28/09/2026
Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, Lenio Streck compara o uso de algoritmos no futebol e na Justiça. Nos dois campos, a tecnologia oferece um resultado, mas são pessoas que definem os critérios, interpretam as informações e respondem pela decisão.
No processo judicial, o risco aparece quando um texto gerado por IA é aceito sem a conferência dos argumentos, das fontes e de sua adequação ao caso concreto. Assinar uma decisão não basta. Fundamentá-la exige compreender o caso e explicar as razões do julgamento.
A crítica está em tratar a resposta do sistema como se ela dispensasse o julgamento humano. “Foi o sistema” não encerra a discussão sobre responsabilidade.
Se a IA já integra o trabalho jurídico, precisamos conhecer as regras do jogo: como o sistema opera, quais são seus limites e o que deve ser verificado antes de confiar em sua resposta.
Quanto maior a influência da tecnologia sobre uma decisão, maior deve ser o cuidado de quem a utiliza.
E, é nesse ponto que temos caminhos a percorrer, riscos a evitar e uma responsabilidade que nenhuma máquina poderá assumir por nós.