25/09/2026
Hoje eu fui lutar pelo direito de uma cliente de ter seu processo apreciado e julgado em tempo razoável e terminei tendo que lutar também pelo meu direito de exercer a advocacia sendo mãe.
A babá do meu filho faltou e, como acontece com tantas mães, eu precisei me virar. Trabalhar, atender clientes, cumprir minhas obrigações profissionais, cuidar do meu filho e fazer o dia acontecer.
Ao tentar atendimento em uma Vara do Trabalho de Curitiba/PR, depois de já ter aguardado no Balcão Virtual, liguei para a unidade porque precisava solicitar um despacho com o magistrado.
Eu estava ali por uma razão muito objetiva: defender um cliente. Exercer a minha profissão. Buscar que o processo dele fosse apreciado dentro de um tempo justo.
Durante a ligação, meu filho começou a chorar.
E ouvi de um servidor que não conseguia me atender por causa do choro do meu filho.
Naquele momento, eu já estava fazendo um esforço enorme para que um imprevisto pessoal não interferisse no meu trabalho. Estava me desdobrando para continuar cumprindo minhas responsabilidades profissionais e, ao mesmo tempo, estar presente para o meu filho.
Eu não estava pedindo favor.
Não estava pedindo privilégio.
Estava exercendo a advocacia e defendendo o direito de um cliente.
A maternidade não apaga a profissional que existe em mim.
Meu filho chorando ao fundo não me torna menos preparada, menos séria ou menos merecedora de respeito.
E nenhuma mulher deveria ter seu exercício profissional dificultado simplesmente porque, naquele momento, também estava exercendo o papel de mãe.
O ocorrido foi levado à Corregedoria da Mulher para a devida apuração.
Hoje fui lutar pelo direito do meu cliente.
E acabei precisando lutar também pelo meu.