O Núcleo Entretempos foi criado em 2010 com objetivo de formar profissionais e produzir leituras atualizadas e práticas inovadoras a partir de questões emergentes no campo de atenção à população considerada em vulnerabilidade social.
É composto por psicólogas que tem em sua trajetórias profissionais experiências de atuação em serviços ligados diretamente à garantia de direitos de crianças e adole
scentes, bem como experiências de consultoria em avaliações de projetos ligados à área social, experiência de formação de profissionais, além de formação na área acadêmica e em psicanálise. Entendemos que essa abrangência de atuação permite a proposição de estratégias de formação sintonizadas com os novos desafios propostos pelo Sistema Único de Assistência Social e outros marcos legais da área (Estatuto da Criança e do Adolescente, Sinase, Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária, Estatuto do Idoso, entre outros). Tais legislações, ao localizarem-se no prisma da garantia de direitos, bem como ao propor a municipalização dos serviços e sua articulação intersetorial em rede, estabelecem novos paradigmas para a sociedade civil e, em especial, para os serviços de atendimento. Com essa mudança de visão, advém desafios tais como a construção de novas práticas coerentes com o plano político-jurídico atual, que implicam na necessidade de se pensar em novos modelos formação de profissionais e produção de conhecimento que sustentem e proporcionem consistência a essas novas práticas. Entendemos que formações que apresentem o contexto político e histórico dos serviços de atenção à população em vulnerabilidade social, bem como os principais conceitos envolvidos, são importantes na medida em que permitem que o profissional se situe dentro de um contexto e conheça os dispositivos da rede. Porém, sabemos que os profissionais que trabalham nesse contexto entram em contato com histórias violentas, cruas e viscerais. Assim torna-se desafio propor estratégias de formação que permita a circulação dessas dificuldades e a elaboração das afetações decorrentes desses encontros. Nesse sentido, consideramos que a formação de profissionais deve privilegiar questões e incômodos advindos da prática cotidiana, de modo com que sua reflexão proporcione produção de conhecimento e articulações políticas.