27/12/2020
A violência de gênero contra a mulher está presente na sociedade e na história da humanidade. As relações de poder passam por construções culturais com grande influência religiosa e mesmo com tantos avanços sociais não é incomum ouvir que uma mulher foi morta, estuprada e/ou mantida em cárcere pelo ex-companheiro que não aceita o término da relação.
Apesar de muito criticado, inclusive pelo público feminino mais conservador, foi através das reivindicações dos movimentos feministas que as mulheres passaram obter o reconhecimento de suas liberdades buscando a efetivação dos direitos humanos.
Olhando para o mundo jurídico, a mulher que antes não tinha direito de decidir sobre sua vida e seus corpos, hoje, ela possui uma lei criada com o objetivo de coibir a violência doméstica familiar, que é a lei 11.340/06, a famosa lei Maria da Penha e de forma mais recente a Lei 13.104 de 2015 (art. 121, §2º, IV e §2º-A do CP) que trouxe o feminicídio, que nada mais é do que o homicídio qualif**ado contra uma mulher por razoes da condição de s**o feminino envolvendo a violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Não se pode olvidar que essa preocupação do legislador brasileiro não existia no século passado, tanto que o próprio Código Penal pátrio trazia a figura jurídica da mulher honesta, que nada mais era do que a mulher que seguia os padrões culturais dos bons costumes, eram essas as mulheres que mereciam respeito, ou seja, a mulher que não seguisse esse padrão poderia ser estuprada, espancada etc.
A violência doméstica é fruto da ideia que se a mulher não for submissa e resignada ao homem, seja ele marido, pai, ou outro parente do s**o masculino, deverá ser adequada a esse padrão coercitivamente, tal pensamento foi construído também a partir da ideia de propriedade sobre os corpos femininos.
A maior prova de que ainda temos muito a evoluir e de que a violência atinge todas as camadas sociais é morte de tantas outras mulheres assim como a juíza Viviane Vieira do Amaral, morta pelo engenheiro Paulo José Arronenzi. Ou seja, houve avanço social e jurídico, contudo ainda vivemos com características fortes patriarcais e machistas cotidianamente.