30/09/2026
A inteligência artificial já integra diversas etapas do trabalho jurídico e da atividade dos tribunais. Isso traz novas possibilidades, mas também novos riscos: documentos processuais podem conter informações ou comandos destinados a influenciar, de maneira oculta, o comportamento de sistemas de IA utilizados como ferramentas de apoio.
Em setembro, o Superior Tribunal de Justiça analisou casos em que foram inseridos comandos ocultos em petições com o objetivo de induzir sistemas de inteligência artificial a interpretar o conteúdo de forma favorável à parte. No âmbito processual penal, o STJ considerou a prática um ato atentatório à dignidade da Justiça e determinou a comunicação do caso à OAB e ao Ministério Público Federal. Em outro julgamento, na esfera cível, a conduta foi considerada incompatível com a boa-fé processual e caracterizada como litigância de má-fé.
Para quem é parte em um processo, a questão é ainda mais relevante. Uma interferência desse tipo pode criar o risco de que informações sejam interpretadas fora do contexto ou que uma ferramenta de apoio seja direcionada a uma determinada conclusão. Por isso, o acompanhamento jurídico continua essencial: cabe ao advogado conhecer o conteúdo apresentado aos autos, verificar a integridade das peças e documentos, identificar possíveis irregularidades e adotar as medidas processuais cabíveis. A tecnologia pode apoiar o trabalho jurídico, mas não substitui a análise, a responsabilidade e a estratégia construídas em torno de cada caso.