09/08/2024
Certo dia apareceu lá em casa uma linda gatinha que calculei ter uns seis meses de idade.
Foi surreal. Eu estava no sofá vendo televisão com a janela da sala aberta, e, pelo fato de morar em casa, ela pulou a janela, e sem a menor cerimônia e sem nunca ter me visto, muito menos eu a ela, pulou no meu colo e ali se aninhou ronronando e esfregando sua cabeça em minha barriga, numa intensa demonstração de carinho e carência.
Fiquei maravilhado e surpreso com aquilo tudo, pois sempre gostei muito de animais.
Os dias foram passando e fui me afeiçoando cada vez mais a ela, e agradecendo a Deus pelo presente maravilhoso que só Ele poderia ter me enviado, talvez para amenizar um pouco a minha solidão, uma vez que sou viúvo e moro só.
Mas como todo bom relacionamento tem também os seus atritos. Certo dia , com suas brincadeiras, ela feriu minha perna com suas unhas afiadas causando-me muita dor. Naquele momento em um gesto instintivo de defesa, fiz o que jamais poderia ter feito. Com o pé , a empurrei com violência para longe de mim. Não chegou a ser um chute, mas beirou.
Ato continuo a procurei para lhe fazer um afago, mas para minha surpresa ela não aceitou e me ameaçou com sua patinha mostrando suas garras salientes.
Deste dia em diante ela nunca mais aceitou meu colo, nem meus carinhos e afagos.
Continuou lá em casa, mas começou a dormir fora e até a passar dias fora, só aparecendo na hora de comer sua ração. Esses dias foram rareando
até que nunca mais voltou.
Hoje sinto muito a sua falta mas sei que ela jamais vai voltar.
Com ela aprendi lições, principalmente que temos que nos conter e jamais magoar a quem nos ama incondicionalmente e sem nada exigir , além da companhia e carinho.
Aprendi também que o gato, diferente do cão, se for magoado ele não esquece.