26/06/2026
Pode parecer exagero, mas não é. Essas são apenas algumas das inúmeras mensagens que recebi ao longo desses anos atuando na advocacia.
Em um primeiro momento, podem parecer frases comuns na nossa área. Mas, na realidade, revelam uma verdade difícil de encarar: a desvalorização da advocacia está enraizada em uma cultura de pessoas que só querem ganhar.
Pessoas que, nitidamente, não sabem diferenciar preço de valor.
Infelizmente, estamos vivendo uma era sombria da profissão.
Somos obrigados a dançar conforme a música. Se não estamos nas redes sociais, fazendo “trends” e seguindo “modinhas”, parece que não somos bons o suficiente.
Se não aviltamos nossos honorários, não fechamos contratos.
Se não respondemos no exato instante em que o cliente envia uma mensagem, não damos a atenção necessária.
Se não sabemos de um documento juntado antes mesmo de sermos intimados, somos incompetentes ou estamos escondendo alguma informação relevante.
Tiram conclusões com base nos próprios devaneios e, com isso, somos obrigados a justificar absolutamente tudo: o que fazemos, o que não fazemos, por que fazemos e de que forma fazemos.
Agora tudo é jogado no ChatGPT, no Google ou em qualquer resposta pronta da internet, como se uma ferramenta fosse capaz de substituir a técnica jurídica, a experiência profissional e a responsabilidade de quem assina uma petição e responde por ela.
Alguns acreditam que somos obrigados a estar disponíveis 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos, feriados e durante o recesso forense.
Querem ditar nosso método de trabalho, nossa estratégia e até o valor dos nossos honorários.
E, como se não bastasse, ainda juram que os honorários de sucumbência pertencem ao cliente.
Tempos difíceis.
A advocacia virou, para muitos, um serviço que todos querem exigir, questionar, pressionar e desvalorizar, mas poucos querem pagar com respeito.
Querem orientação segura, mas não querem pagar pela consulta.
Querem urgência, mas não respeitam o tempo do profissional.
Não é “só uma dúvida”.
Não é “só uma olhadinha”.
Não é “só entrar com a ação”.
É trabalho. É técnica. É responsabilidade.
E trabalho profissional deve ser respeitado.