17/02/2026
Nem todo assédio faz barulho.
Nem toda violência deixa marcas visíveis.
Há um tipo de agressão masculina que se manifesta no silêncio: o olhar invasivo, insistente, que atravessa o corpo de uma mulher como se ela fosse um objeto disponível, e não uma pessoa em movimento, com destino, história e dignidade.
Para muitos homens, é apenas um olhar.
Para muitas mulheres, é um alerta.
É o corpo que enrijece, o passo que acelera, a sensação imediata de vulnerabilidade.
Esse olhar não é neutro.
Ele comunica domínio, controle simbólico, invasão de espaço e produz medo, desconforto e constrangimento.
É uma forma de violência cotidiana, naturalizada, que ensina mulheres desde cedo a se protegerem até do simples ato de caminhar.
Respeito não é só ausência de toque.
Respeito é reconhecer o outro como sujeito, não como território.
O mundo não pertence ao olhar de ninguém.
E nenhuma mulher deve carregar no corpo o peso da vigilância masculina.