Gabriela Souza - Advocacia para Mulheres

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Gabriela Souza - Advocacia para Mulheres O escritório Gabriela Souza Advocacia para Mulheres acolhe mulheres em todas as suas necessidades jurídicas.

Os conteúdo dessa página são meramente informativos e não substituem uma consulta com seu advogado ou advogada de confiança.

“Eu tenho pânico de barulho de fechadura.”Essa frase é repetida muitas vezes pelas minhas clientes, nas consultas e conv...
30/09/2026

“Eu tenho pânico de barulho de fechadura.”

Essa frase é repetida muitas vezes pelas minhas clientes, nas consultas e conversas que temos e eu perdi as contas de quantas vezes escutei isso e fiquei pensando no que signif**a sentir medo de uma coisa tão cotidiana quanto alguém chegar em casa...

Estou lendo Trauma e Recuperação, da Judith Herman, e recomendo muito ( com todo cuidado que o tema exige, ok?) . O livro tem sido importante pra eu entender mais sobre trauma e sobre o transtorno de estresse pós-traumático, que é o diagnóstico que mais comum entre as minhas clientes e entre mulheres que viveram a violência Ao longo da leitura, encontro descrições que me fazem lembrar de muitas das nossas conversas e compreender melhor como a violência pode atingir até a possibilidade de descansar dentro da própria casa.

Um dos trechos fala justamente de como sons remotamente relacionados à violência, como uma sirene ou uma porta batendo, podem provocar um medo imenso. Aquela sensação de que alguma coisa ruim está sempre prestes a acontecer. Pra quem aprendeu a ter medo de quem entrava pela porta, o barulho da fechadura pode ser suficiente pra colocar o corpo inteiro em alerta.

É difícil pensar no quanto a violência pode continuar ocupando a vida de uma mulher. O trauma pode se tornar crônico, e até depois de ela conseguir estar em segurança o medo pode permanecer. Por isso, fazer terapia, ter uma rede de apoio e poder compartilhar essas dores com pessoas em quem se confia é tão importante.

Ninguém deveria sentir pânico de barulho de fechadura, pelo contrário! Casa deveria ser lugar de conforto, de descanso e de afeto, lugar que a gente deveria poder ouvir a porta abrindo e sentir alegria porque os nossos amores chegaram bem, porque estão em casa, seguros.

Chegar em casa deveria ser um alívio e ouvir alguém chegar deveria poder signif**ar que vem um abraço e a companhia de quem a gente ama.

Se tu sente o contrário disso, escuta teu coração, talvez seja hora de buscar ajuda.

Ao lado da Menina Destemida, que corajosamente enfrenta Wall St.Em um lugar tão "de homens" ela enfrenta a bolsa de valo...
24/09/2026

Ao lado da Menina Destemida, que corajosamente enfrenta Wall St.

Em um lugar tão "de homens" ela enfrenta a bolsa de valores, com aquilo que não tem preço.

Foto tirada em março de 2026, em NYC, nos dias que estava na ONU.

Em 2026, o STF precisou reafirmar o básico: mães adotivas e mães biológicas têm direito ao mesmo período de licença-mate...
24/09/2026

Em 2026, o STF precisou reafirmar o básico: mães adotivas e mães biológicas têm direito ao mesmo período de licença-maternidade — 120 dias, prorrogáveis por mais 60.

A decisão é importante. Mas chegou tarde. Desde a Constituição de 1988, filhos biológicos e adotivos têm os mesmos direitos e qualif**ações, vedada qualquer discriminação relativa à filiação. O Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, repetiu expressamente essa garantia. E o Código Civil, em 2002, fez o mesmo.

Não se tratava, portanto, de criar um direito novo. Tratava-se de fazer valer uma igualdade constitucional que já tem quase quatro décadas. A proteção à maternidade não pode ser reduzida à gestação: ela alcança o cuidado, a formação do vínculo e a chegada concreta de uma criança à sua família.

Celebramos a correção de uma injustiça. Mas, em 2026, ainda é preciso dizer: maternidade adotiva não é menor, derivada ou incompleta. E o básico não deveria precisar chegar ao Supremo.

E algumas conquistas chegam tão tarde que na hora de celebrar a gente sente uma amargura na boca, de quem sabe que cada conquista de direitos das mulheres (e das crianças!!!) demora ainda mais que o comum.

Recebi hoje as fotos da celebração do meu aniversário de 40 anos e voltei para aquele momento que tirei a roupa da pesso...
21/09/2026

Recebi hoje as fotos da celebração do meu aniversário de 40 anos e voltei para aquele momento que tirei a roupa da pessoa jurídica e aproveitei a vida como eu gosto: com meus afetos perto, em uma festa com shows, risadas, atrações para os convidados e acima de tudo, uma festa planejada nos mínimos detalhes para me fazer feliz. 2026 está sendo cansativo e eu precisava de um momento assim, de felicidade delirante. A advocacia tem códigos tão sérios que de vez em quando a gente esquece que a felicidade é o que nós leva adiante nessa luta tão difícil. E nós vamos sorrir. E cheias de glitter, vamos sorrir.

Tenho atendido mulheres e lido muitas pesquisas sobre bets nos últimos tempos. E, quanto mais leio e me deparo com essa ...
11/09/2026

Tenho atendido mulheres e lido muitas pesquisas sobre bets nos últimos tempos. E, quanto mais leio e me deparo com essa realidade, mais penso que a gente ainda está olhando para esse problema de um jeito muito superficial.

Porque não é só sobre jogo, vício ou pessoas que “não souberam a hora de parar”. Há uma questão de gênero muito importante acontecendo aí, e dois aspectos têm me chamado especialmente a atenção: o sustento das famílias e a violência contra as mulheres.

Uma pesquisa recente sobre mulheres e bets mostrou algo que me fez pensar bastante: muitas mulheres não estão apostando por diversão. Elas apostam porque precisam de dinheiro. Entre as motivações aparecem a busca por renda extra, dinheiro rápido, recursos para despesas básicas e até para pagar dívidas. E 72% das mulheres que apostam são mães.

Para quem trabalha todos os dias com mulheres, é impossível ler esses dados sem pensar em quem, historicamente, f**a responsável por fazer o dinheiro da família chegar até o fim do mês. É a mulher que precisa dar um jeito na comida, na conta de luz, no remédio, no material escolar, nas necessidades dos filhos. Muitas vezes com renda menor, sobrecarregada pelo trabalho de cuidado e sem uma rede que dê conta do que falta.

A aposta passa a ser vendida não apenas como diversão, mas como possibilidade de resolver um problema econômico real. E há algo especialmente perverso nisso: a precariedade da vida de muitas mulheres se transforma em oportunidade de lucro.

Mas existe um segundo eixo que me preocupa ainda mais, porque ele aparece diretamente no meu trabalho: a violência doméstica.

Há mulheres que nunca fizeram uma aposta na vida e, ainda assim, estão pagando a conta das bets. Em pesquisa divulgada recentemente há relatos de situações em que homens se apropriam do dinheiro das companheiras para apostar. Quando a aposta dá errado, não desaparece apenas o dinheiro dele: desaparece o dinheiro da mulher, dos filhos, da alimentação, das contas e da própria subsistência da família.

( segue nos comentários)

Nós e a nossa imensa capacidade de amar.Hoje eu vou me permitir ser clichê.Acabei de receber a foto de uma cliente muito...
01/09/2026

Nós e a nossa imensa capacidade de amar.

Hoje eu vou me permitir ser clichê.

Acabei de receber a foto de uma cliente muito querida que hoje se casou. E, enquanto eu olhava para ela de véu e grinalda, linda, feliz, vivendo um dia especial, foi inevitável pensar em tudo o que existe atrás daquela fotografia.

Pensei nos anos de medida protetiva de urgência, nos descumprimentos, nos bos, nas liminares, na audiência em que estivemos juntas enquanto ela era acusada de alienação parental, nos processos de cumprimento de sentença pelo não pagamento da pensão alimentícia. Em tudo o que atravessamos juntas — e em tudo o que, infelizmente, ainda não terminou.

Mas hoje eu não quero falar sobre ele.

Hoje eu quero falar sobre ela.

Porque, olhando aquela foto de princesa, lembrei de uma coisa que digo muitas vezes para as minhas clientes em consulta: nós temos uma imensa capacidade de amar.

Engana-se quem pensa que o amor não é coisa de feminista. Ou que defender os direitos das mulheres signif**a desacreditar no amor.

É justamente o contrário.

O amor, na sua forma mais bonita, respeita. Cuida. Acolhe. Acredita. Permite que a outra pessoa exista inteira.

O amor não violenta. Não ofende. Não controla. Não diminui. Não manipula. Não produz medo.

E talvez por isso aquela fotografia tenha me emocionado tanto.

Porque ela não é apenas a fotografia de uma mulher que se casou. Para mim, que conheço uma parte da estrada que veio antes, é também a fotografia da capacidade infinita que as mulheres têm de se reconstruir. De não permitir que a violência determine para sempre aquilo que poderão sentir, desejar ou viver.

Há uma coragem imensa em continuar acreditando na felicidade depois de alguém ter tentado convencer você de que amor era medo, controle, humilhação ou dor.

Hoje desejo toda a felicidade do mundo a ela. E, através dela, a todas as mulheres que estão se reconstruindo. Às que ainda estão no meio do caminho. Às que ainda não conseguem imaginar a fotografia que poderá existir depois de tudo isso.

A gente vai continuar amando. Nossos filhos, nossas amigas, nossas famílias, nossos amores e, sobretudo, a nós mesmas.

Depois de tudo, o amor segue com a gente.

♡

Uma das situações mais  assustadoras da minha vida profissional aconteceu quando passei a ser perseguida pelo ex-marido ...
31/08/2026

Uma das situações mais assustadoras da minha vida profissional aconteceu quando passei a ser perseguida pelo ex-marido de uma cliente.
Eu estacaa com medo, procurei proteção e ela me foi negada inicialmente. Ouvi, inclusive, que eu estava sendo “arisca”, quando o que eu estava era assustada. Hoje figuro como vítima em um processo decorrente daqueles fatos, mas, naquele momento, foi muito difícil conseguir que o sistema entendesse que eu também precisava ser protegida.

Talvez por isso tenha me tocado tanto a notícia de que uma advogada do Paraná obteve mpu com facilidade contra o ex-companheiro de uma cliente que representava em uma ação de alimentos. Não havia entre eles relação doméstica, familiar ou afetiva. Ela se tornou alvo porque defendia outra mulher.

Quem advoga para mulheres sabe que isso acontece. A violência nem sempre termina quando encontra uma barreira. Às vezes, procura outro caminho. Quando uma mulher passa a ter uma advogada documentando fatos, cobrando alimentos, pedindo proteção e denunciando descumprimentos, a violência pode ricochetear sobre quem passou a defendê-la.

E aqui entra uma discussão urgente: o lawfare de gênero. O processo pode ser usado não para discutir direitos, mas para controlar, desgastar, multiplicar conflitos e tentar vencer uma mulher pelo cansaço. E uma das maneiras de fazer isso é enfraquecer sua defesa: intimidar, ameaçar, perseguir ou desqualif**ar a advogada até tornar aquela atuação insustentável.
É o que chamo de efeito de ricochete da violência de gênero: atingir a advogada para, por outro caminho, continuar atingindo a mulher.

O STF, no Tema 1.412, reconheceu que a proteção da Lei Maria da Penha alcança a violência contra a mulher baseada no gênero mesmo sem vínculo doméstico, familiar ou afetivo entre vítima e agressor. A decisão do Paraná mostra uma consequência importantíssima: advogadas também podem ser protegidas quando sofrem violência de gênero em razão de sua atuação profissional.

Isso não transforma conflito profissional em violência de gênero. Mas protege quando se usa a relação profissional para cometer essa violência.

Proteger quem defende uma mulher é proteger a mulher!

Uma das situações mais  assustadoras da minha vida profissional aconteceu quando passei a ser perseguida pelo ex-marido ...
31/08/2026

Uma das situações mais assustadoras da minha vida profissional aconteceu quando passei a ser perseguida pelo ex-marido de uma cliente.
Eu estava com medo. Procurei proteção e ela foi negada de forma ríspida. Ouvi, inclusive, que eu estava sendo “arisca”, quando o que eu estava era assustada.

Hoje figuro como vítima em um processo decorrente daqueles fatos, mas, naquele momento, foi muito difícil conseguir que o sistema entendesse que eu também precisava ser protegida.

Talvez por isso tenha me tocado tanto a notícia de que uma advogada do Paraná obteve mp da Lei Maria da Penha contra o ex-companheiro de uma cliente que representava em uma ação de alimentos.

Não havia entre eles relação doméstica, familiar ou afetiva. Ela se tornou alvo porque defendia outra mulher.

Quem advoga para mulheres sabe que isso acontece.

A violência nem sempre termina quando encontra uma barreira. Às vezes, procura outro caminho. Quando uma mulher passa a ter uma advogada documentando fatos, cobrando alimentos, pedindo proteção e denunciando descumprimentos, a violência pode ricochetear sobre quem passou a defendê-la.

E aqui entra uma discussão urgente: o lawfare de gênero.

O processo pode ser usado não para discutir direitos, mas para controlar, desgastar, multiplicar conflitos e tentar vencer uma mulher pelo cansaço. E uma das maneiras de fazer isso é enfraquecer sua defesa: intimidar, ameaçar, perseguir ou desqualif**ar a advogada até tornar aquela atuação insustentável.

É o que chamo de efeito de ricochete da violência de gênero: atingir a advogada para, por outro caminho, continuar atingindo a mulher.

O STF, no Tema 1.412, reconheceu que a proteção da Lei Maria da Penha alcança a violência contra a mulher baseada no gênero mesmo sem vínculo doméstico, familiar ou afetivo entre vítima e agressor. A decisão mostra uma consequência importantíssima desse entendimento: advogadas também podem ser protegidas quando sofrem violência de gênero em razão de sua atuação profissional.

Isso não transforma conflito profissional em violência de gênero, mas nós protege quando há esta violência em curso.

É simples demais entender as recentes mudanças da Lei Maria da Penha.
23/08/2026

É simples demais entender as recentes mudanças da Lei Maria da Penha.

20/08/2026

Tu já deve ter lido que a Lei Maria da Penha mudou e eu quero te explicar qual foi essa mudança e porquê ela é tão importante: todas as mulheres em situação de violência de gênero estão protegidas e podem solicitar medidas protetivas de urgência.

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