24/09/2026
Um imóvel pode ter o usufruto reservado aos pais enquanto a nua-propriedade é transferida aos filhos. Mas isso não significa que a parte pertencente a um dos proprietários fique protegida contra suas dívidas.
Em decisão recente, a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a penhora da nua-propriedade pertencente a um devedor, mesmo com usufruto vitalício reservado aos pais.
Para o Tribunal, o usufruto permanece preservado: os usufrutuários continuam com o direito de posse, uso e percepção dos frutos do imóvel até a extinção do usufruto. O que pode ser atingido pela execução é a parte do imóvel que pertence ao devedor.
O STJ também considerou relevante o fato de o devedor constar na matrícula como adquirente do bem. Nesse contexto, a alegação posterior de que os recursos utilizados na aquisição teriam origem em doação não foi suficiente para afastar a penhora.
Na prática, o usufruto vitalício não funciona como uma proteção absoluta contra dívidas. A nua-propriedade do devedor pode ser penhorada e até levada a leilão, mas sempre respeitando os direitos do usufrutuário.
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