05/06/2026
Então quer dizer que o sofrimento causado pela repercussão do caso possa substituir a responsabilização jurídica?
Monique não é rejeitada/odiada pela sociedade por ser mulher, e sim porque milhões de pessoas enxergam nela alguém que falhou em proteger o próprio filho.
A indignação popular não nasceu de machismo, patriarcado ou misoginia. Nasceu da imagem de uma criança que dependia integralmente dos adultos ao seu redor para sobreviver e se manter segura.
Se a dor da perda, a exposição na mídia e as críticas nas redes sociais passarem a ser consideradas punição suficiente, estaremos criando um perigoso precedente: quanto maior a repercussão do caso, menor a necessidade de responsabilização.
O papel da Justiça não é medir quem sofreu mais com a opinião pública. É analisar fatos, provas e responsabilidades.
A pergunta que continua ecoando na consciência coletiva não é se Monique foi julgada com severidade pela sociedade.
A pergunta é: o menino foi protegido por quem tinha o dever de protegê-lo?
É por isso que tantas pessoas continuam inconformadas com essa decisão. Porque, para elas, o foco deveria estar na criança que perdeu a vida, e não no desconforto causado à pessoa que tinha o dever de cuidar dela.