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Empresa endividada e empresa com passivo bancário desorganizado não são a mesma coisa.A primeira tem problema de fluxo.A...
25/06/2026

Empresa endividada e empresa com passivo bancário desorganizado não são a mesma coisa.

A primeira tem problema de fluxo.

A segunda tem problema de estrutura.

E a segunda é muito mais comum em negócios que cresceram rápido, pegaram várias linhas de crédito ao longo dos anos e nunca pararam para olhar o conjunto.

Pronampe contratado em um momento, capital de giro tomado em outro, conta garantida usada como rotina, parcelas em datas diferentes, juros que mudaram com a Selic, renegociações sucessivas. Cada decisão fez sentido isolada.

Somadas, viraram um nó.

O Novo Desenrola Brasil, instituído pela MP 1355/26, ampliou prazos e condições para algumas linhas de crédito empresarial. A notícia anima muitos empresários, mas migrar dívida sem entender o que existe hoje pode levar o problema para mais tempo, com custo total maior no fim.

A análise técnica do passivo vem antes da renegociação. Nunca depois.

Quem inverte essa ordem costuma assinar a próxima proposta com a mesma pressa da anterior. E o ciclo recomeça.

Em caso de dúvida, busque orientação adequada antes de assinar qualquer migração ou renegociação.

Limite de cheque especial PJ, limite rotativo, conta garantida, capital de giro pré-aprovado. Tudo isso aparece no aplic...
24/06/2026

Limite de cheque especial PJ, limite rotativo, conta garantida, capital de giro pré-aprovado. Tudo isso aparece no aplicativo como se fosse "disponibilidade" da empresa.

Não é.

Cada um desses produtos tem custo próprio, regra de cobrança própria e impacto próprio no balanço. Usar limite no início do mês, mesmo que seja para "garantir" o pagamento de fornecedor, significa pagar juros que costumam estar entre os mais altos do mercado empresarial.

Quando o uso vira rotina, a empresa entra em um ciclo em que precisa do limite para fechar o mês, e o limite consome o que sobraria para crescer.

A leitura técnica desses produtos antes de usar, e principalmente antes de manter, é o que separa o empresário que controla o passivo daquele que é controlado por ele.

Antes de tomar uma decisão, entenda o que está no contrato.

Existe um sinal silencioso de que o orçamento saiu do controle, e ele tem uma cara específica: o cartão de crédito virar...
23/06/2026

Existe um sinal silencioso de que o orçamento saiu do controle, e ele tem uma cara específica: o cartão de crédito virar o lugar onde se paga supermercado, farmácia, combustível e, em alguns meses, a própria conta de luz.

No primeiro momento, parece organização. No segundo, parece estratégia para juntar pontos. No terceiro, vira armadilha.

O cartão é o crédito mais caro do mercado regular. Quando o pagamento mínimo entra na rotina, a fatura cresce sozinha. E quando uma fatura entra para a do mês seguinte, o problema deixa de ser pontual e vira estrutural.

Esse padrão tem nome técnico: estágio inicial de superendividamento. E é nele que a maioria das pessoas demora a perceber que a situação pediu ajuda.

Reconhecer cedo facilita o caminho. Tarde demais não impede a análise, mas estreita as opções.

Compartilhar informação séria também ajuda a proteger outras pessoas.

Uma empresa de porte médio chegou ao escritório com um cenário que vemos com frequência: faturamento que mantinha as ope...
22/06/2026

Uma empresa de porte médio chegou ao escritório com um cenário que vemos com frequência: faturamento que mantinha as operações funcionando, mas caixa preso. Vários contratos bancários ao mesmo tempo, cada um com taxa e prazo diferente, alguns com parcelas concentradas no mesmo período do mês. O resultado foi caixa travado e banco pressionando.

A primeira coisa que fizemos não foi conversar com o banco. Foi conversar com o passivo da empresa. Cada contrato analisado, cada custo identificado, cada garantia mapeada. Onde estava o dinheiro mais caro, onde estava o prazo mais curto, onde havia produto agregado que não fazia sentido.

Com esse mapa em mãos, a conversa com as instituições financeiras mudou de tom. Não era mais o empresário pedindo alívio. Era uma negociação com dados, com proposta técnica e com argumento jurídico onde havia espaço para isso.

O caixa voltou a respirar. O risco de negativação foi afastado naquele momento. Mas o resultado depende da análise de cada caso, do conjunto de contratos e da realidade da empresa.

Existe uma confusão recorrente sobre a Lei do Superendividamento. Algumas pessoas chegam ao escritório dizendo que ouvir...
19/06/2026

Existe uma confusão recorrente sobre a Lei do Superendividamento. Algumas pessoas chegam ao escritório dizendo que ouviram do banco que "ela não se aplica" ou que "não cobre o tipo de dívida que você tem".

Vale esclarecer o que a lei realmente diz.
A Lei 14.181/2021 trata de dívidas de consumo: cartão, empréstimo pessoal, consignado, cheque especial, financiamento de bens, contratos de crédito. Ficam de fora dívidas com garantia real, crédito rural, financiamento imobiliário e contratos firmados com má-fé.

A lei reconhece a situação de quem, agindo de boa-fé, ficou sem condições de pagar tudo sem comprometer o sustento. Para essas pessoas, abre um procedimento estruturado: análise da situação, audiência com todos os credores e, se for o caso, plano de pagamento de até cinco anos.

Não é perdão de dívida. Não é redução automática. É uma estrutura jurídica para reorganizar o que ficou impossível de organizar sozinho.

Cada caso depende dos contratos, da renda e da situação concreta.

Renegociação bancária bem feita começa antes da assinatura. Começa nas perguntas.A pressa de aceitar uma proposta que pa...
18/06/2026

Renegociação bancária bem feita começa antes da assinatura. Começa nas perguntas.
A pressa de aceitar uma proposta que parece resolver o problema imediato é o que faz muita gente trocar uma dívida ruim por uma pior.

Parcela cabendo no orçamento de agora não significa, automaticamente, contrato bom para os próximos cinco ou seis anos.

As cinco perguntas acima não exigem conhecimento técnico para serem feitas. Exigem apenas que a pessoa pare, respire e exija respostas antes de assinar.

O banco tem a obrigação de informar com clareza. Tem que mostrar saldo devedor, custo efetivo total, prazo, parcela e garantias. Se a resposta vier confusa ou se a pessoa do outro lado disser que precisa decidir agora, o sinal de alerta deve subir.

Dívida precisa ser analisada com calma, não no desespero.

A expressão "mínimo existencial" anda em todo canto. Em decisão judicial, em notícia, em conversa de quem está com dívid...
17/06/2026

A expressão "mínimo existencial" anda em todo canto. Em decisão judicial, em notícia, em conversa de quem está com dívida apertando.
Mas o que isso significa na vida real?

É o valor mínimo que precisa sobrar da renda da pessoa para garantir o sustento básico: alimentação, moradia, remédio, transporte essencial. A ideia é simples: nenhuma dívida pode comprometer aquilo que mantém a dignidade da pessoa.

Hoje, esse valor está fixado em R$ 600 por decreto. Em abril de 2026, o STF determinou, no julgamento das ADPFs 1005, 1006 e 1097, que esse patamar precisa ser revisto periodicamente pelo Conselho Monetário Nacional, com base em estudos técnicos. Em paralelo, a jurisprudência tem reconhecido que, em situações concretas, o juiz pode considerar realidades específicas da pessoa na análise.

Quem tem dívidas que apertam tanto que a comida, o remédio ou a conta de luz ficam comprometidos, está numa situação que a lei reconhece como protegível.

Conhecer seus direitos ajuda a evitar escolhas que aumentam o problema.

Muitos empresários ainda carregam o Pronampe contratado nos anos de pandemia. Parcelas que pareciam suportáveis na época...
16/06/2026

Muitos empresários ainda carregam o Pronampe contratado nos anos de pandemia. Parcelas que pareciam suportáveis na época, hoje pesam mais que o caixa permite.

Em maio de 2026, o governo publicou novas regras. O teto subiu de R$ 250 mil para R$ 500 mil. A carência passou de 12 para 24 meses. O prazo total foi de 72 para 96 meses. E uma frente específica do Desenrola Empresas abriu janela para renegociação de operações antigas.

Mas atenção: o programa novo não é solução automática. Cada empresa precisa analisar se faz sentido migrar, se a operação atual cabe nas novas regras, qual o custo real de mudança e qual o impacto no fluxo de caixa.

Trocar uma dívida cara por uma dívida longa nem sempre é o melhor caminho. Trocar sem análise, quase nunca é.

Informação é o primeiro passo para não aceitar qualquer proposta.

Os golpistas evoluíram. A ligação chega com voz profissional, com seu nome correto, com o nome do banco onde você tem co...
15/06/2026

Os golpistas evoluíram. A ligação chega com voz profissional, com seu nome correto, com o nome do banco onde você tem conta e até com o valor aproximado da sua parcela. Tudo isso é informação que pode ser comprada em vazamentos de dados.

Aí vem a proposta: redução de parcela, portabilidade com taxa menor, ou liberação de valor pendente. Pede uma pequena transferência via Pix para "comprovar movimentação" ou um documento por WhatsApp para "validar cadastro".

Quando o cliente percebe, o dinheiro foi.

Banco real não pede transferência por WhatsApp. Banco real não cobra taxa antecipada para reduzir parcela. Banco real não exige documento por mensagem para confirmar identidade em ligação que ele mesmo iniciou.

Em caso de dúvida, desligue e ligue você mesmo no número oficial do banco, aquele do verso do cartão.

Compartilhar informação séria também ajuda a proteger outras pessoas.

Existe um cenário que muito empresário conhece de perto: a empresa fatura, vende, gira. Mas no dia 5, no dia 10 e no dia...
12/06/2026

Existe um cenário que muito empresário conhece de perto: a empresa fatura, vende, gira. Mas no dia 5, no dia 10 e no dia 15 do mês, o banco já consumiu o que entrou.

Capital de giro com parcelas pesadas.

Pronampe acumulado. Limite de cheque especial pago e renovado todo mês. Saldo devedor que parece nunca diminuir.

A operação roda, mas não respira.

Esse padrão tem nome: passivo bancário mal estruturado. E na maior parte das vezes, a saída não é pegar mais crédito. É entender o que existe hoje, qual contrato foi feito em qual momento, com qual custo, com qual prazo e com qual garantia.

A empresa que para para olhar o próprio passivo costuma encontrar caminhos que o banco não oferece.

Antes de assinar a próxima renegociação, vale entender o que está sendo trocado por aquela parcela menor.

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