08/03/2026
O paradoxo do dia 08 de março
O 08 de março não deveria ser tratado como peça publicitária. Ele é um teste de realidade: o Brasil tem leis robustas e, ainda assim, registra níveis recordes de violência letal contra mulheres.
Em 2025, o país registrou 1.568 vítimas de feminicídio, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, com aumento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% quando comparado a 2021.
Fonte: Agência Brasil/EBC (03/04/2026), com base em levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública .
O dado mais difícil é operacional: o risco costuma estar dentro de casa. O levantamento aponta que a maioria dos feminicídios ocorre em contexto doméstico e que a autoria recai, majoritariamente, sobre parceiros e ex-parceiros, revelando o padrão de controle, escalada e previsibilidade de que o sistema ainda falha em falhas.
Fonte: Senado Federal – Procuradoria Especial da Mulher (05/03/2026), com base no “Retrato dos Feminicídios no Brasil” (FBSP) .
O paradoxo, portanto, não é falta de norma. É a distância entre o texto legal e a proteção concreta. A Lei Maria da Penha não pode ser “intenção”: precisa mudar o tempo de resposta, medida protetiva efetivamente fiscalizada, rede de atendimento acessível e responsabilização sem hesitação.
Se você está em situação de violência ou conhece alguém em risco, não adie a decisão por medo, dependência financeira ou vergonha. Segurança é prioridade jurídica e prioridade de vida. Em emergência, ligue 190. Para orientação e encaminhamento, ligue 180.
Se você precisar de suporte jurídico para solicitar medida protetiva, estruturar prova, formalizar denúncia e organizar uma estratégia com descrição e rapidez, procure orientação técnica. O Direito existe para interrupção do ciclo antes do estágio irreversível.
Fontes citadas: Agência Brasil/EBC . Senado Federal - Procuradoria Especial da Mulher .