24/09/2026
O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia é grande demais para não gerar reflexão. Mas quero fugir da conclusão fácil de que “é isso que acontece quando a empresa não se organiza”.
Crises empresariais raramente têm uma causa só. No caso da Casas Bahia, juros elevados, restrição de crédito, pressão sobre o capital de giro e dificuldades de captação se somaram a um processo de reestruturação que já vinha acontecendo há alguns anos.
Para mim, a principal lição está em outro ponto: decisões sobre endividamento, garantias, estrutura societária e governança tomadas muito antes da crise ajudam a definir quais alternativas estarão disponíveis quando o cenário apertar.
Isso vale para uma companhia de capital aberto e também para uma empresa familiar de médio porte que precisa decidir como organizar seus sócios, seu patrimônio, suas dívidas e sua sucessão. Governança preventiva não existe para garantir que uma crise nunca aconteça, existe para ampliar o espaço de decisão quando acontece.
A recuperação judicial pode ser uma ferramenta necessária de reestruturação. O papel da advocacia preventiva é trabalhar antes desse estágio para que a empresa chegue a uma situação de dificuldade com mais alternativas, e não menos.
— Eduardo Ferracini