03/03/2022
Não é raro um relato de agressão viralizar nas redes sociais. Na maioria dos casos ele vem de pessoas vítimas de alguma forma de preconceito, mulheres vítimas de estupro ou violência doméstica.
Muitas vezes, a vítima vê na exposição do agressor uma forma de alertar outras pessoas, de se proteger ou até mesmo de cobrar uma posição de empresas e órgãos públicos, mas essa exposição pode acabar prejudicando ainda mais quem a faz.
Em alguns relatos de agressão, são colocados prints, fotos do agressor, nome, local de trabalho, dentre outras informações capazes de identif**ar a pessoa e as publicações que viralizam na internet, acabam por cumprir seu objetivo de expor o agressor. No entanto, mesmo tendo ferido um direito da vítima, ele também possui direitos.
Todos possuem, conforme a Constituição Federal, o direito à imagem, à honra e à vida privada. Ao expor os dados e imagens do agressor nas redes sociais, direitos como esses podem ser violados, podendo configurar até mesmo crime de calúnia, injúria ou difamação, além de existir a possibilidade de processo cível por danos morais, podendo ser a vítima condenada ao pagamento de indenização.
Sendo assim, a vítima não relatar a violência sofrida? PODE, mas deve fazer isso observando alguns parâmetros.
Os relados e denúncias de violência são de extrema importância, principalmente para alertar e até encorajar outras possíveis vítimas a procurar ajuda ou denunciar algum tipo de violência.
O que se deve ter neste caso é um cuidado na hora de fazer o relato, contando a história com descrições mais superficiais do agressor ou do local em que a violência ocorreu, de maneira que não seja possível para o leitor identif**ar a pessoa do agressor.
É possível ainda colocar prints de conversas ou outros meios de prova, mas, novamente, sem que os dados do agressor apareçam.
Você pode também colocar meios de denúncia disponíveis, como o telefone da polícia e até mesmo de grupos de apoio a vítimas.