22/05/2026
Quando fui chamada pela vítima, eu sabia que não era apenas mais um processo, era um caso de feminicídio tentado.
Ela me escolheu para ser sua voz como assistente de acusação, a voz de uma mulher que sobreviveu ao que poderia ter sido o golpe final.
Já atuei como assistente de acusação em outros processos, mas, em plenário para esse crime, diante do Conselho de Sentença, foi a primeira vez, e para estar ao meu lado dei oportunidade para estar ao meu lado a Dra. Jennifer Neres.
Diante dos jurados, falei sobre o ciclo da violência, sobre os sinais que vieram antes, sobre aquilo que muitas mulheres não enxergam porque um dia aprenderam que amor também podia controlar, ferir, diminuir e aprisionar.
Mas feminicídio tentado não começa no golpe final, antes dele existem sinais, existe medo, existe manipulação, existe uma forma adoecida de amar que precisa ser desconstruída.
Missão cumprida, o réu foi condenado a 14 anos e 6 meses de prisão.
A justiça foi feita, e eu sigo com a consciência tranquila de quem sabe que, quando uma mulher sobrevive, a verdade dela precisa ser ouvida até o fim.
Minha gratidão à minha colega e amiga .adv, que esteve comigo no plenário, e a cada querida amiga e colega membra da .oabsa da OAB de Santo André, que esteve presente prestigiando esse momento.
À minha querida presidenta da Comissão e amiga do coração, minha gratidão pelo carinho, apoio e presença.
Mas talvez o momento mais marcante tenha sido dar essa notícia à minha cliente, ouvir o choro dela do outro lado e escutar uma frase que eu jamais vou esquecer:
“Doutora, agora eu posso viver um pouquinho sossegada.”
E é por isso que seguimos.
Porque justiça, para uma mulher que sobreviveu à violência, também é poder respirar sem medo.