28/09/2026
SÓCIO INDESEJADO!!
Existe um sócio que participa dos lucros da sua empresa, mas não divide nenhum dos riscos.
Ele não aporta capital, não responde por prejuízo, não se senta à mesa quando a decisão dá errado. Mas, quando o negócio prospera, ele aparece para receber a parte dele. Esse sócio é o governo, na condição de credor tributário.
A relação é assimétrica por natureza. O empresário assume o risco do mercado, do crédito, da operação, do cliente que não paga. O governo, em tese, só recolhe a parcela que a lei define sobre o resultado. O problema é que, na prática, essa parcela não raro é cobrada a maior, sobre base errada ou por interpretação que depois se revela equivocada.
Aqui entra um direito que muitos empresários desconhecem: o de recuperar o que foi pago indevidamente. Os créditos tributários não são favor do Fisco, são direito do contribuinte, e podem ser exercidos por três vias principais:
Restituição: quando se pagou tributo indevido ou a maior, cabe pedir o dinheiro de volta.
Compensação: o crédito reconhecido pode ser usado para abater outros tributos devidos.
Ressarcimento: créditos acumulados de tributos não cumulativos, como P*S e Cofins, podem ser convertidos em valores a receber.
Há um detalhe que decide tudo: o prazo. O direito de pleitear a restituição ou a compensação prescreve em 5 anos, contados do pagamento indevido. Passou o prazo, o valor que era seu deixa de ser, e o sócio que só participa dos lucros f**a com ele.
O cenário atual reforça a urgência. Com a reforma tributária, o P*S e a Cofins deixam de existir em 31 de dezembro de 2026, e a transição para a CBS exige que os saldos credores sejam aproveitados corretamente para não se perderem. Estima-se que empresas brasileiras deixem de recuperar mais de R$ 50 bilhões ao ano em tributos pagos indevidamente.
Recuperar crédito tributário não é elisão nem planejamento agressivo. É exercer um direito expresso em lei, com base em pagamento comprovado. Mas a auditoria precisa ser técnica, com documentação sólida e enquadramento correto, porque o Fisco também fiscaliza o uso indevido de créditos.
Na sua empresa, alguém já fez uma auditoria para identif**ar tributos pagos a maior nos últimos cinco anos?
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