29/04/2026
A saudade muda de forma com o tempo.
No começo, ela rasga. É uma dor lancinante, que toma tudo e não deixa espaço pra respirar. Mas, aos poucos, ela vai se transformando. Não desaparece — isso é importante dizer —, mas deixa de ser um corte aberto e passa a ser outra coisa.
Hoje, a saudade do Nando já não vem como um golpe. Ela é mais como um embrulho constante no estômago. Uma presença silenciosa, contínua. Não grita, mas também não vai embora.
É uma dor crônica.
E talvez isso diga muito sobre o luto: ele não acaba, ele se reorganiza dentro da gente. Aprende a caber na rotina, nos dias comuns, nas pequenas pausas em que a memória insiste em voltar.
A intensidade muda. O amor, não.