13/07/2026
- Via Extrajudicial | News by Thing Apps
Você pensa em deixar um imóvel para os filhos e acha que dá para resolver isso a qualquer momento? Os cartórios registram uma corrida que mostra o contrário.
💰 ENTENDA:
Em 2025, o Brasil bateu recorde de escrituras de doação de imóveis: 185.861 atos, o maior número da série histórica e 59% acima de 2020. O motivo é a pressa das famílias em transferir o patrimônio em vida antes que o ITCMD, o imposto sobre herança e doação, fique mais caro com a reforma tributária.
📌 O QUE MUDA:
Duas mudanças encarecem o imposto. A Emenda 132/2023 torna as alíquotas obrigatoriamente progressivas, quanto maior o valor do bem, maior o percentual. E a Lei Complementar 227/2026 troca a base de cálculo: em vez do valor patrimonial, mais baixo, passa a valer o valor de mercado do imóvel, quase sempre mais alto. A alíquota máxima continua em 8%, mas a conta final tende a subir. Os estados devem regulamentar as mudanças até 2027, quando as novas regras passam a valer. O STF (Tema 825 e ADI 6838/MT) já sinalizou que, sem lei estadual válida, não há cobrança.
📌 NA PRÁTICA:
- Para quem tem imóvel e pensa na sucessão: doar em vida ainda hoje pega a base e as alíquotas atuais, em regra menores que as previstas para 2027.
- Para quem usa holding familiar: a vantagem histórica diminui, porque a base passa a ser o valor de mercado, bem acima do valor contábil.
⚠️ O alerta dos especialistas: doar só por causa do imposto, sem planejar usufruto, governança e caixa para pagar o próprio ITCMD, pode trocar um custo tributário por um problema familiar. Planeje, não corra na última hora.
Só no Sudeste, o ITCMD arrecadou R$ 10,6 bilhões em 2025, contra R$ 6,1 bilhões em 2020, alta de 73%.
Fonte: Valor Econômico, com dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF); STF, Tema 825 e ADI 6838/MT.