07/08/2026
Em 7 de agosto de 2006, o Brasil sancionava a Lei nº 11.340, a Lei Maria da Penha. Hoje, 20 anos depois, ainda há muito a se reconhecer.
A violência doméstica deixou de ser tratada juridicamente como um problema privado, uma desavença de casal ou um assunto a ser resolvido “dentro de casa”. Consolidamos mecanismos de proteção, ampliamos as medidas protetivas de urgência, reconhecemos diferentes formas de violência, criminalizamos a violência psicológica e, mais recentemente, tornamos o feminicídio crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos.
Construímos, ao longo dessas duas décadas, um dos mais importantes marcos jurídicos brasileiros de proteção às mulheres. E, ainda assim, continuamos matando mulheres. Somos o 5o país que mais mata mulheres e os números mais recentes são devastadores.
Segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher – RASEAM 2026, do Ministério das Mulheres, 1.548 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025, ou seja, é uma mulher morta por ser mulher aproximadamente a cada 5 horas e 40 minutos. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 apresenta número ainda maior: 1.571 feminicídios em 2025, recorde da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
E há um dado ainda mais perturbador: enquanto as mortes violentas intencionais caíram no país, os indicadores relacionados à violência doméstica e de gênero cresceram. Portanto, 20 anos depois, há de se questionar se temos leis tão avançadas, por que continuamos matando tantas mulheres?
Ora, nenhuma lei, sozinha, transforma uma cultura secular e todos já sabemos que a violência contra a mulher não começa no feminicídio. O feminicídio é o ponto final de uma trajetória de desigualdade, controle, humilhação, desumanização e violência que começou muito antes.
Por isso, se queremos realmente enfrentar a violência de gênero, precisamos começar pela base, e claro, da educação. E não, não estamos falando de “identitarismo”. Estamos falando de ensinar às crianças aquilo que deveria ser elementar em qualquer sociedade democrática: homens e mulheres têm os mesmos direitos, a mesma dignidade e a mesma liberdade. >>>continua nos comentários >>>>