16/09/2026
O PRODUTO É O MESMO. O PREÇO PODE NÃO SER.
Você entra numa loja online e vê R$ 89,90. Outra pessoa entra na mesma loja e pode receber uma oferta diferente.
Não necessariamente porque mudou o estoque, o horário ou a procura. A diferença pode estar em quem está comprando.
Localização, histórico de compras, navegação, buscas, perfil de consumo e comportamento dentro de uma página podem alimentar sistemas capazes de estimar quanto determinado consumidor estaria disposto a pagar.
Isso tem nome: precif**ação por vigilância (surveillance pricing).
Nos EUA, a FTC investigou empresas que fornecem tecnologias capazes de utilizar dados pessoais e comportamentais na definição individualizada de preços e promoções. A Califórnia também abriu investigação sobre a prática. No Brasil, projetos de lei já discutem transparência algorítmica e limites à discriminação individualizada de preços.
É importante não confundir isso com o conhecido preço dinâmico. Se uma corrida f**a mais cara porque começou a chover e aumentou a demanda, o preço mudou em razão das condições do mercado. A questão aqui é mais delicada: o preço pode mudar em razão das informações que o sistema possui sobre você.
E aí a discussão deixa de ser apenas sobre tecnologia.
Passa a ser sobre privacidade, transparência, proteção do consumidor e poder econômico.
Porque nossos dados podem servir não apenas para descobrir o que queremos comprar, mas também para calcular quanto estamos dispostos — ou desesperados — a pagar.
E essa diferença muda tudo.
Fontes: Federal Trade Commission (2024–2025); California Attorney General (2026); Câmara dos Deputados — PL 5441/2025 e PL 1309/2026.