é sempre sobre o tempo.

Aos poucos, nossos mundos começam a se encontrar de um jeito novo. Ele atravessou aquela linha invisível entre a infância e outra coisa ainda não adulta, mas já muito própria.

Seguimos hoje embalados por Guns e Raimundos, mas, cada vez mais, aprendendo a dividir não só a rotina, mas também os desejos, os gostos, os momentos.

“Mãe, você está linda hoje. Gostei da sua roupa.”
Disse ele.
Fiquei ligeiramente surpresa, mas só agradeci, sem alarde. 😍😅

Fora do compasso da maternidade do dia a dia, como quem observa de longe a própria criação, gosto do que vejo. E me emociono.

Mas um show pra conta, filho.

Te amo!!

Foi cobrar o que era dela…e saiu num camburão, na frente da própria filha.Uma diarista, mulher negra, nordestina, recém-...
12/04/2026

Foi cobrar o que era dela…
e saiu num camburão, na frente da própria filha.

Uma diarista, mulher negra, nordestina, recém-chegada a São Paulo, atravessa a cidade e pisa na Avenida Paulista.
Não pra pedir ajuda.
Mas pra exigir o pagamento por um trabalho que já foi feito.

Chamaram a polícia. E, como tantas vezes acontece, o sistema escolheu quem seria a “culpada”.

A cena não é nova.
Ela só muda de cenário.

Em Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus escreveu:

“O custo de vida nos obriga a não ter nojo de nada.”

Décadas depois, a lógica permanece: mulheres seguem sendo empurradas para sobreviver como podem e punidas quando ousam exigir mais do que a sobrevivência.

Quando ela cobra, o sistema responde. Não com pagamento, mas com repressão.

Porque reconhecer esse trabalho como trabalho exigiria desmontar uma estrutura inteira que ainda se sustenta na exploração invisível dessas mulheres.

O policial ainda diz: ela “resistiu”.

Mas me diga: resistiu a quê?
À injustiça?
À humilhação?
Ao apagamento histórico de que sua profissão — diarista — é, em si, fruto de um arranjo legislativo escravocrata e ra***ta para negar o reconhecimento do seu trabalho com proteção celetista?

A verdade é que, quando essa mulher rompe o silenciamento que lhe foi imposto, quando atravessa a cidade e diz “me pague”…
ela não está só cobrando um valor.
Ela está se recusando a aceitar a exploração como destino.
Ela está exigindo dignidade.

A punição por tamanho “atrevimento” veio inclusive diante da filha, como forma de ensinar até onde o entrelaçamento entre gênero, raça e classe é autorizado a ir. 😭

Não é um caso isolado.
E me atingiu em cheio, porque me fez lembrar de um doloroso caso do escritório que segue em grau de recurso.

Uma trabalhadora doméstica, gestante, foi dispensada por justa causa por “falta grave”, depois de questionar descontos indevidos e f**a com uma 1 fatídica folha de ponto.
Desmaiou na porta do prédio após uma discussão. E no processo, o “patrão” disse que ela “se jogou no chão”.

No fim, não é sobre um caso.
É sobre quantas vezes a dor dessas mulheres é reescrita como culpa.

Que está moça seja acolhida e assistida juridicamente. E que tenha reparação!

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Salvador, BA

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