05/12/2022
SOFRI UMA VIOLÊNCIA. POSSO EXPOR MEU AGRESSOR NA INTERNET?
Você provavelmente já se deparou com o relato de uma mulher em alguma rede social expondo alguma violência machista da qual foi vítima.
Hoje em dia as redes sociais se tornaram um canal onde as mulheres finalmente podem ter voz, onde seus relatos são ouvidos e ganham credibilidade.
Embora seja uma ferramenta muito ef**az para garantir visibilidade às violências sofridas pelas mulheres, essa exposição também têm se tornado uma verdadeira armadilha contra a pessoa que divulga.
Isso porque, muitas vezes, no calor do momento, a mulher, além de relatar uma situação que vivenciou, também expõe seu agressor, com foto, nome, endereço, local de trabalho ou estudo e demais elementos identif**adores.
Apesar de a liberdade de expressão ser um direito constitucionalmente protegido, da mesma forma é o direito à imagem, honra e vida privada do agente culpado.
O resultado disso? A vítima pode acabar se tornando ré em um processo por danos morais na esfera cível, ou por injúria, calúnia ou difamação na esfera criminal, movido por seu próprio agressor.
No fim, a vítima pode acabar sofrendo uma dupla violência.
Então eu não posso fazer um relato da violência que sofri?
Pode! Denunciar violências sofridas é muito importante. É uma forma de empoderamento! O contato com esse tipo de relato encoraja outras mulheres a também denunciar, buscar ajuda e sair de uma situação de abuso. Além disso, é uma forma de mostrar a toda a sociedade que nós não iremos mais tolerar violências machistas.
Fazer um boletim de ocorrência, pedir a abertura de um inquérito policial, denunciar nos órgãos de controle e fiscalização (caso a agressão esteja relacionada com exercício de profissão ou seja pessoa jurídica) e nos canais de ajuda, como 180, são sempre soluções mais recomendadas.
E lembre-se: na dúvida, sempre consulte um(a) profissional.