28/04/2026
O paciente quer fotografar o prontuário "na hora". E agora?
Existe uma confusão perigosa entre direito de acesso e interrupção da rotina clínica. Sim, os dados pertencem ao paciente, mas a gestão do documento é dever do dentista.
1. Acesso não é invasão O paciente tem o direito de conhecer as informações do seu tratamento, mas ele não tem o direito de ditar como ou quando isso acontece no meio do fluxo de atendimento. Direito à informação não é licença para gerar caos no consultório.
2. "Quero a foto agora!" O prontuário é um documento técnico e legal. Permitir que o paciente fotografe telas de sistemas abertos ou papéis sobre o balcão coloca em risco a LGPD e o sigilo de outros pacientes. A clínica deve fornecer a cópia ou o acesso de forma organizada, garantindo que nenhum dado de terceiros seja exposto.
3. O tempo da clínica deve ser respeitado O registro clínico precisa ser finalizado com precisão antes de ser entregue. O profissional tem o dever de assegurar que o que está sendo acessado reflete a realidade do atendimento. O paciente não escolhe o "modo e a forma" de acesso por impulso; ele segue o protocolo da clínica.
4. Blindagem Digital e Ética Lidar com dados sensíveis exige responsabilidade. Foto de celular não é o meio formal de entrega de prontuário. Se a clínica permitir a foto por liberalidade, deve registrar o pedido e garantir que o paciente assine que recebeu aquela informação naquele formato.
5. O equilíbrio é a chave Nem o dentista pode esconder o prontuário (o que é infração ética e legal), nem o paciente pode agir com soberania sobre a operação do consultório. Na saúde, o direito se exerce dentro das normas de segurança e respeito mútuo.
Conclusão: Estabeleça um protocolo claro de entrega de cópias de prontuário na sua clínica. Transparência não significa falta de controle.
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