14/08/2025
Logo que tirei a carteira de motorista, sofri um assalto à mão armada e levaram o carro.
Depois desse episódio, fiquei anos sem dirigir, só consegui superar o medo depois de fazer “aulas para habilitados”. Voltei a dirigir em 2018 e, quando veio a pandemia, parei novamente.
Foram muitas idas e vindas nessa “skin” motorista — momentos em que sentia o trauma 100% superado e outros em que acreditava que nunca mais conseguiria dirigir.
Desde que tirei a carteira, ouvi muitas “piadas”, críticas e “avaliações” — jamais solicitadas — de diversas pessoas.
Em vários momentos, acreditei nelas: que eu não era boa de direção, que era melhor nem tentar e que estava tudo bem não dirigir.
Até que, no fim de 2024, percebi que não queria mais viver como passageira da minha própria história.
Decidi que 2025 seria o ano em que eu iria dirigir sem medo — não apenas o carro, mas a minha vida.
Foi quando escolhi parar de ouvir críticas não solicitadas e começar a ouvir a minha própria voz.
E hoje, essa é a minha meta de 2025 que está mais próxima de se concretizar.
Trago essa história porque, em todos esses anos como advogada, nada me deixa mais feliz do que ver os clientes assumindo o protagonismo da própria vida.
Às vezes, é a elaboração de um luto, com o resgate da história e do legado de um familiar querido.
Outras, é o encarar da finitude com a cabeça erguida e com a coragem de se planejar.
Também vivo essa satisfação ao acompanhar casais começando uma nova etapa da vida, tranquilos e seguros de seus combinados por escrito.
E confesso que enxergo também beleza em assistir ao renascer de alguém que terminou uma relação que já não fazia sentido.
Em todos esses momentos, percebo que coragem não é ausência de medo, mas a soma de pequenos gestos diários que dizem: se eu não decidir por mim, quem vai?
Assim como eu no volante, cada cliente tem sua própria estrada — com curvas inesperadas, trechos íngremes e paradas necessárias.
E é lindo ver que, quando a determinação assume o banco do motorista, até o medo aprende a viajar no silêncio do banco de trás.