08/06/2026
O programa de compliance pode estar tecnicamente perfeito e, ainda assim, não funcionar.
Não por falta de recursos. Não por falta de independência do profissional responsável pela área. Mas por uma premissa equivocada sobre como as pessoas decidem.
Estruturas de integridade corporativa foram desenhadas para impedir um tipo de transgressão que praticamente não existe: aquela em que o executivo calcula custos e benefícios antes de transgredir. A ciência comportamental já demonstrou que não é assim que funciona. O desvio ético não começa com uma grande fraude. Começa com a primeira pequena concessão que ninguém nota, e que reduz progressivamente a sensibilidade do indivíduo a transgressões maiores.
Os escândalos corporativos brasileiros da última década confirmam o padrão: a fraude prosperou dentro de estruturas com códigos, comitês e auditorias de grandes firmas. O aparato formal estava lá. Não foi ele que descobriu o desvio.
O que falta não é mais regra. É redesenho do ambiente em que as decisões éticas são, de fato, tomadas.
Nosso sócio Rodrigo Bertoccelli aprofunda esse argumento em artigo publicado recentemente no Poder360, com quatro movimentos concretos para programas que queiram sair do checklist e chegar ao comportamento real.