02/04/2026
Hoje, no Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, eu escrevo com o coração.
Escrevo como mãe.
Eu desejei muito o Henrique. Sonhei com a chegada dele, com a maternidade, com a vida que construiríamos juntos. Mas eu não podia imaginar o quanto ele seria especial — e o quanto o jeito único dele de existir também transformaria profundamente a minha forma de ver o mundo e a mim mesma.
Ser mãe do Henrique me levou para um lugar de amor mais profundo, de mais sensibilidade e de mais coragem. O mundo dele, tão singular, me fez encontrar também uma missão de vida: lutar para construir um mundo melhor para ele e para todas as pessoas autistas.
Receber o diagnóstico foi, ao contrário do que muitos pensam, um alívio. Foi a resposta para tantas dúvidas, para tantas angústias silenciosas, para tantas tentativas de entender por que ele era diferente. O diagnóstico não mudou quem o Henrique é. Ele só trouxe clareza. Trouxe direção. Trouxe acolhimento. E, junto com isso, trouxe a possibilidade de oferecer a ele o suporte, o cuidado e o respeito que ele merece.
A caminhada não é simples. Há desafios que só quem vive entende. Mas também há recompensas imensas. Cada evolução, cada conquista, cada passo dado no tempo dele enche o meu coração de esperança. E eu olho para tudo o que já vivemos com orgulho, com gratidão e com a certeza de que ainda há coisas lindas por vir.
Hoje, eu também agradeço profundamente à ciência. Honro e respeito cada profissional que caminha conosco e que contribui para que o Henrique — e tantas outras crianças — tenha mais qualidade de vida, mais autonomia e mais possibilidades.
E deixo aqui também um abraço cheio de carinho a todas as famílias atípicas. Nós precisamos estar unidos. Nos apoiar, nos fortalecer e seguir tornando o mundo um lugar mais preparado, mais humano e mais acolhedor para os nossos filhos.
Essa missão nos foi confiada. E nós vamos cumpri-la com amor, com coragem e com esperança.
Por mim, pelo Henrique e por todos os autistas: conscientizar é respeitar, acolher e construir um mundo onde cada pessoa possa ser quem é.
Com amor,
Marília