O Projeto Autista na Estrada promove o uso do crachá de identificação e a luta por acessibilidade e inclusão. Carlos Roberto Neher é autista adulto, produtor de conteúdo, palestrante e articulador de projetos públicos voltados à neurodiversidade, autonomia funcional e valorização da vida. Diagnosticado dentro do espectro do autismo com altas habilidades, viveu diferentes níveis de suporte ao longo
da vida, tendo evoluído funcionalmente por meio de processos terapêuticos, disciplina pessoal, construção de consciência social e responsabilidade individual. Sua trajetória não se construiu a partir de tutela permanente, mas da prática cotidiana de circulação social, trabalho, produção artística e enfrentamento direto das limitações e riscos reais impostos tanto pelo mundo quanto pelo próprio espectro. Carlos percorreu diferentes contextos institucionais, culturais e urbanos, adquirindo experiência concreta em mediação social, comunicação preventiva e uso de ferramentas simples — como o crachá — para reduzir conflitos, ruídos e exposições desnecessárias. Sobrevivente de um período crítico marcado por uso abusivo de substâncias, internações psiquiátricas prolongadas e uma experiência de quase-morte, reconstruiu sua vida a partir de um compromisso ético com a lucidez, a prevenção e a responsabilidade. Essa vivência fundamenta sua atuação firme na prevenção ao uso de drogas, especialmente em contextos de vulnerabilidade neurodivergente, sem romantização, sem discurso moralista e sem negacionismo clínico. Atualmente, Carlos desenvolve projetos itinerantes que integram ciência, ética, espiritualidade aplicada e políticas públicas, defendendo que autonomia não significa ausência de suporte, mas gestão consciente das próprias condições. Seu trabalho propõe uma visão adulta do autismo: nem vitimização, nem idealização — apenas realidade, método e possibilidade concreta de evolução funcional. No Projeto Autista na Estrada, Carlos não atua como objeto de estudo nem como símbolo abstrato. Atua como sujeito em movimento, colocando o corpo, a trajetória e a experiência real a serviço da educação coletiva, da redução de estigmas e da construção de modelos replicáveis de autonomia, prevenção e convivência social. Com microfone sem fio em punho, instrumento musical e crachá no pescoço, circula entre as pessoas criando pontes onde antes havia distância. Seu método é a leitura do humano, sua ferramenta é a conexão autêntica, e seu objetivo é transformar plateias em comunidades temporárias de aprendizado mútuo."